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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Relato: Bertioga-Maresias 2: O Retorno

Sabadão, sol de rachar desde cedo, partimos em direção à Bertioga para mais uma etapa do Revezamento Bertioga-Maresias (75km). Seria a nossa segunda participação no evento.

Em maio fizemos uma equipe mista (6 meninos e 2 meninas) e para outubro tivemos quórum para dois octetos: um masculino e um feminino. 
Ambas as equipes com gente nova nas corridas e ambas com corredores reclamando de dores desde antes da prova rs. 
Nosso objetivo: Curtir o rolê enquanto tentávamos concluir a prova abaixo de 9h - tempo limite para podermos receber as medalhas de participação! hahaha

O legal dessa prova é que ela é quase uma corrida de aventura ou caça ao tesouro: você tem que correr, navegar pela planilha, chegar aos PC's no tempo determinado, cumprir tarefas (deixa fulano, pega ciclano, avança até dois PC's à frente, tenta achar um banheiro, tenta achar algo para comer/beber, etc.,). Desse jeito, o dia passa bem rápido!


Bom, se com uma só equipe de corredores a logística já é um pandemônio, imagine como é para duas equipes!! A todo instante a gente tinha a sensação de que ia esquecer alguém para trás! rsrs

Outra preocupação era que os mesmos carros de apoio levariam os homens e as mulheres, e achávamos que ao longo do percurso os homens abririam uma vantagem muito grande sobre as mulheres, dificultando ainda mais a logística.

Percurso e Altimetria da Bertioga-Maresias (esse é o percurso anterior a 2012, antes de criarem o trecho de 14,2km)

No final, tudo deu certo e ninguém se perdeu: no primeiro trecho (10,8km) a diferença dos Canas que Voam para as Canas que Arrasam foi de aproximadamente 5 minutos; no segundo trecho (5,6km) as que Arrasam recuperaram os 5 min e acrescentaram mais 1:30 de vantagem; no terceiro trecho (6,8km) elas continuavam à nossa frente; no quarto trecho (6,2km), sob minha responsabilidade, elas largaram aproximadamente 05:35 antes de os meninos trocarem o chip. Assim que o Victor chegou, peguei o chip da mão dele e disparei. Como o trecho era muito monótono - 6 imutáveis quilômetros de praia - eu precisava achar achar alguma "missão" pra ocupar a cabeça, então estabeleci que minha missão era alcançar a Andressa! Quase quebrei! rs 

Fiz o primeiro km em ritmo de tiro (quando o celular me informou o pace do 1º km eu quase caí pra trás! Resolvi segurar um pouco a onda). Por volta do 2ºkm consegui alcançá-la e defini que o pontinho azul correndo lááááá na frente era meu próximo alvo, continuei em ritmo forte e fui diminuindo a distância... depois mirei num corredor acompanhado por um ciclista e fui buscá-lo, e assim os km foram se passando. O sol estava castigando bastante, o cenário não mudava nunca e meu primeiro km muito forte começou a me cobrar seu preço... a cada km eu ficava de 10 a 15s mais lento. Por sorte a praia chegou ao fim e foi só correr mais uns 150/200m até o PC4 e passar a bola pro Guilherme fazer o trecho 5 (14,2km). Finalizei o trecho 4 (6,2km) em aproximadamente 27min50!


Se eu reclamei do calor, imagina o Guilherme e a Carol, que tiveram de fazer os 14,2km sob o sol do meio dia! Bom, dali para a frente os homens conseguiram manter uns 20 minutos de vantagem sobre as mulheres - nada que atrapalhasse a logística dos carros de apoio. 

No PC 5 tivemos uma surpresa ruim... quebraram o vidro de um dos carros de apoio e levaram as malas de 3 membros do grupo... F#d*
Isso, obviamente, desanimou a todos, mas todo mundo ali foi guerreiro, engoliu a decepção e descontou a raiva nas areias das praias, pisando forte pra não ter que bater em alguém.

Recebemos a notícia enquanto aguardávamos no PC 7, e começamos a suspeitar de tudo e de todos... cada "malandro" que passava olhando para dentro dos carros era um marginal em potencial para nós... sensação muito ruim. 

A essa altura do campeonato, a Cris começou a passar mal, talvez o calor e a falta de alimentação adequada tenham feito a pressão dela cair. Ficamos com receio de ela encarar sozinha a serra de Maresias (trecho 8 - 10,9km) naquelas condições, então resolvi que iria acompanhá-la naquela aventura!

Apesar de eu ter passado a semana anterior à prova sem treinar, por causa de dores nas pernas, eu estava me sentindo muito bem naquele instante. Nem parecia que eu tinha acabado de bater meus recordes para 1km e 5km (além do mais, sejamos francos, todo mundo fala MUITO desse trecho, e eu estava bem curioso pra ver se o bicho era tão feio quanto o pintavam)!

Combinei então com a Cris que eu ficaria o percurso inteiro atrás dela, para ela não se sentir pressionada e, quando a hora chegou, assim fizemos.

O trajeto já começa num leve aclive, seguido de uma descida curta e rápida até a praia de Boiçucanga. A seguir temos aproximadamente 1,5km no plano antes da famosa Serra! Por sorte, o sol deu uma trégua.

Engatamos a primeira marcha e começamos a longa subida (aproximadamente 3km subindo sem parar). Mantive minha promessa e permaneci atrás da Cris o tempo todo e mesmo quando ela passava a caminhar eu permanecia trotando-quase-sem-sair-do-lugar atrás dela (em determinados momentos a caminhada seria mais eficiente que o trote, mas quis trotar o caminho inteiro só para ver se eu era capaz de "zerar" a Serra).

Altimetria da Serra de Maresias
Durante a subida muitos carros passavam buzinando e gritando frases de incentivo (Força! Vamos lá! Parabéns!). Parece bobeira, mas aquilo dá uma injeção de ânimo muito legal! Imagino como os Survivors (Solo nos 75km) deveriam se sentir com a calorosa recepção que tinham em cada um dos PC's. [Um dia, quem sabe...]

Da metade da subida até o início da descida fomos "apostando corrida" com dois dos nossos carros de apoio, mas o trânsito estava tão intenso que acabamos os deixando para trás e só fomos encontrar o pessoal de novo uns 15 minutos após cruzarmos a linha de chegada!

Estávamos subindo a serra tão rápido que os fotógrafos nem conseguiam focalizar! Ou foi isso, ou foi a emoção em nos ver que deixou as fotos tremidas rsrs
A subida foi cansativa, claro, mas a descida foi DOLORIDA! 
Mais ou menos 3km de descida sem fim, castigando os quadríceps, os joelhos, os pés... sem contar o medo de cair... enfim, sem dúvidas preferi a subida! Além disso, na descida a Cris liga o motorzinho e vai embora, e eu tenho que fazer força para acompanhar! 

Ao final da ladeira entramos numa viela e desembocamos na praia, onde corremos na linha d'água para evitar a areia fofa. Com 1h12:43, cruzamos a linha de chegada. Estava concluída a 2ª Etapa do Revezamento Bertioga-Maresias 2013 para os Canas que Voam e para as Canas que Arrasam! Hora de matar quem queria nos matar (a fome!) e celebrar os feitos das equipes!

Valeu, equipe!


Aproveito a oportunidade para agradecer aos nossos 'patrocinadores' pelo apoio nessa gincana meninos vs. meninas!



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Relato: Conquista de ouro - Corridas de Montanha - Atibaia

O desafio da vez foi a etapa Atibaia da Copa Paulista de Corridas de Montanha, em 25/08/13, com largada no Campo de Pouso Livre (+/- 760m) e chegada no cume da Pedra Grande (1350m).


Essa era uma prova que eu queria correr desde que soube da sua existência. As fotos e vídeos das edições anteriores mostravam que o percurso era duro, porém extremamente belo.

No sábado fomos treinar na USP e, conversando com o pessoal da JVM, a opinião era unânime: "Essa prova é linda, mas ela dói!"

Considerando que essa opinião vinha de corredores experientes, bateu certa apreensão... mas é aquele papo: se está no inferno, abrace o capeta! rs 
Então aceitamos que a prova seria realmente dura, deixamos as expectativas de bons resultados de lado e focamos apenas em correr bem e sem incidentes (lesões e afins), apreciando o cenário.

Se o objetivo dessa prova fosse apenas performance, não teria entornado seguidas taças de vinho na noite anterior à prova, comemorando meu aniversário na casa dos meus pais! rsrs

No domingo acordamos cedo e, com o céu ainda escuro, pé na estrada. 

A gente acabou se perdendo um pouco ao entrar em Atibaia e chegamos "atrasados". Perdemos - por 2 minutos - o caminhão de guarda-volumes, que levaria à área de chegada nossas mochilas com jaquetas corta-vento, comida e etc. etc. etc... Ficar de mimimi não levaria à nada, então reorganizamos nossas pochetes e bolsos das bermudas da forma que foi possível, para não faltar o essencial para o pós-prova (e o essencial, nesse caso, envolvia algunas cositas más, como veremos a seguir). 

Encontramos alguns conhecidos de provas anteriores e trocamos nossas impressões e expectativas para o evento. 

Às 8h soou a buzina e foi dada a largada. 
Considerando os conselhos que me foram dados, e levando em conta ainda que os primeiros 3km eram relativamente planos, pensei em começar num ritmo um pouco mais acelerado, pois quando a piramba e o single track surgissem, não ia ter muito mais o que fazer. 
Assim, "mirei" nos corredores que eu já sabia que corriam mais forte que o meu normal, e tentei acompanhá-los. Com isso, acabei fazendo os dois primeiros kms mais rápidos da minha curta carreira de corredor.

Da marca do 3ºkm em diante foram subidas e mais subidas, primeiro por estrada de terra (onde andei o mínimo possível) e depois por single tracks dignas de escalada no Parque Nacional do Itatiaia, ou seja, o máximo que dava pra fazer era andar sem parar para recuperar o fôlego!



As panturrilhas queimavam um pouco, os glúteos chiavam, a lombar atazanava, mas eu seguia firme e forte (lento, mas forte! rs).

Apesar do pouco tempo que tive pra me preparar, estava me sentindo muito bem - física e psicologicamente - e um objetivo maior me impulsionava a seguir me esforçando quando o sensato era parar por uns 5s para pegar um ar.

De repente saí da mata e dei de cara com as pedras. Abaixo delas, Atibaia e região. Que visual! 






Naquele momento, percebi que ainda tinha um pouco de fôlego, deixei de apreciar a paisagem e voltei a trotar - faltava menos de 1km para cruzar a linha de chegada.










O problema é que esse 'menos de 1km' seria em "escalaminhada" na rocha! Nossa Senhora da Panturrilha Fritando!

Foto da edição anterior, pra vocês terem noção de quão grande é a Pedra Grande!


Força, Cris!! Falta pouco!


Nessa escalada ainda ultrapassei duas ou três pessoas... 
Faltando menos de 100m para a chegada, surgiu um trecho "trotável"... olhei em volta, julguei que não tinha ninguém da minha categoria ali perto e deixei o cansaço e a preguiça falarem mais alto por alguns poucos metros. Nesse momento fui ultrapassado por uma das pessoas que eu tinha acabado de ultrapassar. 
Vinte e um segundos depois, cruzei a linha de chegada (ainda tive de cruzar duas vezes pois, na primeira vez, o chip não foi lido). 
Qual não foi a surpresa quando, na cerimônia de premiação, descobri que aquela pessoa que me passou na reta final era da minha categoria, e ficou em terceiro lugar!!! Aquele troféu poderia ter sido meu... mas paciência, o foco não era esse.

(Cá pra nós, sinceramente, essa foi a prova em que me senti melhor até hoje. Considerando meu condicionamento e preparo, não acho que poderia ter melhorado meu rendimento ou mudado a estratégia em momento algum - a única "falha" foi na reta final, mas ainda assim fiquei muito feliz com meu desempenho. E agora é certeza: tenho predileção pelas provas uphill, como em Santo Antônio do Pinhal e Atibaia).

Descansando e esperando a Cris

Era ali que a adrenalina ia começar a fluir de verdade! Enquanto aguardava a Cris concluir a prova, conversava com os conhecidos que iam chegando e tentava ignorar as 'borboletas no meu estômago'.



A Cris surgiu no horizonte, cansada mas sorridente, e meu nervosismo aumentou.




Antes mesmo de ela parar para alongar, beber água, pegar a medalha, tirei do bolso da bermuda de compressão a nada discreta caixinha de alianças e fiz a ela a pergunta que não queria calar!

Momento "flagrados pelo paparazzo"
Fácil correr com uma caixa de alianças 'escondida' no bolso da bermuda de compressão, viu! 


Conquistei ali o perseguido ouro.




Pra finalizar o feliz final de semana, voltamos para São Paulo em tempo de encontrar a equipe Canas que Voam num churrasco de integração da nova turma que vai encarar a Bertioga-Maresias em outubro!

______________________


P.S.: o retorno com ônibus da organização do evento, do cume da Pedra Grande ao ponto de largada, levou mais tempo do que eu gastei para correr até lá em cima! Viagem sofrida e interminável! Tasqueopariu!!! Sorte que meu estado de espírito é sempre no estilo Quanto pior, melhor! rsrs

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Revezamento Bertioga Maresias Maio 2013

Após o desafio em Campos do Jordão confirmamos algo que já suspeitávamos há algum tempo: nosso treino estava aquém das exigências que as provas em montanha faziam de nossos corpos.

Assim, pouco tempo depois, resolvemos começar a treinar com a JVM Trail Run. Quer dizer, a Cris começou a treinar... eu, com meu andar "ponto e vírgula", não conseguia seguir à risca um só treino da minha planilha, e todo dia tinham que modificá-la pra mim.

Galera da JVM brincando onde mais gosta!

Disse a mim mesmo que iria parar para descansar um pouco, mas porém contudo no entanto todavia, adivinhe só, eu já estava inscrito para o Revezamento Bertioga-Maresias (18.05.13) e não podia deixar a equipe na mão, né!

Eu faria o trecho 6 (9,7km e com subidinha) e a Cris faria o trecho 5 (14km em areia dura, no plano). Do resto da equipe, eu só conhecia o Léo, que iria encarar a Serra.
Acontece que "alinhamento de pensamentos/mentes semelhantes se atraem/química/ou o nome que você quiser dar pra isso" é algo que ocorre mesmo, viu. A equipe se conheceu na véspera do revezamento (antes disso o único contato era por email/whatsapp) e o entrosamento foi instantâneo! O santo bateu e isso foi muito legal!

Como a equipe (Canas que Voam) não tinha espírito combativo-sanguenozóio-competitivo, fiquei mais à vontade de correr num ritmo menos forte, para não agravar ainda mais a lesão. 

A equipe foi passando PC a PC dentro do esboço que havia feito do tempo de cada um, e deu tudo certo. Ninguém teve de esperar horrores pelo companheiro pra trocar a pulseira ou coisa do tipo.


A Cris concluiu seu trecho de 14km em 1h28:48 (pace de 6:19), eu peguei a pulseira e saí correndo.
Meus 5 primeiros km eram relativamente planos e me mantive num ritmo confortável (+/- 5:10 min/km), então veio uma subida curta e íngreme, que eu ataquei sem dó (enquanto subia trotando, pensava "estou em casa!"), seguida de uma descida curta e grossa, na qual quis sentar a bota e acabei sentindo a famosa dor na lateral externa do joelho direito, de novo!
Mas como ainda faltavam quase 3km, assumi que a dor era minha amiga, abracei-a e a levei comigo até o próximo PC. 
Esses 3km finais, na praia, no plano, sem mudar a paisagem nunca, pareciam intermináveis... ficava pensando "imagina a Cris, que acabou de correr 14km nesse cenário imutável, que porre!" rsrs


Air Salonpas e eu: ninguém separa (sorte que a Cris não tem ciúmes!)

Canas que Voam e Apoio (Paulo, Fernanda, Milena, Ale, Ciro, Andressa, Léo, Carol, Cris, Eu, Carol e Gui)


Cheguei ao PC praticamente ao mesmo tempo que o Alê, que ia assumir dali em diante. Parei o cronômetro em 50min36 (pace médio de 5:13). Só esqueci de passar a pulseira do chip no tapete! =S

Enfim, encaramos o trânsito interminável até Maresias e chegamos em tempo de ver o Léo cruzando o pórtico. Todos felizes e sorridentes. Hora de consolidar a amizade recém formada com um belo churrasco (e muito gelo no meu joelho)!!