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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Relato: Corridas de Montanha Paranapiacaba - 2014

Paranapiacaba foi minha primeira prova de Montanha.


De lá para cá participei de diversas provas até o final de 2013, garantindo alguns troféuzinhos que alimentam o ego de qualquer um!!


Desde que comecei a treinar na JVM - assessoria com treinos voltados às corridas de montanha - percebi que meu desempenho vinha melhorando, mesmo que a passos lentos e estava, finalmente, saindo da minha zona de conforto - que tanto o Gabriel insistia pra eu fazer. 
Desde o final da Copa Paulista de Corridas de Montanha de 2013, onde conquistei o 2º lugar na faixa etária (30 a 39 anos), nosso objetivo para 2014 estava mais ousado: distâncias maiores, treinos com mais qualidade e menor número de provas, tanto para economizar uma grana, quanto para rendermos melhor, afinal em 2013 saiu caro e dolorido, tanto no bolso quanto pras pernas (não estávamos dando o tempo de descanso necessário e não estávamos aproveitando adequadamente os treinos, e lá estávamos nós indo pra mais uma prova...).




Troféus em 2013

Assim, mesmo já com o objetivo de não participar do ranking da Copa Paulista, eu tinha certeza que pelo menos a etapa de Paranapiacaba eu ia fazer!! 
Já estava com o tênis, a mochila de hidratação, etc, tudo pronto pra essa prova. 

Convidei algumas amigas do revezamento Bertioga-Maresias pra conhecer o que é uma corrida de montanha de verdade e avisei que não podia ter dó de sujar os tênis, que tinha trecho de rio, que tinha muita lama, e etc.(tudo aquilo que a gente tanto gosta nas provas de montanha!).
Quando publicaram a lista de inscritos, para minha total surpresa, haviam 700 pessoas inscritas (entre endurance, curto e longo). Como assim?? Só no longo eram mais de 400 pessoas!!! 
Baseada nisso, tive que repensar minha estratégia de prova...A trilha do rio lá pros 2km também é famosa pela sua 'fila' e pela repreensão de outros atletas caso algum espertinho tentasse furar a fila. Isso me despertou um certo receio, pois, pra que eu pegasse a fila menor, precisava largar com um ritmo mais intenso, o que não é meu forte, e dessa vez ainda teria pelo menos o dobro de inscritos comparando com o ano anterior. 
Três dias antes da prova, com inscrições antecipadamente garantidas, fomos ao ortopedista e ele recomendou que o Gabriel não interrompesse a recuperação - o que não foi muita surpresa, uma vez que o Gabriel ainda vinha (e vem) sentindo dores nas pernas -, e considerando  que nosso objetivo maior era o Mountain Do do Ushuaia, que aconteceria dali a duas semanas. 

Muito chateados, pois alguns itens compramos pensando especificamente nessa prova, anunciamos o repasse da inscrição do Gabriel dessa prova. 

Chegado o dia da prova, lá estávamos nós revendo velhos amigos e observando a quantidade de pessoas que pra nós era inédita. Soubemos que o trecho do percurso que passa no rio não foi autorizado pela prefeitura, fazendo com que o percurso se tornasse uma surpresa. 


O tal do rio... (2013)

Minutos antes da largada do percurso curto, que se deu às 14h, começou uma chuva forte que duraria o restante do dia. 
Pouco depois os atletas do percurso longo já estavam se aglomerando perante o pórtico de largada e eu começava a sentir um frio na barriga, uma ansiedade nada costumeira. 


Além disso, já que o Gabriel não poderia correr, coube a mim a missão de registrar 'o percurso mais esperado do ano', nas palavras da organização. 



Muita gente e muita chuva!

A largada aconteceu debaixo de chuva e começou o meu primeiro registro de prova utilizando a câmera presa à cabeça. 
De fato o percurso havia mudado, pois percorremos 1,5km dentro da cidade, passando novamente pelo galpão do mercado antigo, até atingirmos uma estrada razoavelmente larga de terra/cascalho, onde foi possível que a aglomeração de atletas se dispersasse, tornando a corrida menos tumultuada. 



Logo à frente começaram as trilhas mais técnicas e fui percebendo, conforme o nível de dificuldade do terreno aumentava, a incrível diferença que o solado do tênis faz! 






Enquanto a grande maioria deslizava, o meu 'tratorzinho' permitia com que eu passasse sem muitos problemas pelos que escorregavam e, finalmente, comecei a me sentir 'em casa'!







Me senti confiante e assim fui desenvolvendo um ritmo bom, considerando a dificuldade do percurso, e mesmo tendo caminhado em alguns trechos de subida, após 1h46'51" (pelo garmin) e 1h47'05" (site da prova), cruzei a linha de chegada ensopada, suja de lama e muito feliz!! O vídeo do percurso pode ser conferido aqui.


Infelizmente os resultados do percurso longo feminino não foram divulgados no dia da prova e não houve premiação nem para os que fizeram o Endurance, Geral Longo/Curto (como mencionamos aqui).

Só no domingo à noite, quando os resultados foram divulgados no site, constatamos que o 3º lugar na categoria foi meu (e o troféu chegou no nosso endereço duas semanas depois)!!



O mais legal de tudo é que passei os dias seguintes à prova sem dores! Uma vitória!!

Análise da prova:
Prós: Percurso excelente, bem técnico, com trecho inicial alterado para dispersão da 'massa', bem sinalizado e com clima ideal (muita chuva, consequentemente, muita lama!). Tanto para o percurso curto quanto para o longo, havia muitos trechos técnicos, mesmo sem o trecho de rio.
Contras: Muitos atletas para a dimensão da prova, mesmo com o trecho inicial mais 'largo'; não divulgação dos resultados logo após a prova, fazendo com que muitos atletas ficassem lá esperando os resultados por diversas horas, sujos, molhados e com fome, enquanto a chuva aumentava cada vez mais, para só depois de muito tempo avisarem que os vencedores receberiam seus troféus em casa.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Olhar de quem não correu: Copa Paulista de Corridas de Montanha - Paranapiacaba

No último sábado (22/03/14) rolou a 3ª Etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, em Paranapiacaba.
O que falar sobre a Paranapiacaba, além de mencionar que é normalmente a etapa mais aguardada de todo o calendário trail paulista?
Ainda mais quando a prova oferece desafio a todo tipo de corredor, do iniciante ao ultramaratonista, com percursos de 6, 12 e 50km!
Eu, sinceramente, adoro aquelas trilhas! Estava aguado para voltar a correr lá e avaliar o quanto eu consegui evoluir desde última vez que lá estive, mas o médico não autorizou meu retorno à corrida ainda... paciência.
De qualquer forma, como a Cris iria correr os 12km (e ainda havia convencido 3 amigas a irem para lá experimentar as trilhas dos 6km), acabei indo para a prova como expectador. E eis o que pude observar:
A prova simplesmente dobrou de tamanho, com um total aproximado de 700 inscritos, e isso trouxe algumas consequências diretas.
Uma delas é fácil de se deduzir: as trilhas ficaram pequenas para tudo isso de gente. Mesmo com as largadas separadas, o fluxo de gente era muito grande e com certeza iria entupir as trilhas. Por isso mesmo, o percurso teve de ser alterado de forma que o single track se iniciasse somente após uns bons quilômetros (depois que o grupo se dispersasse um pouco).
Nessa brincadeira, tiveram que retirar do percurso uma das marcas registradas de Paranapiacaba: as centenas de metros percorridos dentro do rio!
Paranapiacaba sem o rio, não é Paranapiacaba (disseram que a Prefeitura não autorizou essa tradicional parte do percurso... se eu fosse a Prefeitura, também não iria autorizar. Uma coisa é ter 250-300 pessoas passando ali; outra coisa é ter 700 e tralalá fazendo o mesmo).



Esse ano está acontecendo um crescimento exponencial do mercado de trail running, seja na oferta de provas (se você quiser correr provas de montanha todo final de semana, você consegue), seja no número de participantes!
Isso é muito bom e agrega bastante ao esporte - a menos que a ambição suba à cabeça e as organizações passem a prezar apenas o lucro em detrimento da qualidade do evento.
Apenas a título de exemplo, ano passado a medalha de cada etapa era personalizada com uma característica do percurso, e ao final do ano o corredor poderia formar uma 'mandala' com todas as medalhas encaixadas. Esse ano, pelo que pude observar, a medalha será exatamente a mesma, salvo pelo 'adesivo' colado no verso da medalha informando a qual etapa ela pertence. Além disso, inventaram esse ano de 'homenagear' famosas montanhas do mundo nas camisetas distribuídas aos corredores.... o que, obviamente, serviu apenas para cortar os gastos com a personalização das camisetas de cada etapa (já que a mesma camiseta pode ser distribuída tanto na etapa Paranapiacaba, quanto na etapa Petrópolis, por exemplo, já que o que está escrito na camiseta é Aconcágua).
Bem, na verdade eu não ligo nem um pouco para as camisetas ou medalhas (minhas camisetas servem para ir à academia, e as medalhas ficam jogadas numa gaveta). A questão é só mostrar que, apesar de o número de inscritos ter mais que dobrado (mais din-din $$$), a qualidade do serviço prestado dá sinais de que vai diminuir.
E por falar em qualidade do serviço prestado, falemos um pouco da cerimônia de premiação... aliás, que cerimônia?!
Muitas e muitas pessoas ficaram ali no entorno do mercado de Paranapiacaba, sob forte chuva e muitas horas após terem completado suas provas, aguardando a cerimônia de premiação que não existiu.
Imaginem só os corredores do Endurance 50k, que largaram às 8h da manhã e aguardaram horas e horas apenas para ler as parciais (publicadas só no fim da tarde) e depois aguardaram ainda mais para receber seus troféus só para serem avisados pelo microfone que "devido ao mau tempo" os troféus seriam enviados por correio! Rá!
Para as mulheres que correram 12km então, não houve nem a divulgação da classificação! Esta só foi divulgada no domingo tarde da noite!
Enfim, pode ser que eu esteja ranzinza e azedo pelo fato de estar tanto tempo sem correr e sentindo dores e, por essa razão, tenha dado importância demais a esses fatos que considerei como falhas da organização... pode ser que quem correu e se divertiu na trilha não tenha ligado para essas coisas... Veremos.
Bom, descobrimos que a Cris conseguiu ficar em 3º lugar em sua categoria e em 29º lugar de 103 mulheres! Vamos ver se o troféu encontra o caminho até a nossa casa (e depois a gente 'photoshopa' a cerimônia de premiação...rs).

Enquanto isso, fiquem com o vídeo que ela gravou durante o percurso:




P.S.: Aparentemente, o vídeo não está abrindo em plataformas móveis devido a problemas de direitos autoriais... quem mandou escolher Metallica como trilha sonora... se tivesse escolhido Lepo Lepo não teria esse problema!! hahaha


Aqui está o link para o relato da Cris!
______________
UPDATE: quase 3 semanas após a prova, o troféu de 3º lugar na faixa etária chegou até nossa casa.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Celebrando a amizade - São Bento do Sapucaí

Com a Etapa São Bento do Sapucaí da Copa Paulista de Corridas de Montanha, encerrei meu ciclo de competições de 2013.

Nesse quase um ano correndo fora do asfalto aprendi e vivenciei muito mais experiências do que sequer imaginava. Subi ao pódio pela primeira vez,  comecei a treinar com uma verdadeira família (e, desde então, meu rendimento só melhorou!), fiquei manquitola por algumas etapas graças a uma síndrome do trato iliotibial, me afastei um pouco das corridas por um mês (apenas fisicamente, pois a cabeça estava sempre nas trilhas), experimentei correr uma prova inteira ao lado da minha companheira de aventuras, percebi que ela era mesmo uma companheira para todos os momentos e decidi oficializar nossa relação, e fiz amigos. Muitos amigos.

De todas as conquistas e experiências 'esportivas' desse ano, posso afirmar com toda a franqueza que o melhor prêmio foi a expansão de meu círculo de amizades. Foi a constatação de que eu posso ser louco e fanático por corridas, posso ser "mono-assunto", mas eu não estou sozinho nessa!

Não repare no tamanho dos pratos rs

E justamente por isso foi tão importante para mim a conquista do 3º lugar no ranking da Copa Paulista na faixa etária 25-29 anos, pois eu queria subir ao pódio com meus amigos. Dividir a experiência com quem se importa com você e torce por você tem outro valor, outro sabor.
Subindo juntos e com o pé direito!
E pensar que no começo do campeonato a gente se xingava em pensamentos! hahahaha

O troféu é bonito, claro, mas o que ele simboliza no íntimo de cada um é o que realmente importa. A celebração não é pela posição no ranking (que é algo passageiro e não significa - por si só - nada). O valor do troféu está em saber que os objetivos que foram traçados lá atrás foram devidamente atingidos; está em saber que você melhorou não só como atleta, mas como pessoa; está em saber que, apesar de uma série de variáveis, você se superou e foi buscar o que queria; está em saber que existem pessoas com quem você pode contar (ok, chega, isso aqui não é cerimônia de entrega do Oscar! rs).
A Cris também garantiu o dela!

Por tudo isso, digo que a melhor parte da Copa Paulista, para mim, foi a cerimônia de encerramento com o jantar no restaurante Sabor da Serra.



Que oportunidade excelente para confraternizar com as pessoas que dividiram conosco as trilhas, os sofrimentos, as alegrias, os perrengues - e dessa vez vestido de gente grande, com roupas e tênis limpos, rs!

Grande ocasião também para ouvir histórias e casos de pessoas mais experientes, de traçar planos para o futuro e de enfiar o pé na jaca! hahaha

Conversar com a Tomiko, ouvir suas histórias e suas dicas... uma honra!

Apesar das dores, preferi deixar pra começar a tomar os remédios prescritos pelo ortopedista após o jantar, porque naquela noite eu queria mesmo era comemorar o término desse ciclo!

A todos os envolvidos, muito obrigado por tudo (pelo apoio, pelo incentivo, pela palavra amiga, pela alegria, pela foto, por testemunhar momentos importantes para mim, pela torcida, pela preocupação... enfim, muito obrigado!).

Acho que a gente se empolgou nesse papo de comemorar... literalmente fechamos as portas do restaurante, sabe-se lá que horas da madrugada! 

Ano que vem tem mais!

A gente se tromba nas trilhas! ;-)


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Relato: Apoteose na Sapucaí - Corridas de Montanha São Bento do Sapucaí

Apoteose? Sapucaí?


Palma, palma, não priemos cânico! 
Apesar de o texto conter as palavras "apoteose", "Sapucaí" e de eu ter sapateado mais que mestre-sala na lama, não estou aqui pra falar de samba!
Apoteose, em uma de suas definições, corresponde ao ponto final de uma cena que decorre de maneira espetacular... algo um pouco mais dramático, inesperado e espetacular que o final de uma novela mexicana. Explicado o título, voltemos à nossa programação normal:

Cenário
São Bento do Sapucaí, ensopada e imersa nas brumas! A neblina era tanta, que parecia que estávamos no filme "Os Outros". Em alguns momentos, não era possível ver o corredor que estava 10 metros à nossa frente! Além da chuva que caiu em SP ao longo da semana, choveu praticamente o final de semana inteiro em São Bento. Resumindo o cenário: lama, muita lama, bastante lama mesmo, neblina e mais um pouquinho de lama.



Lama.
Enredo
Como vocês devem se lembrar, há algum tempo venho sofrendo de canelite (que, talvez nem seja canelite... vamos aguardar os resultados dos exames). Para me recuperar, resolvi ficar um tempinho sem correr e, desde a Etapa Serra da Cantareira, não corri nem atrás de ônibus, por medo de me machucar ainda mais... Deixei inclusive de correr uma prova para a qual havia feito inscrição.
Maaaasss, São Bento do Sapucaí era a última etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, e eu queria fazer bonito na pontuação para o Ranking anual. 
Na verdade, a pontuação no ranking nunca foi uma pretensão minha. Tanto foi assim, que nas primeiras etapas eu perdia bastante tempo "panguando" e apreciando a paisagem...rsrs... Acontece que ao longo das provas, criamos um círculo de amizades que contava com 2 pessoas da minha categoria (Gustavo e Willian). E seria muito bacana se conseguíssemos encerrar o ano os três juntos no pódio!
Só que essa missão não seria tão simples. Na pontuação para o ranking, feito o descarte de provas e a matemática toda do regulamento, descobri que se eu quisesse subir ao pódio com meus amigos na premiação do Ranking anual na faixa etária 25-29 anos, teria que concluir essa prova no mínimo 2 min à frente de determinado corredor.
Não bastasse a complexidade da prova, eu teria de lidar com o fato de que havia praticamente um mês que eu não corria (zero condicionamento!) e com minhas dores (além da preocupação com as consequências de correr machucado e agravar a lesão). Some a isso o fator psicológico de ter de correr dependendo não apenas do meu resultado, mas também do resultado do meu concorrente, e você terá uma ideia da bucha que me aguardava.

Na semana da prova fui a um ortopedista que disse existir suspeita de fratura por estresse na tíbia. Tremendo balde de água fria, não? Após essa consulta, ficava oscilando entre correr a prova mesmo assim ou deixar pra lá... 
Quando publicaram a lista de inscritos para a prova, na véspera do evento, corri pra ver se minha nêmesis constava da relação (rs) e fiquei feliz ao constatar que aquele nome não estava na lista, pois assim eu poderia deixar de correr e ainda assim garantir a 'premiação'.

Por via das dúvidas, no sábado à tarde me dirigi até o local da prova devidamente trajado e preparado para correr, afinal, imprevistos acontecem. Eis que, a 2 minutos da largada o Willian grita meu nome e faz um aceno de cabeça na direção do murinho lateral, na concentração para a largada. É... não ia ter jeito, o cara estava lá, e eu teria de correr. Mal deu tempo de digerir a ideia e soou a buzina!
Coração na boca e lá fomos nós!
Fóóóóóóóómmmmm (buzina)

Nos primeiros 300m, em paralelepípedo e bloquete, cada passo era uma pequena punhalada nas pernas... tentei acompanhar o grupinho (15/20 pessoas) que estava liderando, mas fiquei com medo de a dor piorar a ponto de eu não conseguir mais correr. Por sorte, logo em seguida começou A subida. Sim, com "a" maiúsculo. Foram aproximadamente 5km subindo sem parar, escorregando muito, andando muito, ofegando muito e vendo pouco, já que a chuva e a neblina diminuíam a visibilidade.
Como eu não sentia dor para andar, engatei a reduzida e avancei aos trancos e barrancos, sem parar pra respirar. Quando surgia um espacinho onde dava pra encaixar 3 ou 4 passos mais rápidos, eu trotava. Tentei ganhar o máximo de terreno possível durante a subida, pois sabia que na descida eu não teria condições de correr forte. Não ousei olhar para trás nenhuma vez.


Caminhe que o mundo é grande... (o tênis, ainda limpo)

Finda a aparentemente infindável subida, seguiu-se um curto e igualmente escorregadio single track e continuei forçando além do que costumo fazer e muito além do que minhas canelas gostariam. Eu tinha certeza que, chegando a descida, qualquer diferença que eu tivesse aberto durante a subida seria prontamente diminuída.

Mais neblina, uma porteira de fazenda, um pequeno atoleiro e... uma estranha sensação de vácuo. 'Silêncio ensurdecedor', visibilidade de não mais que 5m. O corredor que eu estava usando como ponto de referência simplesmente sumiu do meu campo de visão. 
E assim deu-se início a um tobogã de lama e esterco que nos levaria até os 500m finais da prova. Isso mesmo, praticamente 6km esquiando, sambando, sapateando ou qualquer outra coisa que não correndo, ladeira abaixo. 


Essa era a parte "seca" da prova

Mais ou menos nessa altura, cruzamos caminho com o pessoal do percurso curto. Festival de tombos! Uns caíam de frente, outros de lado, outros caíam sentados, e segue o jogo! rs



Consegui me segurar em pé o tempo todo, mas haja propriocepção, viu!




Novamente, tive sorte. Se a ladeira não estivesse tão escorregadia e lamacenta, a descida seria muito rápida e o impacto seria além do que eu poderia suportar.

Tá acabando!

Quilômetro final, terreno plano e pavimentado, era hora de dar o sangue, partir pro tudo ou nada, aumentar o ritmo. Acontece que eu já estava dando o sangue desde a largada. Quando a buzina soou, eu já havia partido para o tudo ou nada. E com um mês sem treinar, meu corpo (cardiorrespiratório, pernas, lombar, ombros) estava sofrendo muito para me levar onde minha cabeça queria. Tentei dar um tiro e não consegui manter o ritmo nem por 100m.
Coloquei na minha cabeça que eu estava sendo caçado e que, se eu tinha me forçado até ali, não podia jogar todo aquele esforço no lixo justo no finalzinho da prova. Comecei a encaixar uns 10 passos de "bonito" (correndo com técnica e mantendo a postura, como me ensinaram na JVM) com 5 passos de zigue-zague-acho-que-esse-cara-vai-desmaiar (como aprendi sozinho naquela hora) e assim segui até a linha de chegada, onde fui recepcionado pela staff mais simpática do mundo, com o copo d'água mais gostoso que me lembro de ter tomado!

Reencenando minha chegada, para a Lígia poder fotografar! rs

A minha parte estava feita. Agora era só esperar o cronômetro girar mais longos 120 segundos para saber se aquele lugar no ranking seria ou não meu no final do dia.
30s, e nada... 60s, não, não é ele... 90s... ufa, achei que era o cara... 120s, é isso mesmo, já deu o tempo? Vou continuar aqui... 180s... nada ainda, mas vamos esperar mais um pouco... 240s... ok acho que agora posso comemorar! \o/
Outra alegria eu senti quando meus parceiros Willian e Gustavo cruzaram a linha de chegada, quase juntos! Comemoramos bastante o término do campeonato! Nossas pernas estavam pedindo descanso há muito tempo! rs

Acabooooouuuuuuuu!!!!!!!!

Só faltava aguardar a Cris chegar sã e salva e tudo estaria certo! 

Uns 50min depois e lá estava ela, toda sorridente!
Depois disso, era só cada um se limpar como era possível (deixar a chuva fazer o serviço, usar uma mangueira ou se lavar nas poças d'água), aguardar a premiação da prova e partir pro restaurante Sabor da Serra para a cerimônia de encerramento da Copa Paulista e a premiação do ranking - muito boa, por sinal, mas isso fica pra outro post. ;-)



Evolução: 5km de subida extremamente íngreme e totalmente escorregadia, com ganho de elevação de 800m (!!!) +/- 1km de plano e/ou leve declive, +/- 500m de subida leve e 6km de descida esquiando na lama. 
Percurso  (sem altimetria) de  São Bento do Sapucaí

Que prova dura!! Só para servir de parâmetro, com mais de 3h de prova, ainda era possível ver corredores chegando (inclusive do percurso curto!!!). Não consigo nem imaginar como foi para os guerreiros do endurance, que encararam 50km naquelas condições! Sem contar quem correu os 50km e, não contente, ainda participou dos 13km/9km!
Creio que foi a prova mais dura que já corri. E com certeza a prova em que mais me superei. 
Nos primeiros 6km, fiz uma média de 10min/km! Pura caminhada!
Apesar de todas as recomendações serem no sentido de poupar energia no começo para descontar no final, tive de me adaptar à situação e às minhas características mais fortes e forçar do começo ao fim. Se não tivesse feito isso, não teria conseguido o 23º geral/ 2º na faixa etária/ 3º no ranking!


Deixar de comparecer à premiação NÃO agrega valor ao espírito esportivo. rs

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Relato: A gente sofre, mas se diverte! CP - Etapa Cantareira

No último domingo (27.10.2013) disputamos a penúltima etapa da Copa Paulista de Corridas em Montanha. Ufa! rs


Não me leve a mal, adoro correr (não sei se já deu pra perceber), mas estruturei meu calendário de corridas muito strogonofficamente emboladamente esse ano, e esse excesso de provas em curto espaço de tempo vem cobrando seu preço (perda de rendimento, dores e inflamações no corpo e afins). Enfim, falta pouco, vamos que vamos!

A penúltima etapa da Copa Paulista, intitulada Etapa Serra da Cantareira, ocorreu em Mairiporã, com largada e chegada no Pesqueiro Vale de Santo Ari. Bem pertinho de São Paulo, fácil acesso e com excelente estrutura (geralmente é difícil encontrar banheiros impecáveis após as corridas, e eles valem ouro! Ouro!!! rsrs Parabéns ao pesqueiro!).

Chegamos com quase duas horas de antecedência (achamos que a viagem levaria mais tempo) e aproveitamos pra colocar o papo em dia com o pessoal  - é muito legal ver que a cada prova o círculo de amizades vai se expandindo.

O dia amanheceu nublado e um pouco frio - na estrada pegamos até garoa - mas um pouco antes da largada, marcada para as 9h, já dava pra sentir o tempo mudando.

Feito o briefing, foi dada a largada para o pessoal que correria o percurso curto (pouco mais de 6 km) e uns 10 minutos depois deram a largada para o pessoal do Longo (11,6km). 
A decisão da organização de separar as largadas foi justificada rapidamente: tirando algumas centenas de metros iniciais em estrada de terra, o percurso teve os primeiros 5km praticamente em single track (com bastante lama e esterco rsrs), e a largada dividida evitou o congestionamento nas trilhas! Sábia decisão!


Desde que divulgaram o percurso e a altimetria dessa prova eu já havia me convencido de que essa prova não era pra mim, já que ela tinha um perfil muito rápido e com poucas subidas, então preferi largar lá pra trás, sem pressa e aumentando o ritmo gradualmente (considerando ainda o fato de a minha velha conhecida dor nas tíbias ter marcado presença). 

Percurso e Altimetria - Copa Paulista de Corridas de Montanha Etapa Cantareira
Como o celular não funcionava ali, corri só com o cronômetro, e no 5ºkm vi que não estava correndo tão soltinho quanto eu imaginava: passei a placa de 5km com 23:15!! Do 5º pro 6ºkm tentei me segurar um pouco pois sabia que em breve ia começar um aclive de 2km com ganho de 200m de elevação.
Disseram que o percurso longo teria 4km margeando o rio Juqueri. Só acreditei agora que vi essa foto! Durante a prova eu nem consegui olhar pro lado...rs
A essa altura, o calor já estava insuportável! A todo momento eu pensava "se tiver que cruzar um riacho aqui eu mergulho a cabeça"... mas nada de riacho... Não queria jogar a água da minha garrafa na cabeça porque acabei levando pouca água para essa prova, e não queria ter de parar pra reabastecer no posto de hidratação (existente apenas no 8ºkm).

 


Quando a subida começou pra valer, em meio à mata fechada, minhas pernas já quase não me obedeciam... acho que meu corpo estava se rebelando contra a minha falta de noção de querer correr com dor, leve ressaca, estômago ruim e naquele calor absurdo. 
Que eu me lembre, essa foi a primeira vez que eu perguntei a mim mesmo "o que é que estou fazendo aqui?!" durante uma prova.

Finalizada a subida era hora de descer de novo, mas nem isso me aliviava, já que não me sentia confortável em sentar a bota nas descidas por causa das dores nas canelas...


Falta pouco, já posso ver o final da subida!

Olha a descida ali! Saiam da frente!!!
Faltando mais ou menos 1km para a chegada, saímos de uma estradinha e pegamos nova subida - dessa vez curta - em meio à mata. Normalmente, quando chega essa hora, eu tenho alguma energia sobrando e ataco a subida sem dó para acabar o percurso logo, mas não foi assim dessa vez. Parei para andar em diversas ocasiões...
Ainda não descobri porque resolvo piscar pras câmeras... parece que estou tendo um pequeno AVC! rsrs

Finalmente surgiu a placa dos 11km, seguida de 600m de descidas íngremes em bloquete. Tentei aumentar um pouquinho o ritmo, mas as canelas chiaram e resolvi escutá-las.

Cruzei a linha de chegada com 1h08:39 e só queria saber de me hidratar logo e resfriar um pouco o corpo!

O percurso não estava lá muito técnico, era muito rápido e o calor estava castigando bastante. Torci o mesmo pé umas 3 vezes seguidas e as canelas queimavam, é... não era o meu dia! rs

Normalmente eu espero a Cris cruzar o pórtico de chegada, mas dessa vez eu estava tão entretido no bate papo com os amigos no "departamento médico" (um espacinho na grama onde ficamos jogados fazendo crioterapia, tomando sol e reclamando do calor, do percurso rápido e das dores) que nem a vi chegar - ela concluiu a prova em 1h32:22.


Grupo completo, agora era só papear e esperar a divulgação dos resultados!

Saldo do domingo: fortalecimento das amizades; promessas de projetos futuros; 11,6km de divertido sofrimento; calorias do churrasco de sábado devidamente queimadas; dores e mais dores... e vontade de repetir tudo isso na próxima oportunidade que surgir!
Além do troféu, levei pra casa uma mudinha de palmito juçara!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Relato: Sebo nas canelas na Suíça paulista - Corridas de Montanha Campos do Jordão

Após correr destrambelhadamente no Rei da Montanha, fiquei com dores tão fortes nas pernas (região das tíbias) que passei uma semana sem conseguir nem ao menos trotar... Por isso, estava com grande receio de correr a Etapa Campos de Jordão da Copa Paulista de Corridas de Montanha (ainda mais depois da surpresinha que tive com a divulgação do percurso/altimetria: o percurso passou de 12km para 15,2km, além de uma caminhada de 3km do estacionamento até a área da largada, para aquecer!).

Após a 'pré-largada' - caminhada/trote de 3km até a área da largada real - sob garoa, chegamos ao pórtico de largada oficial e aguardamos a liberação pela organização do evento.

Todos a postos, soou a buzina e lá fomos nós, morro abaixo, na tal da "Largada em Avalanche" (500m de estrada de terra mais ou menos escorregadia e em declive).
Como eu não sabia nem se ia conseguir correr, deixei pra largar lá atrás, e num ritmo bem conservador (até a Cris me ultrapassou na primeira descida, com perninhas de papa-léguas! rsrs).

Aos poucos fui ganhando confiança e aumentando o ritmo e, alguns sobe-e-desce depois, surgiu um aclive longo em estrada de terra, de onde era possível ver um grande vale coberto por nuvens. No alto dessa ladeira havia uma placa indicando nossa localização: estávamos no cume do Pico do Diamante (+1850m de altitude)!
Chegando ao cume do Pico do Diamante
Cris iniciando a descida do Pico

Como diria o Rei (Roberto Carlos, não o Rei da Montanha), são tantas emoções! rs Ali, no meio da prova, com o coração na boca e a respiração ofegante, perdi-me em devaneios e me lembrei de quando fiz a trilha até aquele cume acompanhado de meus pais e meu irmão, há alguns bons 16 anos!!!

Direto do túnel do tempo! (favor desconsiderar a qualidade da foto e o visual grunge)

Mal deu tempo de sentir saudades da infância e já era hora de rolar morro abaixo, digo, descer o Pico do Diamante por uma trilha longa e acidentada.



Finda a descida, adivinhe... era hora de subir de novo!! Subida longa e gradual em mata fechada, com muitos troncos, riachos, arbustos, pedras e lama. Do jeito que o povo gosta!

Dá só uma olhada nessa ladeira!!

Por volta do km 9, uma staff fanfarrona disse que faltavam 3km para o fim da prova... Nos meus cálculos, faltava pouco menos da metade da prova ainda, mas vai que né... na dúvida, sentei a bota!



Entrei numa trilha cheia de lama e folhas mortas e fofas, em leve declive e com um pouco de neblina. Aquele terreno praticamente implorava por um aumento na velocidade e achei que correr um pouco na banguela não faria mal a ninguém! Me senti o próprio Kilian Jornet (rs), flutuando terreno abaixo, saltando sobre pedras, raízes, erosões - e, às vezes, sobre pessoas que capotavam à minha frente gritando "tá tudo bem, tá tudo bem, pode continuar"! rs - deixando meus pés escorregarem na lama com segurança e imprimindo um bom ritmo de descida.

Nessa toada passei as placas de 10km, 11km, 12km, saí da trilha (staff pimpona!!! Tentou me enganar!!!) e passei a correr beirando os trilhos do trem, num leve aclive, saltando dormentes, pedras, despachos (sim, sim, várias velas vermelhas por ali rs) e, enfim surgiu a placa de 14km.
Juntei energia sabe-se lá de onde, ajeitei a postura do corpo e queimei sola, com sprint na reta final e tudo mais! Meu quilômetro mais rápido até hoje! rs

Às vezes é importante andar na linha (e essa minha cara de espirro, hein?)


Fiquei feliz demais em concluir a prova! Sério, as dores que senti 'nas canelas' ao longo da semana me fizeram pensar em desistir da prova... mas sabe aquele papo de ser brasileiro e não desistir nunca, né?

Com o tempo, as demais figurinhas carimbadas da Copa Paulista foram aparecendo e a conversa rolou solta enquanto os resultados parciais não eram divulgados! O animado bate-papo sobre provas passadas e projetos futuros quase não nos deixava lembrar do frio, roupas molhadas, fome e dores musculares.

A melhor parte das competições: o companheirismo, a camaradagem e a troca de experiências!














Resultado divulgado, fotos, festa, chocolate quente, até-breves e hora de voltar para casa. O que é bom, dura pouco!