Há tempos não sentia o que senti nesse último treino.
Uma sensação diferente do sentimento de dever cumprido ou de conquista - que normalmente acompanha o término de um treino ou uma prova. Algo mais puxado para a sensação de paz e alegria sem propósito.
O treino desse domingo foi rodagem livre e despretensiosa. Sem neuras, sem
pace fixo ou pré-determinado, sem meta a bater.
Fazia tempo que não corria livre assim.
Não é que eu não goste de baixar meu tempo, de concluir uma prova difícil, de correr distâncias até então inéditas ou de subir ao pódio da catagoria! Eu gosto sim, e muito! rs
Mas descobri - ou melhor, redescobri - que correr pelo simples prazer de correr é muito gostoso e libertador!
A bem da verdade, a planilha marcava
day off para esse domingo, mas o dia estava tão bonito que seria um desperdício deixá-lo passar em branco.
Pois bem, ao invés de irmos até um local x para começarmos o treino, Cris e eu resolvemos correr desde a porta da casa dos meus pais até onde "desse na telha". Eu até tinha um roteiro em mente, mas ele não precisaria ser necessariamente seguido.
E assim fomos. Corremos de casa até a portaria do condomínio, de lá para a portaria de outro condomínio, voltamos, pegamos uma estrada intermunicipal e seguimos até a divisa do município, sempre alternando longas subidas e descidas. Ali, paramos para algumas fotos e voltamos pra casa. Fomos o caminho todo apreciando a paisagem, aproveitando o ar puro e o lindo dia, sem olhar para o relógio e sem ouvir o que o aplicativo do celular dizia a cada km, dando tiro na subida/descida ou reduzindo o ritmo quando a vontade batia. Acho que finalmente entendi o que o
mestre quis dizer com "alegria nas pernas". Neste domingo, senti essa alegria.
A última vez que me lembro de ter sentido isso foi nas férias de janeiro, quando saí pra dar um trotezinho inocente em Strasbourg, na França, e encontrei placas indicando a fronteira com a Alemanha não muito longe dali. Segui correndo e navegando pelas placas de trânsito, tirando foto de tudo e de todos (eram poucos os acordados e na rua naquela manhã de inverno). Cheguei até a Alemanha, sentei num restaurante para uma cerveja e um strudel (acho que ninguém ali entendeu a combinação rs), corri por duas praças/parques da cidade e voltei trotando para a França. Não fosse a corrida, não teria visitado a Alemanha! rs
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| Trajeto percorrido no meu trote transnacional rs |
Aliar corrida e turismo/passeio é juntar a fome com a vontade de comer! Altamente recomendável e inspirador!
Na próxima vez que sair para rodar, experimente deixar o relógio em casa e deixar que suas pernas mostrem o caminho, sem um roteiro ou destino fixo e sem horário para chegar lá. Acredito que você vai gostar!