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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Entorse de Tornozelo - Grau III

Finalmente criei coragem pra escrever sobre esse assunto. Depois que (quase) tudo passa e você aprende um milhão de coisas é que consegue falar racionalmente sobre isso.

No dia 22 de março, corri a etapa Curtlo de Paranapiacaba (veja o vídeo aqui) e garanti o 3º lugar na faixa etária. 


Na semana seguinte, me inscrevi às pressas pra Igarata23k, que aconteceu no dia 30 de março, mais como um desafio pessoal do que por resultado.

Em abril, a prova alvo do 1º semestre, no Ushuaia, aconteceu no dia 06, e finalizei-a com dores nos iliotibiais e os posteriores quase travando em cãibra.

Voltando do Ushuaia, retornei aos treinos normais na JVM depois de 3 provas em finais de semana seguidos.

No entanto, no dia 17 de abril, no início do treino, ainda no aquecimento/educativos na grama, meu pé esquerdo virou pra dentro, ouvi um TEC e, de dor, fui de joelhos ao chão. Não conseguia me mexer, e tinha a impressão de que qualquer movimento que fizesse, pioraria a dor. Fiquei naquela posição ingrata, com o pé esquerdo erguido pra trás, gritando de dor, até que os colegas perceberam que aquilo não era uma brincadeira e que a coisa foi séria e vieram me ajudar.

Chorei, gritei, não queria deixar ninguém encostar no meu pé, mas não conseguia fazer nada, no máximo virei de barriga pra cima e nem deitar no colchonete - que o Foca and Friends gentilmente cedeu - eu conseguia. Fiquei com as costas pinicando na grama mesmo.

Todos os amigos queriam me ajudar de alguma forma. O Virginio tirou meu tênis e meia e pegou a bike de um amigo pra chamar a ambulância, enquanto isso jogaram água gelada no meu tornozelo, uma amiga ajoelhada atrás de mim apoiava minha cabeça nas suas pernas, o Jacson mantinha conversa comigo pra tentar me acalmar, outra amiga ligava no hospital pra saber se atendia meu convênio, uma outra foi até a Run and Fun e conseguiu gelo. O Rogério do AdrianoBastos ajudou a me carregar do chão pro banco e me senti muito bem amparada. Em certos momentos a galera simplesmente se une.

A ambulância do HU me atendeu, imobilizou minha perna da coxa até o pé e, para que eu pudesse ser levada para um hospital que atendesse meu convênio, tive que preencher e assinar a recusa de atendimento para o HU, pois, segundo a socorrista, a espera naquele hospital era de 6 horas naquele momento.

O Jacson me levou até o hospital mais próximo que atendesse o meu convênio e a Juliana esteve junto comigo o tempo todo.


No carro do Jacson
Na sala de espera do PS
Enquanto isso o Virginio ligava para o Gabriel em casa (que não estava treinando por conta das dores pós Ushuaia) e avisou que eu tinha torcido o tornozelo e que já estavam me levando pro hospital.
Adivinha se na cabeça dele não passou “deve ter sido mais grave, se ela foi atropelada, claro que só vão dizer que ela torceu o tornozelo...”

Depois de o raio x mostrar que tava tudo inteirinho, restou imobilizar e voltar pra casa. O Gabriel já estava na sala de espera do hospital me aguardando. Véspera de feriado prolongado de Páscoa e eu de molho. :/

Juliana na saída do PS comigo.
É, isso no pé não foi legal...
Ainda teve mais uns vai-e-vem pro trabalho, atestado médico do meu ortopedista, laudo de ressonância magnética e então a empresa decidiu que o mais prudente seria eu me afastar do trabalho pelo INSS. 


Tentativa de trabalhar
E como consequência, o inchaço
A lesão foi caracterizada como entorse de tornozelo de eversão e o laudo da RM mostrou uma rotura completa do ligamento talofibular anterior. Resumindo, entorse de tornozelo grau III.

Fiquei 3 meses em casa. O primeiro mês sem andar. Ia da cama pro sofá-cama na sala e vice-versa. 
Me deslocava o mínimo possível e somente com uso do robofoot. 


Sofá-cama virou habitat natural
Só ia pro banho depois que o Gabriel chegava em casa pra me socorrer de um eventual escorregão. Passei a comer mal pra não ter que ficar em pé cozinhando, tomava pouco líquido pra adiar a ida ao banheiro, assisti tv aos montes. Filmes bons, ruins, pela metade, repetidos, bobos, desenhos e afins.

Lesionei no dia 17/04 e iniciei as sessões de fisioterapia no dia 12/05. Foram 30 sessões de fisioterapia (intensivas, na minha cabeça) às segundas, quartas e sextas feiras. Só perdi duas sessões por causa dos jogos do Brasil e a terceira porque o ortopedista atrasou o atendimento e não deu tempo de chegar na fisio.

As primeiras sessões foram muito chatas. Só analgesia, alongamento com muita dor, passava mais de uma hora praticamente deitada. 


Crioterapia (gelo)
Muito alongamento
Infravermelho
Tens 
Algumas sessões depois, já estava fazendo fortalecimento de tibial e panturrilha, sentada, com faixas elásticas, mas sentia que aquilo tudo ia demorar muito...



No dia 26/maio o ortopedista me liberou do martírio do robofoot e passei a usar uma tala, chamada de aircast, que eu poderia usar com calçado normal. Apelidei-a carinhosamente de ‘esgarça tênis’.


Aircast esgarçando meu Fuji Racer
A partir dessa semana eu finalmente comecei a enxergar uma luz no fim do túnel, pois o tempo de recuperação de uma lesão desse tipo leva por volta de 4 a 6 meses.

Neste momento eu comecei a cogitar passar pra frente algumas inscrições de provas que já tinha pago. A sorte é que foi bem fácil de conseguir isso e a melhor parte é que foi pra amigos, onde pude compartilhar de alguns momentos (Desafio 28 Praias) e da Golden Four que, uma semana antes da prova, parecia ingresso pra jogo da Copa, a procura tava infinitamente maior do que a oferta!

E então, após a liberação do robofoot, voltei ao trabalho, passei a fazer mais fisioterapia motora (vídeo aqui), MUITO exercício de equilíbrio e propriocepção e fui sentindo a melhora gradativa (vídeo do antes e depois). 

Até que chegou o dia de subir na esteira pra correr (leia-se: trotar) pela primeira vez. Estava ansiosa, mas muito apreensiva.
Já estava fazendo caminhadas na esteira, porém, até então, nada de acelerar a velocidade!

Subi na esteira e o Felipe (da Reaction Fit - excelente profissional, diga-se de passagem - Instagram dele) foi acelerando a esteira de uma maneira bem gradativa. Fui andando cada vez mais rápido, mas com medo de soltar o trote. No momento em que soltei o trote e ele pediu pra ficar ao menos 30 segundos no trote, fui sentindo a dor do tornozelo irradiando pro restante do pé e, sim, chorei de dor. Pedi pra parar porque eu não ia aguentar.

O processo foi chato, porém, após mais uns minutos de caminhadinha, mais 30 segundos de trote. Num semi-choro cumpri o programado achando que demoraria uma eternidade para correr novamente...

A partir de então as próximas sessões foram mais tranquilas, com menos insegurança e mais esperança! Passei a realizar os exercícios e trotinhos (vídeo do trote) com menos dificuldade.

A prova alvo do 2º semestre (Bombinhas) estava se aproximando! Passei a trotar por mais tempo, recuperando também, gradativamente, o cardiorrespiratório.


Além de todo o processo andar/caminhar/trotar, eu ainda sentia dificuldades em articular o pé pra baixo e pra cima. Basicamente eu não conseguia subir e descer escadas confortavelmente.


Fui então fazendo exercícios de simulação de escadas incluindo instabilidade (vídeo aqui).


O próximo passo foi o deslocamento lateral e saltinhos (vídeo aqui).


E finalmente eu consegui trotar com pouca dificuldade (vídeo aqui)!


A dor ainda me acompanha (ainda mais pós-Bombinhas), mas faz parte da recuperação e um dia ela vai me largar, garante o fisioterapeuta.



Queria passar aqui um pouco do infortúnio que é uma lesão grave, principalmente pra quem treina regularmente. A endorfina some, surge uma insatisfação, decepção, sentimento de invalidez (principalmente por depender de outra pessoa pra tanta coisa), falta de esperança, quase depressão. O bom humor vai embora e a paciência também.

Depois de a lesão acontecer comigo, entendi a importância de não pular etapas, não acumular distâncias nunca antes testadas com frequência, de respeitar os sinais que o corpo nos mostra.

Entendi também que, SIM, eu consigo terminar uma meia maratona na semana que vem, mas que o meu corpo NÃO está preparado pra isso.

Um outro fator importantíssimo pra quem pratica corrida (ainda mais corridas de montanha em que há irregularidade de terreno) é o fortalecimento muscular. Você garante melhor rendimento e, principalmente, reduz as chances de se lesionar. Hoje eu percebo que se tivesse feito o fortalecimento do tornozelo com exercícios de equilíbrio e propriocepção, nada disso teria acontecido, ou teria, porém, com menor gravidade.


Respeite seu corpo, respeite suas dores, vá ao médico quando sentir qualquer desconforto. Não espere acontecer com você também!! Fica a dica!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Relato: Indomit Bombinhas 2x21km - O retorno do casal na prova Indomável! - Por ELA

Indomit Bombinhas: Uma prova desafiadora e almejada por nós, montanheiros, e sempre com muita história pra contar! 

A inscrição pra essa prova foi feita em Fevereiro desse ano, 6 meses antes da data da corrida.
O que deixou a prova ainda mais desafiadora foi o que aconteceu nesse intervalo de 6 meses: o rompimento do ligamento do tornozelo que sofri em um treino semanal.

A apreensão era muito grande. Mesmo com todas as sessões de fisioterapia e fortalecimento contínuo do tornozelo e entorno, a insegurança era muito grande. Foram 3 meses e meio sem treinar NADA e nos 15 dias que antecederam a prova, fiz alguns trotinhos paquera, em terreno regular e de baixo impacto.

Uma semana antes da prova começaram os avisos via email da organização Indomit, a contagem regressiva via página Bombinhas Runners no Facebook e a preparação do que deveria por na mala pra usar na prova foram me deixando ansiosa.

Na sexta feira a ansiedade já não cabia em mim!! Rsrs
Entrei no trabalho mais cedo pra poder sair mais cedo. Calculei 2h da Vila Olímpia até o Aeroporto e arrisquei usar o caminho do Waze pra evitar os piores trechos, porém, parecia que algo bloqueava meu caminho. A cada curva, a cada rua que entrava, parecia que estava pior, parecia o trânsito do dia do primeiro jogo da copa e, pra melhorar, o rádio informava que havia mais de 700km de congestionamento registrados...

O Gabriel também saiu do trabalho mais cedo e foi de Airport Bus Service. Fomos nos comunicando e o trajeto do ônibus também não estava fácil, porém conseguiu chegar primeiro que eu. SORTE! Ele fez o check in no totem de autoatendimento e, 2h30 depois de sair do trabalho, consegui estacionar no Edifício Garagem do Aeroporto Internacional de Guarulhos. 


Nosso voo estava marcado para decolagem às 20h55. As malas estavam no carro (somente bagagem de mão!), peguei um carrinho e fui correndo (literalmente!) pelos corredores de acesso ao terminal!!
Na entrada do terminal dei de cara com o Gabriel me esperando com um pão de batata salvador! Foi só o tempo de parar no pit stop e correr pro portão de embarque que, quase que imediatamente, já abriu, mas a aventura não acabou aí!

Após uns 50 minutos de voo, o comandante avisa que devido ao mau tempo, teto baixo e vento de cauda, não seria possível pousar e que esperaria alguns minutos sobrevoando a área. Meia hora depois o aviso de que não houve condições de pousar e a alternativa seria o Aeroporto Internacional de Curitiba e, se as condições não permitissem, voltaria para Guarulhos: PÂNICO!

Por sorte deu certo pousar em Curitiba. Enquanto os passageiros se dirigiam pro guichê da Gol por conta da hospedagem até a manhã seguinte, a gente correu pro Guichê da Localiza porque a gente TINHA que estar em Bombinhas até às 7h do sábado!

E lá fomos nós, debaixo de chuva durante as mais de 3 horas de viagem até Bombinhas, comendo umas bobagens que levei na bolsa por precaução. Mas chegamos!
Fomos deitar umas 4h da manhã e sem jantar!

Às 6h já estávamos em pé, nos paramentando para o grande desafio do dia: Terminar a prova!
Com largada marcada para as 8h da manhã, nos encontramos com o pessoal da JVM que já estava por lá posando pra fotos, nos alinhamos para a largada, a contagem regressiva começou e orei em pensamento pra que Deus me desse condições de encerrar o meu trecho.

Larguei bem tranquila. Percebi uma galeeera me passando, mas nem dei bola porque meu objetivo era terminar inteira.

Valendo!

Os primeiros 5 km foram dentro da cidade, subida e descida em paralelepípedo, curto trecho de praia com areia levemente fofa, asfalto e estrada de terra. 







(colega maratonista ainda se ofereceu pra 
tirar foto minha com a GoPro!)
Nesse trecho eu ainda implorava pro advil que tomei no desjejum fazer efeito logo, porque estava sentindo o tornozelo e ainda tinha muito chão pela frente! Nos trechos corríveis, mantive o trotinho paquera bem confortável que abandonei assim que começou a subida. Forte e com pedras soltas.





Chegando na camaradagem lá em cima, sorrindo pra foto!
Trotava no plano, andava nas subidas e tentava recuperar nas descidas. Apesar de estar insegura quanto ao tornozelo, senti que ele tava ‘pronto’ pra descida no estilo ‘nóis capota mas num breca’. Mesmo a trilha estando muito escorregadia, tentei ao máximo ganhar tempo nesses trechos e finalmente me senti ‘em casa’ de novo! Eu tava de volta, ali, no meio do mato, fazendo o que adoro!! Cheguei até a torcer o pé lesionado, mas o trabalho de fortalecimento foi tão bom que nem doeu!


'Nóis capota mas num breca'

Um pouco adiante avistei uma placa "Aprecie, Vale a pena". Pensei: 'o que tenho a perder se parar por 5 minutinhos??'. Realmente valeu a pena, o visual é lindo!!


Novamente o mesmo colega se ofereceu
pra tirar foto! Obrigada amigo!
Aproximadamente no km 11,5 vi um rapaz deitado no chão e um outro fazendo companhia. Na tentativa de ajudar, perguntei o que havia acontecido, se estava machucado ou desidratado. Aparentemente foi uma torção no tornozelo e o colega com quem conversei durante alguns trechos (o que tirou umas fotos minhas com a GoPro) ofereceu spray anti-inflamatório, como não podia ajudar, só me certifiquei de que já haviam pedido resgate para a organização e continuei. (Dias depois soube que ele teve que ser levado de helicóptero pra Florianópolis)


Daí pra frente a trilha tava ainda mais escorregadia. Já quase não havia trecho 'sujo' pra pisar, era torcer pro grip dar conta do recado e mandar ver sem medo de ser feliz!!










Lá pro km 15 saí numa praia. Era só um posto de abastecimento e isotônico, mas essa parte me deu uma emoção muito grande, agradeci por estar passando por ali, por poder apreciar a beleza do lugar, de ‘já ‘ estar no km 15 e estar me sentindo bem e até então estava dentro do objetivo, não fazer o trecho ‘morrendo’! Até registrei o momento num selfie borrado de água da chuva! Rs, eu realmente estava muito feliz!!


Olha a cara de feliz! :)
Lá pro km 17, saí em outra praia, de areia dura, confortável, porém minhas pernas estavam me dizendo que queriam parar, estavam dando sinais de fadiga e quase tive cãibras, o que só não aconteceu porque dei algumas pausas rápidas para alongar panturrilhas e posteriores.

Cansadona...
Dali em diante, só praia. Visual lindo e muita gratidão por estar ali.

...mas bora lá...


...que ainda dá pra soltar um sorriso!




No trotinho paquera!
Um píer! Tá chegando?
A cada momento que sentia as pernas pedindo pra parar, ativava o psicológico e dizia em voz baixa: ‘quem é que manda aqui? Sou eu que mando, perninhas, vambora que vocês conseguem!’. Por 3,5km repetia o ‘mantra’ e em alguns momentos eu caminhava, então aproveitei pra comer uma bananinha e logo voltava a trotar. O ritmo tava bem suave, quase uma caminhada rápida, mas eu queria me manter trotando, afinal era eu que mandava ali!!

Depois do Píer, o trecho de praia tinha um desvio bem curto pela rua e depois voltava pra praia.



Vamos perninhas, vocês aguentam!!
Ali era o trecho final do revezamento, mas como não conseguia enxergar o pórtico e não queria me pressionar, deixei a cabeça e as pernas me levarem num ritmo suave.
Ao ver o pórtico liguei a câmera e comecei a procurar o Gabriel. Ele estava bastante preocupado comigo e ficou feliz quando cheguei com cara de cansada, mas sem aspecto de sofrimento. Eu havia conseguido atingir meu objetivo e então começava ali o objetivo dele: concluir a segunda perna! Trocamos a bateria da GoPro e alertei: cuidado, o percurso está muito escorregadio!


Cheguei em 3h22!
Após voltar pra pousada, tomar um banho quente e colocar roupas secas, fui ao pórtico de chegada aguardar por ele, também preocupada, afinal os dois foram destreinados e fomos literalmente dos 5 aos 21km em uma semana.
Quando ele chegou, o relógio do pórtico marcava 6h15, registrei o momento e fui ao seu encontro (relato dele aqui)!
VENCEMOS nosso desafio! E nem fomos os últimos a chegar! Das 20 duplas mistas da nossa faixa etária, chegamos em 10º lugar! Sucesso!

Depois foi só relax, almoço, cochilo, festinha Indomit e cama! Ufa!

Indomit Fest


Na manhã seguinte uma pisadinha na areia (dessa vez sem tênis!) só pra não dizer que não fomos à praia!
Deixei a água bater nas pernas e agradeci novamente por aquele momento. Apesar de tudo, valeu muito a pena!

Gratidão

E então começou o perrengue da volta, porque chegar ao aeroporto em cima do horário do embarque foi marca registrada dessa viagem!

O bate e volta mais demorado e caro da vida!! Ainda bem que existe cartão de crédito e parcelamento em várias suaves prestações!!
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