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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O que temos feito nos últimos meses (e algumas fotos)

Salve, salve, montanheiros!

Cá estamos novamente após um longo inverno.


Você disse 'inverno'?
Nossa última publicação foi em maio, após o levemente frustrado EC Agulhas Negras, mas isso não significa que deixamos de experimentar aventuras desde então.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Feliz ano novo! - Parque Nacional de Itatiaia

"It's not the mountain we conquer but ourselves." - Edmund Hillary

Thousands of tired, nerve-shaken, over-civilized people are beginning to find out that going to the mountains is going home; that wildness is a necessity”  - John Muir

"Mountains are not stadiums where I satisfy my ambition to achieve, they are the cathedrals where I practice my religion." - Anatoli Boukreev

Nada que eu escreva nesse texto explicará tão bem o motivo de termos escolhido passar nosso Réveillon na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia  - bem como a nossa relação com o trail running e as montanhas - quanto as citações acima. Então, ao invés de explicar qualquer coisa, vou me limitar a relatar como foi a nossa virada de ano.

Dia 30/12/2014 deixamos nossa filhota no hotelzinho e saímos de São Paulo às 18h, com destino à cidade mineira de Itamonte, onde arrumamos - aos 42' do 2º Tempo - uma pousada muito bacana com fácil acesso para a parte alta do Parque (Estalagem Pintassilgos).

Desconectar das demandas e dos ruídos do mundo - rã-rãn - civilizado; perder o olhar no horizonte e abrir a mente; desfrutar da natureza e curtir o momento: esse era o escopo.

Havia carregado previamente alguns mapas no meu Garmin para usarmos como base para navegação no Parque (juntamente com o que a nossa memória conseguisse resgatar da última vez que lá estivemos, há alguns 23 meses), pois decidimos não contratar guias para fazermos os passeios com maior liberdade.

Aproveitamos para testar nossa capacidade de navegação, bem como mochilas, tênis e afins que compramos para usar em março na Trail Adventure Chile, em Torres del Paine.

No primeiro dia, saímos da Estalagem com tempo quente e - de forma totalmente amadora - esquecemos de tudo que sabíamos de 'Alta Montanha'... simplesmente desconsideramos que a temperatura na cidade (1.100m de altitude) é bem diferente da temperatura do Parque (cuja portaria se situa a 2.450 m de altitude, segundo meu GPS).


Por sorte sempre carrego o anorak!

Apesar de estar parecendo o Inspetor Bugiganga de tanta coisa que eu estava carregando, esqueci de pegar roupa de frio (fleece, manga comprida, etc)... por sorte, o tempo nas montanhas muda rapidamente e, dessa vez, essa mudança foi a nosso favor. Então só passamos um pouquinho de frio nos primeiros 15 minutos.

Nesse dia fomos até a base do Morro do Couto (segundo ponto mais alto do Parque e 9ª montanha mais alta do país). 
Lá chegando, resolvemos estender um pouquinho e iniciamos o trepa-pedras que leva ao cume. Mesmo já tendo atingido o cume anteriormente, acabei empacando num dos lances e o medo, digo, a precaução me fez desistir de continuar... 
A Cris já estava até um lance acima de mim, a poucos metros do cume, mas o medo me dominou e mesmo com ela me incentivando acabei voltando para a base. Acontece... mas tudo bem! Nesse tipo de situação, onde o resgate é difícil e pouco provável, se você não confia nas suas habilidades o melhor é não se arriscar inutilmente.
Como dizem por aí, "Mountains have a way of dealing with overconfidence".







Na sequência, iniciamos nossa descida na direção da portaria e pensávamos em partir de lá para o Abrigo Rebouças mas, mais uma vez, o tempo mudou rapidamente e começou a trovejar. Creia-me, você não quer estar no descampado quando trovões começam a soar ali em cima.


Tempo fechando rapidamente!

Foi o tempo de chegarmos à portaria e a chuva começou. Decidimos então encerrar o primeiro dia de aventura por ali mesmo e voltar para a Estalagem para descansar um pouco a fim de aguentar ficar acordado até a meia noite para a ceia de ano novo! rsrs

A ceia foi uma experiência bem legal. Estávamos apenas eu, a Cris, a Lara e o Paulo (os donos da pousada) e conversamos e comemos bastante.


Se esse trecho fosse após a ceia, eu não teria conseguido passar! rsrs
A Cris, por outro lado, não teve problemas.
No dia seguinte, o primeiro dia do ano, tínhamos um objetivo especial: queríamos ir até a Cachoeira do Aiuruoca tomar um banho hiper gelado para espantar as zicas e lavar a alma, bem como iríamos aproveitar para dar os nossos primeiros trotinhos após um longo e sombrio inverno de lesões.

Só que chegamos ao Parque muito tarde (11h30) e existe uma tabela com horários limite para início da caminhada dependendo de qual será o seu destino. 
O trekking até a cachoeira é considerado pesado e tem aproximadamente 13km de extensão (até um pouco mais nessa época do ano, uma vez que a estrada fica fechada para proteger a reprodução dos sapos Flamenguinho, então deve-se caminhar 2,6km da portaria até o Abrigo para iniciar a trilha). No horário que chegamos já não seria possível fazer o trekking até a cachoeira, então decidimos ir até a base do Maciço das Prateleiras.

Trilha tranquila e praticamente deserta, como no dia anterior.


É para lá que nós vamos!





Chegamos à base das Prateleiras sem incidentes e aproveitamos a tranquilidade para fazer um picnic na companhia dos tico-ticos pidões e para posar para fotos no estilo "Capa da Revista Trail Runner"! hehehe



Posers assumidos brincando de Endurance Challenge Agulhas Negras!
Poser ao quadrado: Krupickizando na brincadeira de Endurance Challenge Agulhas Negras 

Como havíamos prometido para nós mesmos, resolvemos correr algumas centenas de metros para brindar o ano novo e pedir saúde e proteção para o ano que se inicia. Depois de mais de 4 meses absolutamente de molho, qualquer 100m era o suficiente para colocar a língua de fora. Some-se a isso o fato de estarmos a mais de 2.400m de altitude e você poderá imaginar como nossa 'corridinha' foi! rs





Agulhas Negras ao Fundo

Brincando de Endurance Challenge Agulhas Negras

Na direção do Maciço das Prateleiras

Ainda assim, ficamos bastante felizes de finalmente voltar a trotar, mesmo que por poucos minutos.

Na volta para a portaria resolvemos tomar banho na Cachoeira das Flores, próxima ao Abrigo Rebouças. Meu amigo, que água gelada!!!
Demoramos uns 20 minutos para entrar de corpo inteiro na água e passamos mais uns 5 minutos ali dentro até os dentes começarem a bater e a gente sair correndo pra lagartear na pedra! hahaha
Depois de trocados e de volta à trilha, passaram-se alguns 10-15 minutos até que eu voltasse a sentir meus pés! Mas a alma estava lavada e a zica tirada! 





No terceiro e último dia acordamos mais cedo, pegamos as mochilas que deixamos ajeitadas na noite anterior e partimos pro Parque. Chegamos a tempo de fazer a caminhada pra Aiuruoca.

O início da trilha foi um pouco complicado. Nos perdemos algumas vezes - por poucos metros - mas achamos o prumo e seguimos.
Dessa vez, apesar de o estacionamento do Parque estar bem mais cheio, não encontramos ninguém na trilha. O fato de essa trilha ser menos utilizada fez com que levássemos alguns sustos.

Encontramos algumas pegadas de animal de médio/grande porte (onça parda? lobo guará? Cachorro do mato? chupa-cabra??), uma cobra atravessou a trilha à nossa frente e vimos muuuuuiiiiiittttaaassss fezes de algum animal que não identificamos.





Se exposta numa galeria, o nome da imagem seria "Bela Merd@" 

Depois de vermos as pegadas e a cobra começamos a caminhar falando alto, cantando e batendo as mãos, para tentar assustar qualquer outro bicho que estivesse nas redondezas! Loucos? Talvez... Com medo? Opa! rsrs

A trilha seguiu na direção do Pico das Agulhas Negras por algum tempo e depois bifurcou, na direção da Asa de Hermes e Pedra do Altar.






Maciço das Pratelerias ao fundo

Já que ali estávamos, aproveitamos para subir até o cume da Pedra do Altar (que parece a Pedra do Simba/Rei Leão rs). Caminhadinha linda e cansativa, acumulando uns 200m de desnível em ~1,5km.


Pedra do Simba, digo, Pedra do Altar

Uff uff (Agulhas Negras ao Fundo)


Ao atingirmos o cume da 11ª montanha mais alta do Brasil, paramos para um merecido lanche! Ficamos ali comendo, conversando, pensando na vida e então começamos a ouvir vozes próximas... considerando que estávamos totalmente sós durante toda a trilha, tomamos o maior susto! rs
Um casal de alpinistas conquistou o cume poucos minutos depois e também aproveitou para lanchar ali.

Enquanto tirávamos nossas fotos o tempo começou a fechar novamente, com trovões e tudo mais. Não seria seguro ir para a cachoeira com a tempestade que estava armando, então descemos com direção ao Abrigo Rebouças para esperar a chuva passar.


Temporal se aproximando por cima do Morro do Couto

No cume da Pedra do Altar

Chegando ao Abrigo o vento havia mudado de direção e o tempo estava se abrindo outra vez. Como já estávamos relativamente longe da Aiuruoca e era tarde demais para partir naquela direção, tomamos a trilha para as Prateleiras, com destino à Pedra da Maçã e à Pedra da Tartaruga.


Temporal se formando sobre as Prateleiras

Enquanto caminhávamos naquele sentido, vários grupos de pessoas passaram por nós no sentido contrário, voltando já na direção dos carros.
Quinze minutos depois o tempo voltou a fechar e os trovões reapareceram... era hora de voltar!




Começamos a correr, com o objetivo de chegar ao estacionamento antes da chuva. Com todo o nosso condicionamento físico (que condicionamento?!) o máximo que dava para fazer era trotar 300-400m, caminhar ofegante por 500m, trotar mais 200m e assim por diante até chegarmos ao carro.


Cadê o Morro do Couto que estava aqui?

Entramos no carro e a chuva começou! rsrs
Não veio a tempestade que esperávamos, mas mesmo assim foi bom correr para "evitar a fadiga"...rs

O retiro para as montanhas se acabou e o objetivo foi impecavelmente cumprido: mente limpa das impurezas, alma revigorada, crença nas minhas aptidões navegacionais restaurada e saudade das montanhas parcialmente apaziguada. Baterias recarregadas para encarar o cruel mundo real por mais algum tempo.

Feliz Ano Novo!


terça-feira, 8 de julho de 2014

Relato: Desafio 28 Praias de Revezamento - Aloha Run

Depois de todo o tempo que fiquei 'de molho' em razão de lesões, passei a perceber melhor que, para mim, o que realmente importa não é o quão rápido ou quão longe você corre, mas sim o quanto você se diverte correndo.

Como diversão é um assunto que eu gosto de levar a sério (hein?), não me fiz de rogado e fui pra Ubatuba para dar bastante risada com os amigos e, se as pernas permitissem, correr um pouquinho também!

Mas comecemos do começo...

Após subirmos juntos ao pódio do ranking da Copa Paulista de Corridas de Montanha (categoria 25-29 anos) em novembro, Gustavo, Willian e eu decidimos que seria uma ideia interessante formarmos um trio para correr a famosa Bertioga-Maresias - esperada para acontecer em maio desse ano.
No final, a prova não existiu (virou Revezamento Peruíbe-Praia Grande e vai acontecer em agosto) e deixamos o plano um pouco de lado.

Nesse meio tempo, a Cris havia feito inscrição para o Desafio 28 Praias, num quarteto com as amigas. 
Eu nem dei atenção para essa prova até que os meninos foram lá em casa para a gente botar o papo em dia, acabamos enchendo o caneco enquanto assistíamos Unbreakable: The Western States 100 e, no dia seguinte, ao acordar levemente de ressaca, encontrei um boleto de inscrição no meu email!

Entre a inscrição (fim de abril) e a prova, muitas surpresinhas aconteceram... pra começar, a Cris rompeu os ligamentos do tornozelo e teve que abrir mão da prova... o Gustavo ficou afastado dos treinos graças a uma tendinite no joelho e eu continuava de molho por conta dos edemas ósseos nas tíbias... Faltando três semanas para a prova, f i n a l m e n t e, fui liberado pelo médico a voltar a treinar (mas num ritmo beeeeemmmmm leve: no máximo 30 minutos intercalando 1 de trote e 1 de caminhada).

Na semana da prova tivemos alguns perrengues-zicas-urucubacas que ameaçaram a saúde e integridade de cada um dos integrantes da equipe, e o destino do nosso trio só foi definido mesmo aos 42' do segundo tempo - por exemplo, o Gustavo só conseguiu confirmar que ia conseguir correr o trecho dele na noite de sábado, véspera da prova!

Ainda está meio nebuloso na minha mente como tudo se desenrolou, mas sei que no final de semana do dia 06 de julho estávamos em Ubatuba prontos para encarar os 40km do Desafio 28 Praias em um trio batizado de Aloha Run e com uniforme inspirado no Anton Krupicka! rsrs

Nossa inspiração

E aí, Tony, curtiu a homenagem?

Às 7h40 da manhã de domingo 3 malucos devidamente paramentados com camisas e colares havaianos estavam postados nas praias de Tabatinga, Caçandoca e Lagoinha esperando a festa começar! 
Por sorte, também estávamos com óculos escuros para nos proteger dos olhares fulminantes e julgadores de muitos corredores... hehehe
Na praia de Caçandoca (PC2), esperando o Gus
Da minha parte da prova, propriamente dita, nem tenho muito o que falar. 
O Gustavo chegou ao PC2, gritamos 'Aloha!', peguei o chip e parti para 5,7km de estrada de terra com leve aclive e declive, seguidos de menos de 6km de praia, entre areia dura e fofa, até encontrar o Will, gritar "Aloha!", passar o chip pra ele e o ver sair em disparada para os próximos 15km de percurso, entre single track, estrada e praias. 


Aloha!
Saber rir de si mesmo, uma virtude! kkkk

A Cris que, impossibilitada de correr, virou a nossa capitã da equipe de apoio, prontamente me resgatou para que pudéssemos aguardar a chegada do Will.


Minnie, a mascote oficial, usando seus sentidos aguçados para localizar o Willian



Algum tempo depois, avistamos um maluco correndo com camisa aberta e colar havaiano, só podia ser ele. Eu e o Gustavo corremos ao encontro do terceiro elemento para cruzarmos o pórtico de chegada juntos e bradando nosso tradicional-desde-hoje-cedo "Aloha". hehe





Ain't no place for haoles here!!!

A verdade é que se alguns corredores torciam o nariz quando viam um de nós 3 fantasiados, o público em geral nos recepcionou muito bem! rs
Sempre que cruzava com carros no caminho alguém buzinava ou gritava uma frase de incentivo e, após concluirmos a prova e nos agruparmos na área de chegada para aguardar as outras equipes de amigos (só na nossa casa havia 4 equipes!!), diversas pessoas vieram elogiar nosso uniforme e nosso bom humor.

A nossa parte estava feita – fomos, corremos e nos divertimos bastante. Essa era a ideia!
De resto, era só esperar as outras equipes da nossa casa e confraternizar com os amigos e conhecidos que sempre encontramos nesses tipos de prova, e depois partir para o churrasco!

Não conhecia as provas da RunnerSP, mas devo dizer que minha experiência foi bastante positiva de uma forma geral. A logística foi tranquila, a organização postou os resultados rapidamente, as áreas de pós-prova estavam bem abastecidas, etc.

Por fim, qual não foi nossa surpresa ao checar a lista de resultados e encontrar o Aloha Run no quarto lugar entre os trios masculinos e 30º lugar na Classificação Geral! hahahaha Só rindo mesmo! rs


Aloha Run + Capitã da equipe de apoio + Mascote oficial

2 duplas, 1 trio, 1 quarteto e a preciosa equipe de apoio! É festa!!!
Vejam só!! Três patetas, sendo que dois deles estavam voltando de lesão e sem ritmo algum de treino, vestidos de havaianos (vou te falar que aquela camisa esquentava bagarái!), correndo de ressaca e só pela diversão e conseguimos ir relativamente bem! Certeza que o Will carregou o trio nas costas! hahahaha
Na próxima a gente se esforça mais! Ou não, pois o que importa mesmo é se divertir!




ALOHA!!! E até o próximo ano!


Quem precisa de verão com um inverno desses?!