Finalmente criei coragem pra escrever sobre esse assunto. Depois que (quase) tudo passa e você aprende um milhão de coisas é que consegue falar racionalmente sobre isso.
No dia 22 de março, corri a etapa Curtlo de Paranapiacaba (veja o vídeo aqui) e garanti o 3º lugar na faixa etária.
No dia 22 de março, corri a etapa Curtlo de Paranapiacaba (veja o vídeo aqui) e garanti o 3º lugar na faixa etária.
Na semana seguinte, me inscrevi às pressas pra Igarata23k, que aconteceu no dia
30 de março, mais como um desafio pessoal do que por resultado.
Em abril, a prova alvo do 1º semestre, no Ushuaia, aconteceu no dia 06, e finalizei-a com dores nos iliotibiais e os posteriores quase travando em cãibra.
Voltando
do Ushuaia, retornei aos treinos normais na JVM depois de 3 provas em
finais de semana seguidos.
No
entanto, no dia 17 de abril, no início do treino, ainda no
aquecimento/educativos na grama, meu pé esquerdo virou pra dentro, ouvi um TEC
e, de dor, fui de joelhos ao chão. Não conseguia me mexer, e tinha a impressão
de que qualquer movimento que fizesse, pioraria a dor. Fiquei naquela posição
ingrata, com o pé esquerdo erguido pra trás, gritando de dor, até que os
colegas perceberam que aquilo não era uma brincadeira e que a coisa foi séria e
vieram me ajudar.
Chorei, gritei, não queria deixar ninguém encostar no meu pé, mas não conseguia
fazer nada, no máximo virei de barriga pra cima e nem deitar no colchonete - que
o Foca and Friends gentilmente cedeu - eu conseguia.
Fiquei com as costas pinicando na grama mesmo.
Todos
os amigos queriam me ajudar de alguma forma. O Virginio tirou meu tênis e
meia e pegou a bike de um amigo pra chamar a ambulância, enquanto isso jogaram
água gelada no meu tornozelo, uma amiga ajoelhada atrás de mim apoiava minha
cabeça nas suas pernas, o Jacson mantinha conversa comigo pra tentar me
acalmar, outra amiga ligava no hospital pra saber se atendia meu convênio, uma
outra foi até a Run and Fun e
conseguiu gelo. O Rogério do AdrianoBastos ajudou a me carregar do chão pro banco e me senti muito bem
amparada. Em certos momentos a galera simplesmente se une.
A
ambulância do HU me atendeu, imobilizou minha perna da coxa até o pé e, para
que eu pudesse ser levada para um hospital que atendesse meu convênio, tive que
preencher e assinar a recusa de atendimento para o HU, pois, segundo a
socorrista, a espera naquele hospital era de 6 horas naquele momento.
Enquanto
isso o Virginio ligava para o Gabriel em casa (que não estava treinando por
conta das dores pós Ushuaia) e avisou que eu tinha torcido o tornozelo e que já
estavam me levando pro hospital.
Adivinha
se na cabeça dele não passou “deve ter sido mais grave, se ela foi atropelada,
claro que só vão dizer que ela torceu o tornozelo...”
Depois
de o raio x mostrar que tava tudo inteirinho, restou imobilizar e voltar pra
casa. O Gabriel já estava na sala de espera do hospital me aguardando. Véspera
de feriado prolongado de Páscoa e eu de molho. :/
Ainda
teve mais uns vai-e-vem pro trabalho, atestado médico do meu ortopedista, laudo
de ressonância magnética e então a empresa decidiu que o mais prudente seria eu
me afastar do trabalho pelo INSS.
A lesão foi caracterizada como entorse de
tornozelo de eversão e o laudo da RM mostrou uma rotura completa do ligamento
talofibular anterior. Resumindo, entorse de tornozelo grau III.
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| Tentativa de trabalhar |
![]() |
| E como consequência, o inchaço |
Fiquei
3 meses em casa. O primeiro mês sem andar. Ia da cama pro sofá-cama na sala e
vice-versa.
Me deslocava o mínimo possível e somente com uso do robofoot.
Só ia pro banho depois que o Gabriel chegava em casa pra me
socorrer de um eventual escorregão. Passei a comer mal pra não ter que ficar em
pé cozinhando, tomava pouco líquido pra adiar a ida ao banheiro, assisti tv aos montes. Filmes bons, ruins, pela metade,
repetidos, bobos, desenhos e afins.
Me deslocava o mínimo possível e somente com uso do robofoot.
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| Sofá-cama virou habitat natural |
Lesionei no dia 17/04 e iniciei as
sessões de fisioterapia no dia 12/05. Foram 30 sessões de fisioterapia (intensivas,
na minha cabeça) às segundas, quartas e sextas feiras. Só perdi duas sessões
por causa dos jogos do Brasil e a terceira porque o ortopedista atrasou o
atendimento e não deu tempo de chegar na fisio.
A partir dessa semana eu
finalmente comecei a enxergar uma luz no fim do túnel, pois o tempo de
recuperação de uma lesão desse tipo leva por volta de 4 a 6 meses.
Neste momento eu comecei a cogitar passar pra frente algumas inscrições de provas que já tinha pago. A sorte é que foi bem fácil de conseguir isso e a melhor parte é que foi pra amigos, onde pude compartilhar de alguns momentos (Desafio 28 Praias) e da Golden Four que, uma semana antes da prova, parecia ingresso pra jogo da Copa, a procura tava infinitamente maior do que a oferta!
Neste momento eu comecei a cogitar passar pra frente algumas inscrições de provas que já tinha pago. A sorte é que foi bem fácil de conseguir isso e a melhor parte é que foi pra amigos, onde pude compartilhar de alguns momentos (Desafio 28 Praias) e da Golden Four que, uma semana antes da prova, parecia ingresso pra jogo da Copa, a procura tava infinitamente maior do que a oferta!
Até que chegou o dia de subir
na esteira pra correr (leia-se: trotar) pela primeira vez. Estava ansiosa, mas
muito apreensiva.
Já estava fazendo caminhadas na
esteira, porém, até então, nada de acelerar a velocidade!
Subi na esteira e o Felipe (da Reaction Fit - excelente profissional, diga-se de passagem - Instagram dele) foi
acelerando a esteira de uma maneira bem gradativa. Fui andando cada vez mais
rápido, mas com medo de soltar o trote. No momento em que soltei o trote e ele
pediu pra ficar ao menos 30 segundos no trote, fui sentindo a dor do tornozelo
irradiando pro restante do pé e, sim, chorei de dor. Pedi pra parar porque eu
não ia aguentar.
O processo foi chato, porém,
após mais uns minutos de caminhadinha, mais 30 segundos de trote. Num semi-choro cumpri o
programado achando que demoraria uma eternidade para correr novamente...
A partir de então as próximas
sessões foram mais tranquilas, com menos insegurança e mais esperança! Passei a realizar os exercícios e trotinhos (vídeo do trote) com menos dificuldade.
A prova alvo do 2º semestre (Bombinhas) estava se aproximando! Passei a trotar por mais tempo, recuperando também, gradativamente, o cardiorrespiratório.
Além de todo o processo andar/caminhar/trotar, eu ainda sentia dificuldades em articular o pé pra baixo e pra cima. Basicamente eu não conseguia subir e descer escadas confortavelmente.
Fui então fazendo exercícios de simulação de escadas incluindo instabilidade (vídeo aqui).
O próximo passo foi o deslocamento lateral e saltinhos (vídeo aqui).
E finalmente eu consegui trotar com pouca dificuldade (vídeo aqui)!
A dor ainda me acompanha (ainda mais pós-Bombinhas), mas faz parte da recuperação e um dia ela vai me largar, garante o fisioterapeuta.
Queria passar aqui um pouco do
infortúnio que é uma lesão grave, principalmente pra quem treina regularmente. A
endorfina some, surge uma insatisfação, decepção, sentimento de invalidez
(principalmente por depender de outra pessoa pra tanta coisa), falta de esperança, quase depressão.
O bom humor vai embora e a paciência também.
Depois de a lesão acontecer comigo, entendi a importância de não pular etapas, não acumular distâncias nunca antes testadas com frequência, de respeitar os sinais que o corpo nos mostra.
Entendi também que, SIM, eu consigo terminar uma meia maratona na semana que vem, mas que o meu corpo NÃO está preparado pra isso.
Um outro fator importantíssimo pra quem pratica corrida (ainda mais corridas de montanha em que há irregularidade de terreno) é o fortalecimento muscular. Você garante melhor rendimento e, principalmente, reduz as chances de se lesionar. Hoje eu percebo que se tivesse feito o fortalecimento do tornozelo com exercícios de equilíbrio e propriocepção, nada disso teria acontecido, ou teria, porém, com menor gravidade.
Respeite seu corpo, respeite suas dores, vá ao médico quando sentir qualquer desconforto. Não espere acontecer com você também!! Fica a dica!!
Depois de a lesão acontecer comigo, entendi a importância de não pular etapas, não acumular distâncias nunca antes testadas com frequência, de respeitar os sinais que o corpo nos mostra.
Entendi também que, SIM, eu consigo terminar uma meia maratona na semana que vem, mas que o meu corpo NÃO está preparado pra isso.
Um outro fator importantíssimo pra quem pratica corrida (ainda mais corridas de montanha em que há irregularidade de terreno) é o fortalecimento muscular. Você garante melhor rendimento e, principalmente, reduz as chances de se lesionar. Hoje eu percebo que se tivesse feito o fortalecimento do tornozelo com exercícios de equilíbrio e propriocepção, nada disso teria acontecido, ou teria, porém, com menor gravidade.
Respeite seu corpo, respeite suas dores, vá ao médico quando sentir qualquer desconforto. Não espere acontecer com você também!! Fica a dica!!














