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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Relato: Mountain Do do Fim do Mundo - Ushuaia 21km

Depois da introdução ao relato, vamos ao relato em si:


Quase não tá frio! Bora meter várias camadas de roupa! rs
Todo pimpão e combinandinho, no maior EuroStyle

06 de abril de 2014, 9h40 da manhã, frio de rachar (só de respirar saía vapor pelo nariz! rs), o apito da locomotiva do Trem do Fim do Mundo soou anunciando a largada, o Locutor Maquininha gritou, os helicópteros deram rasante sobre nós e a prova começou!




Comecei lado a lado com a Cris e encaramos os metros iniciais (em subida) de forma bem conservadora e tentando assimilar que finalmente estávamos no Ushuaia e para correr 21km! O frio, as paisagens, os dois helicópteros dando rasantes sobre os corredores e filmando/fotografando, deixavam tudo meio que surreal, dando à prova uma cara de El Cruce de los Andes ou outra prova de grande porte.





Mantivemos um pace bem confortável nesse início e antes de completarmos 2km de prova pegamos uma subida um pouco mais longa e íngreme (embora não fosse estreita ou técnica) e acabamos nos separando, cada um adotando o seu ritmo de prova. Na sequência, o percurso teve uma leve descida e entrou novamente num estradão de terra batida, relativamente plano, rumo ao Parque Nacional Tierra del Fuego.



No caminho para a portaria do Parque encontrei o Ale, da JVM, e seguimos juntos por alguns quilômetros, cada um no seu ritmo e cada um preocupado com a sua lesão (rs), trocando algumas frases rápidas e ofegantes até que os percursos de 21km e 42km se separaram (no briefing disseram que isso ocorreria no km7, mas no meu Garmin mal havia passado dos 5km - meu cansaço dizia que já estávamos no km 18, mais ou menos! rs).




Nessa parte, os meia maratonistas viraram à direita, entrando numa trilha razoavelmente larga e em aclive (chamada de Pampa Alta), enquanto os maratonistas seguiram reto na estrada.
Ali a prova finalmente começou a ficar com cara de prova de montanha: trilhas, lama, charcos, aclives e bosques!



Passei pelo meio mesmo e nem tchuns...

Aproveitei que o povo estava caminhando na trilha em single track à minha frente e tirei a mochila de hidratação para poder retirar uma das jaquetas, pois, com medo do frio, eu acabei largando com 3 camadas de roupa (segunda pele de compressão e duas jaquetas corta-vento) e estava começando a passar 'calor'.

Saindo do bosque a vegetação passou a ser rasteira e o single track teve algumas dezenas de metros de 'mão dupla' (o que me assustou um pouco no início, pois vendo as pessoas vindo na "contramão" eu comecei a achar que eu tinha errado o caminho! É aquela coisa, né, cachorro picado de cobra tem medo de linguiça! rs).

Este foi o ponto mais bonito de todo o percurso, na minha opinião. Era possível ver montanhas com os picos nevados, cursos d'água, bosques com as folhas alaranjadas, enfim, lindo demais!

Quem liga pra dor quando se tem essa vista?!

Tá curtindo, Cris? Ôh!
Dali íamos até uma bandeirinha amarela, fazíamos o retorno e voltávamos alguns metros pela trilha que havíamos usado para subir - desviando dos corredores que vinham atrás -, até que um staff nos indicava uma nova trilha para descermos de volta à estrada.
Essa seria a parte mais gostosa da prova. A descida, embora com algumas raízes, era bem pouco técnica, com terreno macio e muito fácil de se correr.

Desci esse single track num grupinho de uns 4 corredores e em certo momento assumi a liderança do grupo. Nessa hora tive que redobrar a atenção para tentar seguir a trilha (marcada de tantos em tantos metros com um pequeno pedaço de madeira pintado de amarelo) e não me perder (e levar os outros comigo)! Maior responsabilidade! rsrs



Infelizmente, justamente nessa parte do percurso - a parte mais gostosa de toda a prova - eu comecei a sentir os efeitos da falta de preparo físico... Graças a todos os meses que passei em repouso e sem fazer o fortalecimento adequado, estava com as pernas bem fracas... sem os músculos para absorver o impacto das passadas na estrada dura e nas descidas saltando sobre troncos e raízes, comecei a sentir fortes dores nos joelhos e na região onde as bandas iliotibiais esquerda e direita pareciam raspar no osso.

O incômodo era tão grande que, assim que voltamos às estradas planas, não conseguia manter um ritmo constante de corrida. Meu pace caiu para algo em torno de 6:40/km no plano!!! Eu estava me arrastando! Todas as pessoas que eu havia ultrapassado ao longo da trilha começaram a me ultrapassar de volta... mas o pior mesmo eram as descidas. Eu não conseguia nem mesmo trotar ladeira abaixo... eu tinha que parar para caminhar nas descidas mais longas, pois tinha a impressão que meus joelhos iam travar... sensação horrível.




O percurso teve mais uma voltinha estilo out-and-back (ou vai e volta pelo mesmo caminho), num local bem bonito, margeando o Rio Pipo, e ainda cruzei com a Cris durante a volta!

O que é um pontinho verde limão na estrada do fim do mundo? A Cris! 


Minhas pernas começaram a ficar cada vez mais duras e pesadas e eu já estava considerando caminhar no plano (!!!) quando uma voz ao meu lado perguntou sobre a minha câmera. Respondi, perguntei sobre a câmera dele, emendamos um assunto no outro e, quando vi, já estava correndo ao lado dele por quase 3km, e em ritmo constante!
Não fosse o Márcio, do Paraná, eu teria sofrido bem mais para atravessar esses quilômetros finais da prova, com toda a certeza! Valeu pela força, amigo!

Papo vai, papo vem, até esqueci da dor por alguns quilômetros

Pois bem, corremos juntos até mais ou menos a placa do km 19 (que no meu Garmin dava mais ou menos 17km) e quando veio a última subida da prova nem o bate-papo mais animado conseguiu me distrair das dores que eu sentia na região dos joelhos. Agradeci ao Márcio pela companhia e disse a ele que ia ficar por ali mesmo. Comecei a alternar caminhada e trote curtinho e percebi que sentia menos dores se trotasse.
Do alto da ladeira já era possível ver a arena e a linha de chegada, bem como era possível escutar o Maquininha parabenizando todos os corredores que concluíam a prova. Faltava pouco!! Era só descer mais uns 400m e correr mais 1km em leve aclive!

Quem disse que eu consegui correr esses 400m em descida?! Tive que parar para andar... só quando voltei à estrada de terra em leve aclive é que consegui encaixar um trotinho novamente (na casa dos 7min/km! rs).
Eu estava com muita dor e, embora estivesse bastante grato por ter conseguido correr e ter aguentado o tranco até ali sem sentir dores na área das minhas lesões (tíbias), eu não estava mais me divertindo...

Cabeça baixa, cara de dor, sem nem olhar para o relógio... Calma, Gabriel, não precisa mais chorar. Agora acabou!

Cruzei a linha de chegada com bastante sofrimento e cara de choro! rs
Fui para a tenda do pós prova comer e beber alguma coisa e uns 6 minutos depois a Cris apareceu, igualmente com cara de choro! rsrs Se eu soubesse que estávamos tão perto um do outro, teria a aguardado para cruzarmos a linha de chegada juntos.




Claro que eu não fui para lá com expectativa de tempo ou performance. Dadas todas as condições, eu só esperava mesmo concluir a prova sem agravar minhas lesões. Mas quando a gente acaba de correr começam a aparecer na nossa cabeça diversas hipóteses ("se eu tivesse feito isso ou aquilo; se eu tivesse conseguido treinar; se eu tivesse feito um bom fortalecimento muscular; se; se; se;")... enfim, no final, a prova não foi nada técnica, teve muito pouca variação de altimetria (nem 400m de desnível positivo acumulado), teve estradas DEMAIS para uma prova de montanha e o público, de uma forma geral, não era composto por muitos Montanheiros - com "M" maiúsculo mesmo - já que muitas pessoas paravam para andar nas descidas que tinham raízes, ou para passar sobre os troncos e pedras ou mesmo para atravessar as pequenas partes onde havia lama... o que significa que "se bla bla bla bla" eu poderia ter ido muito melhor na prova e obtido uma posição melhor na classificação.

Mas, sinceramente, quem se importa?! O que importa é que fomos até o Fim do Mundo, corremos e sobrevivemos para contar a história!

Sofrendo, mas felizes!


De toda essa história que eu contei, vocês podem tirar três lições:

I - qualquer pessoa pode correr 21km, mesmo sem treino algum;

II - não é muito divertido correr 21km sem ter treinado para essa distância;

III - Como eu já havia dito no Guia Se Ela Corre Eu Corro de Sobrevivência em Trail Running, o bate-papo durante as provas tem um efeito anestésico muito importante! rs

É isso!
Agora é focar na recuperação (DE NOVO) e, se tudo der certo, começar a treinar para os próximos desafios.

Deu até calor! (e depois dessa foto eu peguei uma gripe da p#rr@! kkkk)

JVM representando nos 10, 21 e 42km do Mountain Do Fim do Mundo!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Vídeo: Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha - Pico do Urubu



Editamos um "pequeno" vídeo com cenas gravadas durante a etapa "Pico do Urubu" do Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha, ocorrida em 02.02.14.

O relato dessa prova está aqui!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Relato: Pico do Urubu - O seu limite nem sempre é você quem cria

Sabe aquela prova que não era pra você correr por uma série de fatores (falta de treinamento, lesão, falta de $$, etc., etc.) e você acaba se inscrevendo mesmo assim e por apenas um fator (empolgação)? Pois é, o Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha - Etapa Pico do Urubu, da Ritmo Certo, foi assim.

Não tínhamos a pretensão de correr tão cedo esse ano, já que ainda estamos no período de base de nosso treinamento e voltando de férias (e eu ainda lesionado). Ocorre que alguns amigos haviam dito que iam correr essa prova, a gente se empolgou, fez as inscrições para correr 10km e quando viu os "modafocas" tinham desencanado de participar! rs

Aproveitamos e chamamos mais um casal de amigos que tinha vontade de estrear em montanha e formamos nosso "bonde" para a conquista do Pico do Urubu, sob o lema de "O seu limite é você quem cria" (bordão da organização).

Nós e os estreantes, prontos para a largada!
O calor e o tempo seco estavam castigando a região já há algum tempo, então dava pra imaginar que a prova não seria nenhum algodão doce.

A largada foi dividida em 3, para evitar o congestionamento na saída do Sítio do Simei - onde a prova iria iniciar e terminar, e às 8h30 largaram os atletas dos 21km, às 8h45 os dos 10km e às 9h00 saíram os corredores dos 5km - modalidade escolhida pelos nossos amigos para estrear nas montanhas.

Resolvi aproveitar a prova para testar minhas recentes aquisições em condições reais: Pearl Izumi Trail N2 e colete de hidratação da Ultimate Direction modelo AK Race Vest. Esse colete tem como padrão duas garrafas de ~600ml, mas como a prova teria apenas 10km e a organização oferece água no percurso, resolvi colocar duas garrafas de ~300ml nos bolsos, para reduzir o peso.

Eu havia estudado o percurso e a altimetria divulgados ao longo da semana e tentei bolar uma estratégia para não ficar preso no congestionamento quando começasse a parte de single track (apesar de não ser possível saber onde era estrada e onde era trilha só de olhar no mapa do percurso...rs). Em todo caso, eu vi que seriam aproximadamente 7,5km de subidas graduais e 2,5km de descida até perto da linha de chegada  - chegada essa que por puro sadismo ficava no alto de uma subida, dentro do sítio.

Percurso e Altimetria ""oficiais"" para os ""10km""
O grande Locutor Maquininha anunciou a largada, dei meu selinho de boa prova na Cris e lá fomos nós.
Eu, sem ritmo e sem condicionamento como estava, fui no "devagar e sempre" até a primeira subida, onde reduzi o comprimento das passadas e continuei meu trote leve.




O calor já estava insuportável. Desde a primeira subida senti necessidade de tomar água das minhas garrafinhas. O lado bom é que naquele momento eu não estava sentindo dores nas tíbias, então pensei que se conseguisse manter aquele ritmo por 10km, as dores não iriam me incomodar.



Continuamos subindo, subindo e subindo e, de tempos em tempos, passávamos por bifurcações com placas indicando 21km para a esquerda e 10km para a direita, sempre com um ou dois staffs por perto.
Eu, que adoro subidas, já estava um pouco de saco cheio de tanto subir - principalmente por causa da minha falta de condicionamento. Finalmente saímos da estrada de terra e viramos à esquerda num single-às-vezes-double track em declive acentuado, com uma bela vista.


Essa descida durou uns 3 minutos e fui bem na maciota, para evitar impactos muito fortes.
Ao longo do caminho passamos por eucaliptos cortados e empilhados nos dois lados da trilha, passamos por um single track em meio a raízes, galhos e folhas secas, no estilo switchback (ou zig-zag) e em aclive.



Saímos dali e nos deparamos com uma ladeira em concreto, bem acentuada, onde a única forma de locomoção era a caminhada.


Pouco tempo depois, comecei a reparar que algumas imagens pareciam repetidas... aquela sensação de deja vu, sabe? Ainda assim, desliguei o meu sensor-É-Cilada-Bino e prossegui adiante.

Respira, respira, senão o coração salta pela boca! rs

Após uma descida relativamente longa, iniciamos nova subida... na minha cabeça, naquela altura da prova não era mais para ter tanta subida... mas como eu estava o tempo todo seguindo as orientações dos staffs e as placas dos 10km, deixei a inquietação de lado e foquei minhas energias em reclamar mentalmente do calor, da minha ideia tonta de correr sem estar preparado, na minha água que estava acabando e por aí vai.

Entrei novamente num single track e me deparei com o Nelson, que treina comigo e foi para a prova apenas caminhar, já que havia feito uma cirurgia nos joelhos... ele virou para mim e disse "Ué, o que você tá fazendo aqui, Gabriel?? Eu estou caminhando e estou na sua frente? Você pegou o caminho certo??". Aí sim eu fiquei cabreiro. Dali para a frente, comecei a encontrar muitas e muitas pessoas caminhando ou trotando devagar à minha frente. Não era possível que essas pessoas estivessem na minha frente. Não fazia sentido.

Mas eu tinha certeza absoluta que havia seguido todas as placas e orientações dos staffs e não havia tomado o caminho errado... Finalmente saí da trilha e encontrei um staff... bem naquela ladeira de concreto! Perguntei pra ele quanto faltava para acabar e ele me olhou com cara de ponto de interrogação... pedi água e ele disse que não tinha mais. Na minha garrafa faltava uns 100ml de água... Nisso, uma das corredoras ouviu minhas perguntas e deve ter visto minha cara de pânico e disse que quem corria 10km teria que dar duas voltas numa parte do percurso. Apesar de não fazer muito sentido, lembrei de ter visto uns loops no mapa do percurso antes de sair de casa e tentei me apegar a isso. Só que meu GPS já estava marcando 9km nesse momento, e eu ainda estava subindo!!!

Na altura do km 11 eu encontrei mais dois corredores dos 10km com cara de quem tinha acabado de perceber que tinha dado duas voltas no mesmo trecho e um staff com cara de "o que é que eu estou fazendo aqui" e que não sabia responder nenhuma pergunta. Ao invés de sair da pista de terra e entrar na trilha onde o staff estava postado - o que implicaria em dar 3 voltas no mesmo trecho - resolvemos seguir na pista de terra ladeira abaixo, decisão que se mostrou acertada.

Aí minha água acabou, o calor só aumentava, o ânimo foi pro saco e a vontade era de abandonar tudo ali mesmo. Eu não estava preparado para correr nem 10 km, quanto mais a distância final X que teríamos que correr até voltar ao sítio!

Nesse ponto descobri como a nossa mente tem poder sobre nosso corpo. Eu estava cansado, com sede e sofrendo com a falta de condicionamento físico desde o início, mas havia me proposto a correr 10km e faria isso de qualquer forma.
Quando caiu a ficha caiu de que eu havia corrido uma volta a mais e que não sabia quanto mais teria de correr até o final, e de que estava sem água, bom, minha cabeça começou a me mandar mensagens do tipo "meu, desencana... pra quê isso?! você tá machucado, cansado, sem água, não treinou, não vai mais conseguir alcançar ninguém... você nem sabe quanto falta pra acabar! Pra que ter pressa?". Tentei ignorar essas mensagens, mas não tive sucesso. Comecei a andar... NO PLANO!

A sensação era um misto de derrota com "fui feito de otário". O problema é que eu estava com MUITA sede e se eu seguisse andando, poderia levar mais 40 minutos pra terminar! Eu não ia aguentar. Comecei a me xingar por ter feito a inscrição por puro e simples oba-oba e, principalmente, por ter deixado minhas garrafas de 600ml em casa e trazido as de 300ml! PQP... eu TINHA que continuar trotando pra acabar logo essa joça.

Descida? Ok, dá pra correr um pouco... principalmente depois de ter visto o fotógrafo! rs

Então cheguei num ponto onde identifiquei a estrada que levava ao sítio. Nesse ponto deveria faltar ainda um quilômetro para o fim. Finalmente encontrei um posto de hidratação abastecido (mas não muito, pois ouvi uma menina dizer que ela só tinha mais 3 copos d'água), matei meu copo em dois goles - mais babei do que bebi - e segui em frente... caminhando! Minha mente havia vencido e eu já estava falando em voz alta "correr pra quê? é melhor ir andando". Nesse aspecto, o bordão da organização estava certo... foi minha mente que criou o meu limite ali - isso se desconsiderarmos que minha mente vinha muito bem até me mandarem pro lugar errado.

A uns 300m do final havia um botecão. Faltou pouco, mas muito pouco para eu entrar lá e pedir uma cerveja... muito pouco mesmo! Mas segui caminhando e de vez em quando trotando... passei andando pela porteira do sítio e, de cabeça baixa, iniciei a última subida até o pórtico de chegada - só não coloquei as mãos nos bolsos porque eu não tinha bolsos. Nem os gritos do Maquininha, que sempre me empolgam, foram capazes de me tirar da caminhada.

Cruzei o pórtico com 1h48:19 e encontrei a Cris, com cara de desesperada, com medo de que eu tivesse me machucado e estivesse caído no meio do mato esperando por socorro rs... Afinal, ela está acostumada a me ver esperando por ela do outro lado da linha de chegada, e não o contrário. Fiquei bastante aliviado por ela já estar lá, e não ter se perdido também. Ela fechou o percurso (11km, e não 10) em 1h40:50.

Cris prestes a cruzar a chegada

Não sei se alguém tirou foto, mas gostaria de ver minha cara ao terminar essa prova. As pessoas com quem conversei disseram que eu estava transtornado, puto da vida, com cara de quem ia explodir.

No total, os 10km se tornaram 14,2km.
O problema não está nos meros 4,2km a mais (42% a mais). Já corri distâncias maiores que essa e tudo foi bem. A questão é que eu havia me inscrito para 10km, havia corrido pensando em 10km, havia levado água e carboidrato para 10km... quando o GPS marcou 7km e a gente começou a descer, eu sentei a bota pensando que dali para o final seria só descida!!!

Agora compare com o percurso oficial e veja que a parte que tive de fazer duas vezes era justamente a parte mais tensa!

Eu entendo que infortúnios com staff podem acontecer em qualquer prova (seja no Brasil ou no exterior), mas isso poderia ser evitado com algumas placas a mais (ou com staff melhor treinado).

A organização ainda atuou para minimizar o impacto negativo e apaziguar os ânimos exaltados dos corredores que "foram perdidos" - pois eu não me perdi, eu fui induzido a me perder! - e criou na hora uma premiação para a categoria 15km, apenas para os 3 primeiros colocados masculino e feminino (o que agradou somente esses 6 corredores... mas, convenhamos, não tinha muito mais a ser feito).

Como nem tudo são espinhos no Pico do Urubu, deixe-me falar do ponto alto do domingo: a banquinha vendendo churrasquinho com cerveja e ducha/piscina liberadas para o público!

Só uma piscininha pra lavar a alma e tirar a zica mesmo!
Além disso, claro que aproveitamos a oportunidade para socializar com os amigos de outras temporadas e competições e para fazer novos amigos. Afinal, essa é uma das razões de participarmos de tantas provas.

Socializando com o casal louco - que a gente só conhecia da internet! rs
Para finalizar, deixo aqui meus parabéns pra Milena e para o Alê, que agora estão iniciados nos mistérios das montanhas e mandaram muito bem nos 5km!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Relato: A primeira vez a gente não esquece - Desafio em Montanha Campos do Jordão

Uma das coisas que mais gosto nas corridas em montanha  - é bem difícil dizer o que gosto mais - é a possibilidade de aliar turismo e esporte.

A prova seria no dia 11/05, véspera de dia das mães, mas como minha mãe estava viajando, não tive conflito de agenda!

Sexta feira à noite subimos para Campos do Jordão, Cris, Shigueo (meu sogro) e eu.

Nosso hotel ficava duas quadras distante do local escolhido pela Ritmo Certo para a largada do Desafio em Montanha Campos de Jordão 2013. E bota desafio nisso! Aliás, desafio e desafRio! 
Acordamos mais cedo para retirar os kits e a grama estava esbranquiçada. O termômetro marcava parcos 3ºC!



A temperatura foi aumentando gradualmente e, por volta das 9h30, horário da largada, o termômetro já marcava agradáveis 11ºC.


O desafio compreendia 3 provas: 10km, 21km e 42km. 
Tiro meu chapéu para quem correu os 21km e 42km, pois o percurso dessas provas envolvia subir e descer os Picos do Diamante e do Itapeva. Fácil, hein!

Bom, desde a prova de São Sebastião, quando machuquei a perna, havia tentado treinar uma só vez, e a dor não me permitiu trotar nem por 5km... maaaasss, como já estava inscrito pra prova dos 10km besuntei meu joelho de Air Salonpas (pareço garoto propaganda, né?), engoli o choro e encarei o desafio de frente.



Na hora da largada, Cris e eu trocamos nosso habitual selinho de boa sorte, sorrimos para a câmera do Shigueo - que estava nos 'tietando' rs - e sebo nas canelas, cada um no seu ritmo.



A corrida já começava em aclive, e o coração foi à boca! O frequencímetro marcava 187 bpm (o máximo que já havia marcado tinha sido 184 bpm durante o teste de esforço ergométrico!). Intercalei a corrida com caminhadas eficientes (pra poupar as pernas, o pulmão e o coração) e ainda assim o frequencímetro acusava 178 bpm (enquanto minha frequência de caminhada costuma ser 155 +/-). Em determinado momento percebi que olhar para os batimentos estava me deixando mais nervoso e coloquei o Polar (FT1) pra mostrar só o cronômetro mesmo.

Até aquela data, não me lembro de ter andado tanto numa prova! 
O gráfico altimétrico mostra uma 'montanha russa' com três aclives e três declives principais, mas não conseguia recuperar nas ladeiras o tempo perdido caminhando, pois eram justamente as descidas que me agrediam mais.



E durante todo esse tempo eu estava preocupado com a Cris, já que os batimentos dela em repouso já são extremamente altos. Ficava com medo de ela passar mal, sozinha, no meio do nada...

E assim, em um momento preocupado com meu joelho, no outro preocupado com a Cris, e nos intervalos apreciando a paisagem que aquele belo dia de sol proporcionou, passaram-se os 10km.

Nos metros finais era possível ouvir a empolgante locução do Maquininha ("dói tuuuuuddoooo nessa hora"), anunciando cada corredor pelo nome e sobrenome.



Parei o cronômetro, que marcava 1h08:37, me alonguei, tomei água e fui pra tenda do Kleber e da Leda, da Ecoclub, onde meu sogro nos aguardava. Sentei no banquinho e coloquei gelo no joelho enquanto aguardava a Cris. Pude respirar aliviado quando, 20 min depois, a Cris cruzou a linha de chegada sorrindo (e mostrando um arranhão na perna, fruto de um tombo).



Ficamos conversando ali na tenda e algum tempo depois chegou o Kleber, que havia corrido os 21km (cuja largada foi mais cedo). Continuamos ali, trocando figurinhas enquanto a cerimônia de premiação acontecia e, de repente, não mais que de repente, ouço meu nome!




Surpresa: fiquei em terceiro lugar na faixa etária de 18 a 29 anos! Meu primeiro pódio! Felicidade indescritível! Se eu já estava feliz em terminar a prova sem quebrar, imagine subir ao pódio!

Ainda tentei confirmar se não tinha ouvido errado e o Maquininha chamou meu nome novamente. Subi a escada até o pódio ainda meio tremendo de excitação e incredulidade! rs

3º? Confirma produção?"


Nessa prova, estreei meu Fuji Attack, mais robusto e melhor amortecido que o Racer, e já o coloquei na minha lista de itens da sorte! rs

Como a prova acabou no sábado pela manhã, ainda tivemos 1 dia e meio de passeio em Campos (pro Shigueo não reclamar que chamamos ele para um programa de índio! rs).

E Maquininha estava certo... dói, dói tudo nessa hora (e principalmente nas 48h seguintes!).