Translate

Mostrando postagens com marcador Fuji Attack. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fuji Attack. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de julho de 2014

Relato: Desafio 28 Praias de Revezamento - Aloha Run

Depois de todo o tempo que fiquei 'de molho' em razão de lesões, passei a perceber melhor que, para mim, o que realmente importa não é o quão rápido ou quão longe você corre, mas sim o quanto você se diverte correndo.

Como diversão é um assunto que eu gosto de levar a sério (hein?), não me fiz de rogado e fui pra Ubatuba para dar bastante risada com os amigos e, se as pernas permitissem, correr um pouquinho também!

Mas comecemos do começo...

Após subirmos juntos ao pódio do ranking da Copa Paulista de Corridas de Montanha (categoria 25-29 anos) em novembro, Gustavo, Willian e eu decidimos que seria uma ideia interessante formarmos um trio para correr a famosa Bertioga-Maresias - esperada para acontecer em maio desse ano.
No final, a prova não existiu (virou Revezamento Peruíbe-Praia Grande e vai acontecer em agosto) e deixamos o plano um pouco de lado.

Nesse meio tempo, a Cris havia feito inscrição para o Desafio 28 Praias, num quarteto com as amigas. 
Eu nem dei atenção para essa prova até que os meninos foram lá em casa para a gente botar o papo em dia, acabamos enchendo o caneco enquanto assistíamos Unbreakable: The Western States 100 e, no dia seguinte, ao acordar levemente de ressaca, encontrei um boleto de inscrição no meu email!

Entre a inscrição (fim de abril) e a prova, muitas surpresinhas aconteceram... pra começar, a Cris rompeu os ligamentos do tornozelo e teve que abrir mão da prova... o Gustavo ficou afastado dos treinos graças a uma tendinite no joelho e eu continuava de molho por conta dos edemas ósseos nas tíbias... Faltando três semanas para a prova, f i n a l m e n t e, fui liberado pelo médico a voltar a treinar (mas num ritmo beeeeemmmmm leve: no máximo 30 minutos intercalando 1 de trote e 1 de caminhada).

Na semana da prova tivemos alguns perrengues-zicas-urucubacas que ameaçaram a saúde e integridade de cada um dos integrantes da equipe, e o destino do nosso trio só foi definido mesmo aos 42' do segundo tempo - por exemplo, o Gustavo só conseguiu confirmar que ia conseguir correr o trecho dele na noite de sábado, véspera da prova!

Ainda está meio nebuloso na minha mente como tudo se desenrolou, mas sei que no final de semana do dia 06 de julho estávamos em Ubatuba prontos para encarar os 40km do Desafio 28 Praias em um trio batizado de Aloha Run e com uniforme inspirado no Anton Krupicka! rsrs

Nossa inspiração

E aí, Tony, curtiu a homenagem?

Às 7h40 da manhã de domingo 3 malucos devidamente paramentados com camisas e colares havaianos estavam postados nas praias de Tabatinga, Caçandoca e Lagoinha esperando a festa começar! 
Por sorte, também estávamos com óculos escuros para nos proteger dos olhares fulminantes e julgadores de muitos corredores... hehehe
Na praia de Caçandoca (PC2), esperando o Gus
Da minha parte da prova, propriamente dita, nem tenho muito o que falar. 
O Gustavo chegou ao PC2, gritamos 'Aloha!', peguei o chip e parti para 5,7km de estrada de terra com leve aclive e declive, seguidos de menos de 6km de praia, entre areia dura e fofa, até encontrar o Will, gritar "Aloha!", passar o chip pra ele e o ver sair em disparada para os próximos 15km de percurso, entre single track, estrada e praias. 


Aloha!
Saber rir de si mesmo, uma virtude! kkkk

A Cris que, impossibilitada de correr, virou a nossa capitã da equipe de apoio, prontamente me resgatou para que pudéssemos aguardar a chegada do Will.


Minnie, a mascote oficial, usando seus sentidos aguçados para localizar o Willian



Algum tempo depois, avistamos um maluco correndo com camisa aberta e colar havaiano, só podia ser ele. Eu e o Gustavo corremos ao encontro do terceiro elemento para cruzarmos o pórtico de chegada juntos e bradando nosso tradicional-desde-hoje-cedo "Aloha". hehe





Ain't no place for haoles here!!!

A verdade é que se alguns corredores torciam o nariz quando viam um de nós 3 fantasiados, o público em geral nos recepcionou muito bem! rs
Sempre que cruzava com carros no caminho alguém buzinava ou gritava uma frase de incentivo e, após concluirmos a prova e nos agruparmos na área de chegada para aguardar as outras equipes de amigos (só na nossa casa havia 4 equipes!!), diversas pessoas vieram elogiar nosso uniforme e nosso bom humor.

A nossa parte estava feita – fomos, corremos e nos divertimos bastante. Essa era a ideia!
De resto, era só esperar as outras equipes da nossa casa e confraternizar com os amigos e conhecidos que sempre encontramos nesses tipos de prova, e depois partir para o churrasco!

Não conhecia as provas da RunnerSP, mas devo dizer que minha experiência foi bastante positiva de uma forma geral. A logística foi tranquila, a organização postou os resultados rapidamente, as áreas de pós-prova estavam bem abastecidas, etc.

Por fim, qual não foi nossa surpresa ao checar a lista de resultados e encontrar o Aloha Run no quarto lugar entre os trios masculinos e 30º lugar na Classificação Geral! hahahaha Só rindo mesmo! rs


Aloha Run + Capitã da equipe de apoio + Mascote oficial

2 duplas, 1 trio, 1 quarteto e a preciosa equipe de apoio! É festa!!!
Vejam só!! Três patetas, sendo que dois deles estavam voltando de lesão e sem ritmo algum de treino, vestidos de havaianos (vou te falar que aquela camisa esquentava bagarái!), correndo de ressaca e só pela diversão e conseguimos ir relativamente bem! Certeza que o Will carregou o trio nas costas! hahahaha
Na próxima a gente se esforça mais! Ou não, pois o que importa mesmo é se divertir!




ALOHA!!! E até o próximo ano!


Quem precisa de verão com um inverno desses?!



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Relato: Apoteose na Sapucaí - Corridas de Montanha São Bento do Sapucaí

Apoteose? Sapucaí?


Palma, palma, não priemos cânico! 
Apesar de o texto conter as palavras "apoteose", "Sapucaí" e de eu ter sapateado mais que mestre-sala na lama, não estou aqui pra falar de samba!
Apoteose, em uma de suas definições, corresponde ao ponto final de uma cena que decorre de maneira espetacular... algo um pouco mais dramático, inesperado e espetacular que o final de uma novela mexicana. Explicado o título, voltemos à nossa programação normal:

Cenário
São Bento do Sapucaí, ensopada e imersa nas brumas! A neblina era tanta, que parecia que estávamos no filme "Os Outros". Em alguns momentos, não era possível ver o corredor que estava 10 metros à nossa frente! Além da chuva que caiu em SP ao longo da semana, choveu praticamente o final de semana inteiro em São Bento. Resumindo o cenário: lama, muita lama, bastante lama mesmo, neblina e mais um pouquinho de lama.



Lama.
Enredo
Como vocês devem se lembrar, há algum tempo venho sofrendo de canelite (que, talvez nem seja canelite... vamos aguardar os resultados dos exames). Para me recuperar, resolvi ficar um tempinho sem correr e, desde a Etapa Serra da Cantareira, não corri nem atrás de ônibus, por medo de me machucar ainda mais... Deixei inclusive de correr uma prova para a qual havia feito inscrição.
Maaaasss, São Bento do Sapucaí era a última etapa da Copa Paulista de Corridas de Montanha, e eu queria fazer bonito na pontuação para o Ranking anual. 
Na verdade, a pontuação no ranking nunca foi uma pretensão minha. Tanto foi assim, que nas primeiras etapas eu perdia bastante tempo "panguando" e apreciando a paisagem...rsrs... Acontece que ao longo das provas, criamos um círculo de amizades que contava com 2 pessoas da minha categoria (Gustavo e Willian). E seria muito bacana se conseguíssemos encerrar o ano os três juntos no pódio!
Só que essa missão não seria tão simples. Na pontuação para o ranking, feito o descarte de provas e a matemática toda do regulamento, descobri que se eu quisesse subir ao pódio com meus amigos na premiação do Ranking anual na faixa etária 25-29 anos, teria que concluir essa prova no mínimo 2 min à frente de determinado corredor.
Não bastasse a complexidade da prova, eu teria de lidar com o fato de que havia praticamente um mês que eu não corria (zero condicionamento!) e com minhas dores (além da preocupação com as consequências de correr machucado e agravar a lesão). Some a isso o fator psicológico de ter de correr dependendo não apenas do meu resultado, mas também do resultado do meu concorrente, e você terá uma ideia da bucha que me aguardava.

Na semana da prova fui a um ortopedista que disse existir suspeita de fratura por estresse na tíbia. Tremendo balde de água fria, não? Após essa consulta, ficava oscilando entre correr a prova mesmo assim ou deixar pra lá... 
Quando publicaram a lista de inscritos para a prova, na véspera do evento, corri pra ver se minha nêmesis constava da relação (rs) e fiquei feliz ao constatar que aquele nome não estava na lista, pois assim eu poderia deixar de correr e ainda assim garantir a 'premiação'.

Por via das dúvidas, no sábado à tarde me dirigi até o local da prova devidamente trajado e preparado para correr, afinal, imprevistos acontecem. Eis que, a 2 minutos da largada o Willian grita meu nome e faz um aceno de cabeça na direção do murinho lateral, na concentração para a largada. É... não ia ter jeito, o cara estava lá, e eu teria de correr. Mal deu tempo de digerir a ideia e soou a buzina!
Coração na boca e lá fomos nós!
Fóóóóóóóómmmmm (buzina)

Nos primeiros 300m, em paralelepípedo e bloquete, cada passo era uma pequena punhalada nas pernas... tentei acompanhar o grupinho (15/20 pessoas) que estava liderando, mas fiquei com medo de a dor piorar a ponto de eu não conseguir mais correr. Por sorte, logo em seguida começou A subida. Sim, com "a" maiúsculo. Foram aproximadamente 5km subindo sem parar, escorregando muito, andando muito, ofegando muito e vendo pouco, já que a chuva e a neblina diminuíam a visibilidade.
Como eu não sentia dor para andar, engatei a reduzida e avancei aos trancos e barrancos, sem parar pra respirar. Quando surgia um espacinho onde dava pra encaixar 3 ou 4 passos mais rápidos, eu trotava. Tentei ganhar o máximo de terreno possível durante a subida, pois sabia que na descida eu não teria condições de correr forte. Não ousei olhar para trás nenhuma vez.


Caminhe que o mundo é grande... (o tênis, ainda limpo)

Finda a aparentemente infindável subida, seguiu-se um curto e igualmente escorregadio single track e continuei forçando além do que costumo fazer e muito além do que minhas canelas gostariam. Eu tinha certeza que, chegando a descida, qualquer diferença que eu tivesse aberto durante a subida seria prontamente diminuída.

Mais neblina, uma porteira de fazenda, um pequeno atoleiro e... uma estranha sensação de vácuo. 'Silêncio ensurdecedor', visibilidade de não mais que 5m. O corredor que eu estava usando como ponto de referência simplesmente sumiu do meu campo de visão. 
E assim deu-se início a um tobogã de lama e esterco que nos levaria até os 500m finais da prova. Isso mesmo, praticamente 6km esquiando, sambando, sapateando ou qualquer outra coisa que não correndo, ladeira abaixo. 


Essa era a parte "seca" da prova

Mais ou menos nessa altura, cruzamos caminho com o pessoal do percurso curto. Festival de tombos! Uns caíam de frente, outros de lado, outros caíam sentados, e segue o jogo! rs



Consegui me segurar em pé o tempo todo, mas haja propriocepção, viu!




Novamente, tive sorte. Se a ladeira não estivesse tão escorregadia e lamacenta, a descida seria muito rápida e o impacto seria além do que eu poderia suportar.

Tá acabando!

Quilômetro final, terreno plano e pavimentado, era hora de dar o sangue, partir pro tudo ou nada, aumentar o ritmo. Acontece que eu já estava dando o sangue desde a largada. Quando a buzina soou, eu já havia partido para o tudo ou nada. E com um mês sem treinar, meu corpo (cardiorrespiratório, pernas, lombar, ombros) estava sofrendo muito para me levar onde minha cabeça queria. Tentei dar um tiro e não consegui manter o ritmo nem por 100m.
Coloquei na minha cabeça que eu estava sendo caçado e que, se eu tinha me forçado até ali, não podia jogar todo aquele esforço no lixo justo no finalzinho da prova. Comecei a encaixar uns 10 passos de "bonito" (correndo com técnica e mantendo a postura, como me ensinaram na JVM) com 5 passos de zigue-zague-acho-que-esse-cara-vai-desmaiar (como aprendi sozinho naquela hora) e assim segui até a linha de chegada, onde fui recepcionado pela staff mais simpática do mundo, com o copo d'água mais gostoso que me lembro de ter tomado!

Reencenando minha chegada, para a Lígia poder fotografar! rs

A minha parte estava feita. Agora era só esperar o cronômetro girar mais longos 120 segundos para saber se aquele lugar no ranking seria ou não meu no final do dia.
30s, e nada... 60s, não, não é ele... 90s... ufa, achei que era o cara... 120s, é isso mesmo, já deu o tempo? Vou continuar aqui... 180s... nada ainda, mas vamos esperar mais um pouco... 240s... ok acho que agora posso comemorar! \o/
Outra alegria eu senti quando meus parceiros Willian e Gustavo cruzaram a linha de chegada, quase juntos! Comemoramos bastante o término do campeonato! Nossas pernas estavam pedindo descanso há muito tempo! rs

Acabooooouuuuuuuu!!!!!!!!

Só faltava aguardar a Cris chegar sã e salva e tudo estaria certo! 

Uns 50min depois e lá estava ela, toda sorridente!
Depois disso, era só cada um se limpar como era possível (deixar a chuva fazer o serviço, usar uma mangueira ou se lavar nas poças d'água), aguardar a premiação da prova e partir pro restaurante Sabor da Serra para a cerimônia de encerramento da Copa Paulista e a premiação do ranking - muito boa, por sinal, mas isso fica pra outro post. ;-)



Evolução: 5km de subida extremamente íngreme e totalmente escorregadia, com ganho de elevação de 800m (!!!) +/- 1km de plano e/ou leve declive, +/- 500m de subida leve e 6km de descida esquiando na lama. 
Percurso  (sem altimetria) de  São Bento do Sapucaí

Que prova dura!! Só para servir de parâmetro, com mais de 3h de prova, ainda era possível ver corredores chegando (inclusive do percurso curto!!!). Não consigo nem imaginar como foi para os guerreiros do endurance, que encararam 50km naquelas condições! Sem contar quem correu os 50km e, não contente, ainda participou dos 13km/9km!
Creio que foi a prova mais dura que já corri. E com certeza a prova em que mais me superei. 
Nos primeiros 6km, fiz uma média de 10min/km! Pura caminhada!
Apesar de todas as recomendações serem no sentido de poupar energia no começo para descontar no final, tive de me adaptar à situação e às minhas características mais fortes e forçar do começo ao fim. Se não tivesse feito isso, não teria conseguido o 23º geral/ 2º na faixa etária/ 3º no ranking!


Deixar de comparecer à premiação NÃO agrega valor ao espírito esportivo. rs

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Relato: A gente sofre, mas se diverte! CP - Etapa Cantareira

No último domingo (27.10.2013) disputamos a penúltima etapa da Copa Paulista de Corridas em Montanha. Ufa! rs


Não me leve a mal, adoro correr (não sei se já deu pra perceber), mas estruturei meu calendário de corridas muito strogonofficamente emboladamente esse ano, e esse excesso de provas em curto espaço de tempo vem cobrando seu preço (perda de rendimento, dores e inflamações no corpo e afins). Enfim, falta pouco, vamos que vamos!

A penúltima etapa da Copa Paulista, intitulada Etapa Serra da Cantareira, ocorreu em Mairiporã, com largada e chegada no Pesqueiro Vale de Santo Ari. Bem pertinho de São Paulo, fácil acesso e com excelente estrutura (geralmente é difícil encontrar banheiros impecáveis após as corridas, e eles valem ouro! Ouro!!! rsrs Parabéns ao pesqueiro!).

Chegamos com quase duas horas de antecedência (achamos que a viagem levaria mais tempo) e aproveitamos pra colocar o papo em dia com o pessoal  - é muito legal ver que a cada prova o círculo de amizades vai se expandindo.

O dia amanheceu nublado e um pouco frio - na estrada pegamos até garoa - mas um pouco antes da largada, marcada para as 9h, já dava pra sentir o tempo mudando.

Feito o briefing, foi dada a largada para o pessoal que correria o percurso curto (pouco mais de 6 km) e uns 10 minutos depois deram a largada para o pessoal do Longo (11,6km). 
A decisão da organização de separar as largadas foi justificada rapidamente: tirando algumas centenas de metros iniciais em estrada de terra, o percurso teve os primeiros 5km praticamente em single track (com bastante lama e esterco rsrs), e a largada dividida evitou o congestionamento nas trilhas! Sábia decisão!


Desde que divulgaram o percurso e a altimetria dessa prova eu já havia me convencido de que essa prova não era pra mim, já que ela tinha um perfil muito rápido e com poucas subidas, então preferi largar lá pra trás, sem pressa e aumentando o ritmo gradualmente (considerando ainda o fato de a minha velha conhecida dor nas tíbias ter marcado presença). 

Percurso e Altimetria - Copa Paulista de Corridas de Montanha Etapa Cantareira
Como o celular não funcionava ali, corri só com o cronômetro, e no 5ºkm vi que não estava correndo tão soltinho quanto eu imaginava: passei a placa de 5km com 23:15!! Do 5º pro 6ºkm tentei me segurar um pouco pois sabia que em breve ia começar um aclive de 2km com ganho de 200m de elevação.
Disseram que o percurso longo teria 4km margeando o rio Juqueri. Só acreditei agora que vi essa foto! Durante a prova eu nem consegui olhar pro lado...rs
A essa altura, o calor já estava insuportável! A todo momento eu pensava "se tiver que cruzar um riacho aqui eu mergulho a cabeça"... mas nada de riacho... Não queria jogar a água da minha garrafa na cabeça porque acabei levando pouca água para essa prova, e não queria ter de parar pra reabastecer no posto de hidratação (existente apenas no 8ºkm).

 


Quando a subida começou pra valer, em meio à mata fechada, minhas pernas já quase não me obedeciam... acho que meu corpo estava se rebelando contra a minha falta de noção de querer correr com dor, leve ressaca, estômago ruim e naquele calor absurdo. 
Que eu me lembre, essa foi a primeira vez que eu perguntei a mim mesmo "o que é que estou fazendo aqui?!" durante uma prova.

Finalizada a subida era hora de descer de novo, mas nem isso me aliviava, já que não me sentia confortável em sentar a bota nas descidas por causa das dores nas canelas...


Falta pouco, já posso ver o final da subida!

Olha a descida ali! Saiam da frente!!!
Faltando mais ou menos 1km para a chegada, saímos de uma estradinha e pegamos nova subida - dessa vez curta - em meio à mata. Normalmente, quando chega essa hora, eu tenho alguma energia sobrando e ataco a subida sem dó para acabar o percurso logo, mas não foi assim dessa vez. Parei para andar em diversas ocasiões...
Ainda não descobri porque resolvo piscar pras câmeras... parece que estou tendo um pequeno AVC! rsrs

Finalmente surgiu a placa dos 11km, seguida de 600m de descidas íngremes em bloquete. Tentei aumentar um pouquinho o ritmo, mas as canelas chiaram e resolvi escutá-las.

Cruzei a linha de chegada com 1h08:39 e só queria saber de me hidratar logo e resfriar um pouco o corpo!

O percurso não estava lá muito técnico, era muito rápido e o calor estava castigando bastante. Torci o mesmo pé umas 3 vezes seguidas e as canelas queimavam, é... não era o meu dia! rs

Normalmente eu espero a Cris cruzar o pórtico de chegada, mas dessa vez eu estava tão entretido no bate papo com os amigos no "departamento médico" (um espacinho na grama onde ficamos jogados fazendo crioterapia, tomando sol e reclamando do calor, do percurso rápido e das dores) que nem a vi chegar - ela concluiu a prova em 1h32:22.


Grupo completo, agora era só papear e esperar a divulgação dos resultados!

Saldo do domingo: fortalecimento das amizades; promessas de projetos futuros; 11,6km de divertido sofrimento; calorias do churrasco de sábado devidamente queimadas; dores e mais dores... e vontade de repetir tudo isso na próxima oportunidade que surgir!
Além do troféu, levei pra casa uma mudinha de palmito juçara!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Relato: Sebo nas canelas na Suíça paulista - Corridas de Montanha Campos do Jordão

Após correr destrambelhadamente no Rei da Montanha, fiquei com dores tão fortes nas pernas (região das tíbias) que passei uma semana sem conseguir nem ao menos trotar... Por isso, estava com grande receio de correr a Etapa Campos de Jordão da Copa Paulista de Corridas de Montanha (ainda mais depois da surpresinha que tive com a divulgação do percurso/altimetria: o percurso passou de 12km para 15,2km, além de uma caminhada de 3km do estacionamento até a área da largada, para aquecer!).

Após a 'pré-largada' - caminhada/trote de 3km até a área da largada real - sob garoa, chegamos ao pórtico de largada oficial e aguardamos a liberação pela organização do evento.

Todos a postos, soou a buzina e lá fomos nós, morro abaixo, na tal da "Largada em Avalanche" (500m de estrada de terra mais ou menos escorregadia e em declive).
Como eu não sabia nem se ia conseguir correr, deixei pra largar lá atrás, e num ritmo bem conservador (até a Cris me ultrapassou na primeira descida, com perninhas de papa-léguas! rsrs).

Aos poucos fui ganhando confiança e aumentando o ritmo e, alguns sobe-e-desce depois, surgiu um aclive longo em estrada de terra, de onde era possível ver um grande vale coberto por nuvens. No alto dessa ladeira havia uma placa indicando nossa localização: estávamos no cume do Pico do Diamante (+1850m de altitude)!
Chegando ao cume do Pico do Diamante
Cris iniciando a descida do Pico

Como diria o Rei (Roberto Carlos, não o Rei da Montanha), são tantas emoções! rs Ali, no meio da prova, com o coração na boca e a respiração ofegante, perdi-me em devaneios e me lembrei de quando fiz a trilha até aquele cume acompanhado de meus pais e meu irmão, há alguns bons 16 anos!!!

Direto do túnel do tempo! (favor desconsiderar a qualidade da foto e o visual grunge)

Mal deu tempo de sentir saudades da infância e já era hora de rolar morro abaixo, digo, descer o Pico do Diamante por uma trilha longa e acidentada.



Finda a descida, adivinhe... era hora de subir de novo!! Subida longa e gradual em mata fechada, com muitos troncos, riachos, arbustos, pedras e lama. Do jeito que o povo gosta!

Dá só uma olhada nessa ladeira!!

Por volta do km 9, uma staff fanfarrona disse que faltavam 3km para o fim da prova... Nos meus cálculos, faltava pouco menos da metade da prova ainda, mas vai que né... na dúvida, sentei a bota!



Entrei numa trilha cheia de lama e folhas mortas e fofas, em leve declive e com um pouco de neblina. Aquele terreno praticamente implorava por um aumento na velocidade e achei que correr um pouco na banguela não faria mal a ninguém! Me senti o próprio Kilian Jornet (rs), flutuando terreno abaixo, saltando sobre pedras, raízes, erosões - e, às vezes, sobre pessoas que capotavam à minha frente gritando "tá tudo bem, tá tudo bem, pode continuar"! rs - deixando meus pés escorregarem na lama com segurança e imprimindo um bom ritmo de descida.

Nessa toada passei as placas de 10km, 11km, 12km, saí da trilha (staff pimpona!!! Tentou me enganar!!!) e passei a correr beirando os trilhos do trem, num leve aclive, saltando dormentes, pedras, despachos (sim, sim, várias velas vermelhas por ali rs) e, enfim surgiu a placa de 14km.
Juntei energia sabe-se lá de onde, ajeitei a postura do corpo e queimei sola, com sprint na reta final e tudo mais! Meu quilômetro mais rápido até hoje! rs

Às vezes é importante andar na linha (e essa minha cara de espirro, hein?)


Fiquei feliz demais em concluir a prova! Sério, as dores que senti 'nas canelas' ao longo da semana me fizeram pensar em desistir da prova... mas sabe aquele papo de ser brasileiro e não desistir nunca, né?

Com o tempo, as demais figurinhas carimbadas da Copa Paulista foram aparecendo e a conversa rolou solta enquanto os resultados parciais não eram divulgados! O animado bate-papo sobre provas passadas e projetos futuros quase não nos deixava lembrar do frio, roupas molhadas, fome e dores musculares.

A melhor parte das competições: o companheirismo, a camaradagem e a troca de experiências!














Resultado divulgado, fotos, festa, chocolate quente, até-breves e hora de voltar para casa. O que é bom, dura pouco!