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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Relato: Corrida dos Eucaliptos 2015 #ForçaRenato

Voltamos à nossa programação normal! rs

Esse final de semana retornamos às provas, após um hiato de mais de 4 meses desde a última competição.

A prova escolhida foi a Corrida dos Eucaliptos, organizada pela ZBRClama, do nosso amigo Renato Cavallieri.

Percursos e altimetria
A proposta era simples: madrugar no domingão, pegar a estrada por 1h30 até Santa Branca e sentar o sarrafo nas estradas de terra da Fazenda Santa Branca. rsrs

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Relato: KTR 16km - The Good, The Bad and The Ugly



Em 2014, quando surgiu a KTR - Kailash Trail Run - em Passa Quatro/MG, vimos as fotos e os vídeos publicados e ficamos encantados. Uma prova em alta montanha (para os padrões brasucas), tendo como cenário a belíssima Serra Fina, tinha tudo para dar certo.

No entanto, os relatos que lemos e as conversas que tivemos com quem enfrentou o desafio de correr a KTR em 2014 fizeram com que decidíssemos não corrê-la em 2015, pois quando as inscrições começaram nós ainda estávamos no estaleiro em trabalho de recuperação de lesões.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Relato: Trail Adventure Chile 2015 - Torres del Paine

Após a introdução, é hora de fazer o relato da prova!

Acordamos um pouco mais tarde do que estávamos acostumados (a largada da prova seria às 10h), nos trocamos e fomos tomar café da manhã. Dava para ver que o tempo estava mais frio que os dias anteriores, mas pelo menos não havia sinal de chuva (apesar da previsão do tempo nesse sentido).

Melhor que isso, não havia vento algum! No dia anterior havíamos feito um passeio de barco e pegamos um vento muito, muito forte! Ficamos preocupados, já que essa região é bastante conhecida por seus ventos (que chegam a ultrapassar os 100km/h).

Às 9h45 fomos para o pórtico aguardar a largada daTrail Adventure Chile. Deixamos para largar lá atrás, junto com o Nishi - que iria encarar os 50km (aliás, rolou até uma mini entrevista antes da largada).


Preocupado, eu?!
Precisamente às 10h soou a buzina e lá fomos nós, rumo ao desconhecido. A apreensão era grande... como disse antes, jamais havíamos corrido tanto (25km) e nem com tanto acúmulo de altimetria (>900m D+). Fora isso, nos nossos treinos nem chegamos a correr 15km direto, então a perspectiva de encarar 25km assustava um pouco.




O pessoal largou bem "quente" e nós ficamos lá pra trás...rs
Aos poucos resolvi apertar o passo e fui buscando algumas posições, sempre evitando me desgastar muito, sempre repetindo para mim mesmo que ainda havia muito chão a percorrer.

No número de peito havia um gráfico da altimetria do percurso e era possível ver que até o km 2,5 o trecho seria relativamente plano, sendo que dali em diante teríamos pelo menos uns 7km só subindo. Desse modo, quando meu GPS marcou 2.4km dei uma olhada no horizonte para confirmar a informação e tratei de armar meus trekking poles, que estavam armazenados na pochete.

Foto tirada pela Cris - dá pra me 'ver' ali no alto





Com o auxílio do trekking pole fui "tratorando" no terreno e passando vários corredores. O percurso era demarcado de tantos em tantos metros com pedaços de fitas coloridas (fita amarela para os 25km), sendo que em alguns trechos dava para você 'inventar' seu próprio caminho entre uma fita e outra, já que inexistia uma trilha evidente no chão.

Senti que estava com um ritmo relativamente forte para a altura da prova em que eu estava, mas me sentia bem e decidi não relaxar o ritmo ainda.







Cruzei o quinto quilômetro com 31 minutos e atingi o ponto mais alto do percurso (km 9,5) com 1h05 de prova. Na sequência veio uma descida um tanto quanto violenta (desnível de >300m em 1,5km), onde resolvi segurar a onda para não arregaçar os joelhos e quadríceps antes da metade do percurso.



Finda a descida, cruzamos uma ponte e iniciamos nova subida, essa um pouco mais baixa. Baixo também era meu nível de açúcar nesse momento!
Depois de tanto tempo sem correr longas distâncias acabei me descalibrando e esqueci de reparar nos sinais que meu corpo enviavam para que eu comesse ou diminuísse o ritmo. No km 12, praticamente metade da prova, saí do "modo corrida" e entrei no "modo sobrevivência".
Passei a me arrastar, tropeçando nos meus próprios bastões enquanto caçava nos bolsos da mochila o meu sachê de papinha de maçã.

Uns 15min depois já estava melhor e era hora de passar pelo segundo PC dos 25km, na altura do km 15,5, bem ao lado do pórtico de chegada. Acho que o açúcar tinha acabado de cair na corrente sanguínea, pois me senti super animado e até dei um tiro (cruzei esses 250m num ritmo alucinante-para-mim de 4:10/km!) ao passar pela arena! rsrs

Saindo da arena o terreno seguiu plano por quase um quilômetro e então iniciou-se uma subida de 150m de desnível em 3,5km. Normalmente eu "comeria essa subida com farinha", mas começou a me faltar perna. A última vez que havia atingido essa quilometragem fazia 8 meses!

Novamente tive uma queda de açúcar (e quase queda das pernas também rsrs). Passei a caminhar onde normalmente corro. Começou a bater frio e, quando vi, estava sozinho! (detalhe: no dia seguinte à prova fizemos um passeio de cavalo que passou por esse mesmo trecho. Ao chegar na área do bosque, em que eu corri sozinho, os cavalos começaram a ficar inquietos... o guia disse que provavelmente eles estavam farejando um puma na região!!!o.O)

Saindo de um bosque o percurso dos 50km se separava dos 25km. Por um lado eu estava feliz em saber que desse ponto para a frente seria só descida e plano. Por outro lado eu até que queria mais uma subida para poder usá-la como desculpa para andar! hahahaha



Dobrei os trekking poles, guardei-os de volta na pochete e segui em frente.

Quando passei dos 21km me parabenizei em voz alta por ultrapassar a distância da meia maratona pela primeira vez na vida! E tentei me convencer a correr o tempo todo até cruzar a linha de chegada.

Ao avistar a arena tirei meu buff com a bandeira do Brasil do bolso e apertei o ritmo para cruzar forte a linha de chegada. Confesso que fiquei emocionado! Brega, né? kkkk



Enfim, missão cumprida e cumprida com louvor!
25km (>900m de desnível positivo) em 2h52, média de 6:52/km, sendo o 13º colocado no geral e 11º homem a cruzar a linha de chegada!

Mais feliz que isso, só quando a Cris chegou (3h40) e garantiu o terceiro lugar na categoria.






Tá, também fiquei feliz com a cerveja grátis no pós prova! =D




Ainda mais feliz que isso, só mesmo quando acordei no dia seguinte e vi que estava sem dor alguma! Sucesso puro (principalmente se considerarmos que havia bastante gente dizendo que seria loucura encarar 25km com pouco mais de 3 meses de treinamento e partindo do zero)!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Relato: Ritmo Vertical Mountain Race Brazil

Fiquei meio em dúvida se arquivava esse texto como Relato de Prova ou como Miscelânea, mas como o Ritmo Vertical foi efetivamente uma prova - mesmo que eu não tenha competido - resolvi deixar como relato de prova mesmo...

Vamos ao relato!

Fanático que sou por acompanhar as provas de trail e ultra no Brasil e no exterior, fiquei extremamente empolgado com a notícia de que a Ritmo Certo organizaria a primeira prova de Km Vertical do Brasil  - e, quem sabe, mesmo da América Latina!

Em algum lugar por aqui

O Km Vertical, por definição da ISF, consiste no tipo de prova em que se acumula 1000m de desnível positivo em, no máximo, 5km de distância (VERTICAL KILOMETER® - Races with  1,000m vertical climb over variable terrain with a substantial incline, not exceeding five kilometres in length.). Resumindo, não se deixe enganar pela distância total percorrida (menos de 5km), pois o percurso é obrigatoriamente casca grossa em razão da inclinação!



Pois bem, no mesmo dia em que as inscrições foram abertas - ainda em abril - fiz questão de garantir minha vaga! A inscrição foi feita do quarto de hotel, em Ushuaia, enquanto aguardava para correr o Mountain Do do Fim do Mundo e, na mesma semana, aproveitei para comprar um par de trekking poles (ou bastões de caminhada) especialmente para correr o Ritmo Vertical. Sim, eu estava muito animado!! rs

A Cris, impressionada com as promessas da organização ("não vai ter algodão doce!" ou "aqui não tem refresco") e sabedora do grau de "sadismo" do Naval (rsrs) resolveu ficar de fora dessa, e foi pra Pinda apenas para me acompanhar. Ela inclusive teve que pedir autorização da FUNAI para fazer esse programa de índio: acordar às 4h da manhã, cair na estrada, dirigir por mais de 2h30 e depois me esperar terminar a prova para então comer e entrar no carro de novo pra voltar pra casa.

A Minnie pode confirmar que a jornada foi cansativa!

No entanto, como um ciclo que nunca se encerra, estou comemorando 01 ano de canelite nas duas pernas (sentindo dores/incômodos nas canelas da hora que acordo à hora que vou dormir) e o ortopedista resolveu tentar um novo tratamento, que exige que eu fique 90 dias sem correr... como calculei que o Vertical envolveria pouca corrida, propriamente dita, decidi participar da prova apenas como trilheiro/trekkeiro/caminhante, isto é, sem correr.

Assim, na manhã quente, seca e ensolarada de 14.09.14, deixei para largar por último, caminhando tranquilamente enquanto os demais corriam à minha frente.

Largando lá atrás, fechando o pelotão na caminhada

Em dois zig-zags (ou seria em um zig e um zag?), já havia um pequeno grupo que tinha parado de correr e começado a caminhar, e acabei os ultrapassando.




Se o percurso da prova fosse literalmente apenas em subida, como eu pensava que seria, não teria me sentido tentado a correr e desafiar as ordens médicas... mas logo no comecinho teve um trecho de uns 15m ou menos que era relativamente plano, antes de entrarmos na trilha, e acabei me empolgando e trotando uns 5 ou 6 passos...

(Foto: Pesqueiro Serra Azul)



Então entramos na mata, levei um escorregão na terra úmida e esquiei de bunda por um metro...rs Dali pra frente resolvi seguir as ordens do 'dotô' e não trotei mais. Essa pequena trilha cortava dois riachos e exigia que andássemos sobre as pedras cheias de limo, num local bem propício para tombos. Por sorte, apesar de escorregar bastante, consegui me manter em pé enquanto um ou outro corredor ia ao chão.




Saindo das pedras podemos dizer que o Ritmo Vertical realmente começou. Estendi meus trekking poles e iniciei a primeira subida, cuja trilha foi aberta pela organização especialmente para a prova. Um verdadeiro paredão! Os bastões ajudaram bastante, e não precisei usar as mãos diretamente para subir a ladeira em quatro apoios.

Em 20 minutos de prova eu já comecei a sentir o cansaço e fome que costumo sentir depois de 1h de atividade física! Como bem disse o Naval (organizador do evento) "a montanha não aceita desafio; respeite-a!".

Então parei para respirar um pouco e tirar umas fotos. Olho pra trás e me deparo com o pesqueiro (largada da prova) lá embaixo!

Vista 'aérea' da área de largada


Olho para cima e vejo só os 'popôs' dos corredores à minha frente! rs

Saca só o paredão ali atrás!



Eu ainda não havia percorrido nem 800m de percurso! Vish, pensei, se os próximos 4km forem assim, estou ferrado (e a Cris vai sofrer bastante me esperando!)!!


Up we go! (Foto: Fatima Gonzaga)

O primeiro quilômetro foi feito em 30 minutos, então comecei a projetar a conclusão do trajeto em aproximadamente 2h15!  Mas foi só esse primeiro quilômetro que era um paredão.
Os demais trechos do percurso, embora sempre em aclive, eram relativamente corríveis (principalmente para quem estava aguado e louco para poder correr... em todo lugar que eu passava eu pensava "aqui dava pra encaixar um trotinho, hein?" rsrs).


(Foto: Fatima Gonzaga)

(Foto: Fatima Gonzaga)
Achava que o visual do percurso seria o tempo todo de tirar o fôlego, mas a verdade é que as trilhas eram em mata bem fechada, então não dava pra ter muita noção de onde a gente estava. Só dava pra saber que estávamos cada vez mais no alto.

Quando finalmente saímos da cobertura das árvores, meu desejo foi atendido! Olha essa paisagem!!




Dali pra frente o terreno ficou relativamente plano e senti uma vontade danada de correr... mas não corri!

Morrendo de vontade de correr nesse single track (mas me segurei!)

Só o cume interessa, e eu estou quase lá! rs

Continuei meu 'passeio no parque' por mais alguns minutos, cruzando com corredores vindo no sentido contrário (após cruzar a linha de chegada era necessário retornar pela trilha até a área de largada), até atingir a área de chegada, onde anotavam nosso número de peito e nos entregavam uma pulseira onde estava anotada a nossa colocação.

Área de chegada (Foto: Ultra Eventos)

Fiquei em 29º na categoria masculina, entre os quase 40 loucos que resolveram encarar essa prova.
Fiquei na área da chegada tomando uma coca cola gelada, comendo uns quitutes e conversando com o pessoal presente antes de iniciar meu retorno ao pesqueiro (a descida acabou levando mais tempo que a subida! Ainda mais porque a todo momento era necessário abandonar a trilha para dar passagem para os mais de 20 motociclistas que estavam brincando por lá).

Confraternizando (Foto: Ultra Eventos)

Com o amigo Nescau, da Ultra Eventos, que apoiou a Ritmo Certo nesta empreitada

Pelas informações divulgadas antes da prova, a chegada seria no cume do Pico do Itapeva, o que garantiria um ganho de elevação total de 1.200m no percurso. Na prática a chegada acabou sendo um pouco antes e, no total, não atingimos o acúmulo de elevação pretendido (mesmo se dermos uma margem de erro de 15% para a precisão do GPS, e considerando que meu Garmin não tem altímetro barométrico, a conta ainda não bate).

Olha só esse paredão no primeiro km!! (Segundo o aplicativo Strava, a inclinação chegou a 49%!! o.O)
Para o alto e avante! (Foto: Gilmar Bezerra)

Mesmo assim, a experiência valeu muito a pena. O lugar era muito bonito, a organização esteve impecável, a trilha estava demarcada de tal forma que era impossível se perder, e o percurso esteve bastante desafiador, mesmo para quem foi lá só pra andar! rs

Além disso, poderei contar pros meus netinhos que estive presente na primeira prova vertical do país, no longínquo ano de 2014! rs

A "lembrancinha" para quem concluiu o desafio dentro do tempo de corte
Também deixei minha assinatura na homenagem feita ao Pesqueiro Serra Azul
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Mais fotos do percurso aqui!