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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Circuito das Serras - Etapa Paranapiacaba 12km

O que dizer sobre Paranapiacaba?

Aqui na região de São Paulo - Capital, 2 de cada 3 corredores de montanha nutrem um carinho especial por esse distrito de Santo André.
Seja por que esta foi sua porta de entrada para o trail running, seja pela certeza de que - não importa quais sejam as condições climáticas no resto do Estado de São Paulo - você irá encontrar neblina, chuva e muita lama.

No nosso caso, Paranapiacaba foi nossa primeira prova trail no Brasil, lá para o início de 2013. Em 2014 eu estava aguado para correr por lá novamente, mas uma lesão me deixou de fora, chupando o dedo, enquanto a Cris corria... eu já havia até comprado um Salomon SpeedCross em dezembro de 2013 pensando especificamente nessa prova, mas ele teve de aguardar mais de um ano até ser batizado na lama de Paranapiacaba!

E então surgiu o Circuito das Serras 2015 com uma etapa localizada justamente ali. Oportunidade que não poderíamos deixar passar, logicamente.

Fizemos a inscrição para os 12km (pois o mês de novembro já estava bem cheio em nosso calendário e não seria prudente encaixar mais uma prova de 21km ali no meio) e aguardamos ansiosamente a data da prova.

A altimetria divulgada no site da prova não impressionava nem um pouco (200m de ganho de elevação em pouco mais de 11km)... mas a gente já sabia que o atrativo desse percurso seria outro.

Altimetria divulgada para os 12km do Circuito das Serras - Paranapiacaba
Como de costume, o feriado de finados veio acompanhado de muita chuva, para garantir mesmo que o terreno estaria pura lama.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Relato: 2º Desafio 28 Praias - Ubatuba

Aloha!

Cá estamos novamente!

Após o estrondoso sucesso da primeira edição do Desafio 28 Praias, em julho de 2014, decidimos reunir o Aloha Run mais uma vez para fazer frente ao desafio em 2015.

No ano anterior, como vocês sabem, fomos mal treinados e uniformizados de havaianos e fechamos a prova em 4h32, no quarto lugar entre os trios masculinos.

Esse ano fizemos alguns ajustes na estratégia com o objetivo de papar um lugar no pódio. Claro que a fanfarronice e a diversão continuariam sendo parte essencial da equipe, mas além disso resolvemos inverter a ordem dos corredores, adequando cada trecho ao corredor que melhor se adaptava ao terreno.

Desse modo, o Gustavo passou o primeiro trecho (>12km com 650mD+) para mim e eu passei os trechos 2 e 3 (+/-11km com 150m D+) para ele. O Will manteve os trechos 4 e 5 e tinha a missão de tentar melhorar sua já excelente performance do ano anterior. Eu acreditava que, se estivesse inspirado, conseguiria baixar o tempo do Gustavo em uns 6 ou 7 minutos e tinha a certeza de que o Gustavo iria conseguir limar pelo menos uns 10 minutos do meu tempo do ano passado.

E assim, no sábado de manhã, colocamos nosso novo uniforme, posamos para algumas fotos e nos dirigimos aos nossos pontos de largada.


Bigode: o sinal máximo do comprometimento com a equipe
Impossível negar que eu estava bastante nervoso. Afinal, a responsabilidade era grande! Eu havia decorado as parciais do Gustavo no ano anterior e sabia mais ou menos quanto tempo eu deveria fazer nos km 5, 7 e 10 para baixar o tempo dele. Só não sabia quanta força teria de fazer para conseguir essa proeza.

Para não "poluir" o uniforme, resolvi que não levaria mochila de hidratação. Ao invés disso coloquei duas garrafas flexíveis da Ultimate Direction nos bolsos da bermuda de compressão e torci para que os 400ml de cada garrafa bastassem para concluir o percurso.

Diferentemente do que costumo fazer, resolvi que largaria lá na frente, para não perder tempo ultrapassando os corredores mais lentos nos quilômetros iniciais.

Às 7h15 soou a buzina e sebo nas canelas! Tentei acompanhar o pelotão de frente, mas depois de uns 300m vi que o que estava fazendo seria um tiro no pé. Estava muito rápido para o meu gosto e corria o risco de quebrar antes de completar 1km e estragar os planos da equipe.

FÓÓÓÓÓÓNNNNN - tentando acompanhar o pelotão de frente na largada
Mesmo tendo tirado um pouco o pé do acelerador antes de completar 500m o estrago já estava feito. Assim que surgiu a primeira subida, em estrada de terra, fui forçado a dar uns 5 ou 6 passos andando para recuperar o fôlego. E eu já havia treinado nessa estrada antes e sabia que era possível percorrê-la inteira sem parar para andar... "paciência, Gabriel, aos poucos você recupera isso", eu dizia para mim mesmo.

Os primeiros 3 ou 4km alternam subidas e descidas em estrada de terra e são bastante corríveis. Minha estratégia era fazer esses quilômetros de forma bem forte e tentar alcançar os "retardatários" das duplas e solos que haviam largado às 7h antes que eles entrassem na trilha.

O percurso conta com 3 ou 4km de estrada de terra e o restante é de puro single track (com uns 200m de praia de areia fofa), isto é, uma vez dentro da trilha não haveria muitas oportunidades de ultrapassagem.

Tá aí a Altimetria do trecho 1

Infelizmente, só consegui alcançar os corredores mais lentos das duplas e solos depois de entrar na trilha. Felizmente, a maioria deles foi bem gentil e abria passagem sempre que eu pedia.

Para os que estavam muito concentrados em seus fones de ouvido ou cansados demais para interpretar meus pedidos de licença eu simplesmente lançava um "PELA DIREITA/ESQUERDA" e enfiava o corpo entre o barranco e o corredor. Sem maiores estresses. rs

Considerando que estávamos contornando a costa, o single track era sempre entre um barranco para baixo (direita) e um barranco para cima (esquerda), então eu tinha que aumentar a velocidade para sair da trilha, subir o barranco e fazer a ultrapassagem "andando pela parede" (quase um parkour rs), mas sem comprometer a segurança dos outros corredores e a minha.

Consegui ultrapassar bastante gente nas subidas (eu estava bastante "inspirado"... mesmo nos trechos mais inclinados eu fazia questão de andar o mais rapidamente possível, deixando para recuperar o fôlego somente quando ficava preso atrás de alguém na trilha) e, surpreendentemente, consegui ultrapassar ainda mais gente nas descidas!

Eu me considero bastante pato nas descidas, mas ainda assim tentei segurar o corpo o menos possível e deixar a gravidade fazer o resto. Total desapego aos dentes! kkkk

Mesmo nas travessias de riachos com pedras (4 ou 5 travessias dessas pelo percurso) eu dava um jeito de ultrapassar os corredores mais cautelosos. Ou eu saía correndo pelo meio do curso d'água sem considerar o risco de torcer o pé/escorregar/cair, ou então eu pegava embalo e simplesmente saltava sobre o riacho (e voava por cima de um ou dois corredores no meio do caminho, me sentindo o próprio "Cavalo de Fogo"! rsrs).

Ok...um cavalo roxo, com crina ruiva, voando numa nuvem de purpurina não é um símbolo muito condizente com meu bigode
Quando atingi a marca de 5km vi que estava 4min mais rápido que o tempo do Gustavo. No km 7 estava quase 10min mais rápido. Fiquei um pouco preocupado de gastar energia demais no começo da prova e ter de me arrastar nos quilômetros finais, mas o "modo competição" estava ativado e eu não estava disposto a relaxar o passo.  Como disse o Gustavo, quem usa bigode é obrigado a sustentar a pose! rs

Lá pelo nono quilômetro comecei a ficar preocupado... minha água estava quase no fim. Ainda faltavam 3km e algumas subidas (inclusive uma bem violenta) e comecei a racionar a água. "Bebia" só uma gotinha por vez.

Ao longo do trajeto bastante gente mexia comigo - era "mexicano" daqui, "mariachi" de lá - e isso me motivava ainda mais! Teve até um caso que achei engraçado que foi um rapaz que me passava nas subidas e eu o passava de volta nas descidas... lá pela 4ª ou 5ª vez que ele passou por mim ele disse "Ôh, Chapéuzinho, quantos chapéuzinhos têm aqui na trilha? Eu te passo toda hora e daqui a pouco você aparece na minha frente outra vez!" rsrs

Continuei forçando o ritmo e lá pelas tantas deu pra ver a praia de Caçandoca e o PC 2 lá embaixo. Era só completar mais essas centenas de metros finais e passar a bola adiante. A organização havia colocado uma corda para auxiliar na descida do morro para a praia mas, ao invés de a utilizar, inclinei o corpo para a frente e dei umas passadas largas e um salto para chegar logo na areia e dar um sprint final.

Com o coração na boca passei o chip pro Gustavo, que fez questão de me dar um abraço antes de sair correndo, e só então pausei o Garmin: 1h31!
Nos meus sonhos mais loucos e ousados eu imaginava que faria o trecho em 1h44-1h46! O Gustavo havia feito em 1h52 em 2014!

A minha parte estava entregue! Dali para a frente caberia aos demais Mariachis do Aloha Run carregar a tocha com empenho até o pórtico de chegada.

Mantivemos contato por whatsapp e estávamos sempre informados do desempenho dos demais integrantes.

O Gustavo fez os trechos 2 e 3 em aproximadamente 52 minutos (incluindo a travessia do Rio Maranduba pelo meio da água, ao invés de pegar o barco da organização) e destruiu meu tempo do ano passado (mesmo que o percurso tenha sido alterado entre os PC's 2 e 3, a distância final foi a mesma).

Enquanto esperava o Gustavo chegar, o Will ficou contando quantos trios passavam pelo PC. Quando o Gustavo entregou o chip a ele a estimativa era que havia somente dois trios na nossa frente. Bastava administrar que uma vaga no pódio seria nossa. Ele não só administrou como ainda conseguiu baixar alguns minutos do seu tempo de 2014! Monstro!

Will focado na chegada (nem desviou o olhar para as moçoilas ao fundo rsrs)
Voando baixo!
Por motivos alheios à nossa vontade, não foi possível presenciar a chegada do Will e tirar foto com os três cruzando a linha ao mesmo tempo. No total estávamos em 5 equipes (2 trios, 2 quartetos, 1 dupla) e a logística acabou ficando embolada, então só chegamos à Praia Dura muito tempo depois de o Will ter terminado a prova.

Claro que isso não impediu nossa farra, já que assim que conseguimos nos reunir outra vez fizemos questão de tomar uma cerveja com tequila e tocar nossas violinhas para celebrar! rs




Além da nossa festa, eu estava bastante feliz pela Cris.
Ano passado ela estava inscrita mas não pôde correr em função do rompimento de um ligamento do tornozelo e esse ano ela montou um trio com a irmã (Karol) e uma amiga (Milena) e ficou responsável pelo trecho 1 (finalizado em louváveis 2h04!).

Cris largando para os 12km do Trecho 1

Trio Feminino Se Ela Corre Eu Corro finalizando o Desafio 28 Praias

Enquanto bebericávamos nossas cervejas e ouvíamos piadas acerca de nossos bigodes, a organização tratou de postar no mural o resultado parcial. Adivinha só: Aloha Run em terceiro lugar nos trios masculinos, com 4h02:17 de prova! 20º melhor tempo no geral (de 287 equipes que concluíram a prova abaixo de 7h).

Mais sucesso que nosso uniforme, só o uniforme da Minnie




Ah, meu amigo, aí a euforia ficou como a zoeira: sem limites!



Felicidade incomparável de ver a execução de um projeto sair ainda melhor que o planejado!

Mas a ficha só caiu mesmo quando fomos chamados ao pódio e a galera começou a entoar "Mexicanos! Mexicanos! Mexicanos!"... surgiu até uma bandeira do México ali no meio! Surreal! rsrs





O melhor de tudo foi a constatação de que toda a zica que me perseguiu durante todo o ano de 2014 foi deixada para trás, uma vez que meus dois objetivos desse primeiro semestre foram atingidos com sucesso (25km sem sofrimento na Trail Adventure Torres de Paine - Chile; e pódio no Desafio 28 Praias de Ubatuba!).

E eu achando que depois dos 30 anos não pegaria mais nenhum pódio!
Por fim, palmas para organização que mais uma vez orquestrou uma prova impecável, muito bem demarcada, com muitos staffs ao longo das trilhas, postos bem abastecidos, rápida divulgação dos resultados e excelente estrutura!

Fica agora a questão: Se em 2014 fomos de havaianos e em 2015 de mexicanos, qual será o uniforme de 2016?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Relato: Ritmo Vertical Mountain Race Brazil

Fiquei meio em dúvida se arquivava esse texto como Relato de Prova ou como Miscelânea, mas como o Ritmo Vertical foi efetivamente uma prova - mesmo que eu não tenha competido - resolvi deixar como relato de prova mesmo...

Vamos ao relato!

Fanático que sou por acompanhar as provas de trail e ultra no Brasil e no exterior, fiquei extremamente empolgado com a notícia de que a Ritmo Certo organizaria a primeira prova de Km Vertical do Brasil  - e, quem sabe, mesmo da América Latina!

Em algum lugar por aqui

O Km Vertical, por definição da ISF, consiste no tipo de prova em que se acumula 1000m de desnível positivo em, no máximo, 5km de distância (VERTICAL KILOMETER® - Races with  1,000m vertical climb over variable terrain with a substantial incline, not exceeding five kilometres in length.). Resumindo, não se deixe enganar pela distância total percorrida (menos de 5km), pois o percurso é obrigatoriamente casca grossa em razão da inclinação!



Pois bem, no mesmo dia em que as inscrições foram abertas - ainda em abril - fiz questão de garantir minha vaga! A inscrição foi feita do quarto de hotel, em Ushuaia, enquanto aguardava para correr o Mountain Do do Fim do Mundo e, na mesma semana, aproveitei para comprar um par de trekking poles (ou bastões de caminhada) especialmente para correr o Ritmo Vertical. Sim, eu estava muito animado!! rs

A Cris, impressionada com as promessas da organização ("não vai ter algodão doce!" ou "aqui não tem refresco") e sabedora do grau de "sadismo" do Naval (rsrs) resolveu ficar de fora dessa, e foi pra Pinda apenas para me acompanhar. Ela inclusive teve que pedir autorização da FUNAI para fazer esse programa de índio: acordar às 4h da manhã, cair na estrada, dirigir por mais de 2h30 e depois me esperar terminar a prova para então comer e entrar no carro de novo pra voltar pra casa.

A Minnie pode confirmar que a jornada foi cansativa!

No entanto, como um ciclo que nunca se encerra, estou comemorando 01 ano de canelite nas duas pernas (sentindo dores/incômodos nas canelas da hora que acordo à hora que vou dormir) e o ortopedista resolveu tentar um novo tratamento, que exige que eu fique 90 dias sem correr... como calculei que o Vertical envolveria pouca corrida, propriamente dita, decidi participar da prova apenas como trilheiro/trekkeiro/caminhante, isto é, sem correr.

Assim, na manhã quente, seca e ensolarada de 14.09.14, deixei para largar por último, caminhando tranquilamente enquanto os demais corriam à minha frente.

Largando lá atrás, fechando o pelotão na caminhada

Em dois zig-zags (ou seria em um zig e um zag?), já havia um pequeno grupo que tinha parado de correr e começado a caminhar, e acabei os ultrapassando.




Se o percurso da prova fosse literalmente apenas em subida, como eu pensava que seria, não teria me sentido tentado a correr e desafiar as ordens médicas... mas logo no comecinho teve um trecho de uns 15m ou menos que era relativamente plano, antes de entrarmos na trilha, e acabei me empolgando e trotando uns 5 ou 6 passos...

(Foto: Pesqueiro Serra Azul)



Então entramos na mata, levei um escorregão na terra úmida e esquiei de bunda por um metro...rs Dali pra frente resolvi seguir as ordens do 'dotô' e não trotei mais. Essa pequena trilha cortava dois riachos e exigia que andássemos sobre as pedras cheias de limo, num local bem propício para tombos. Por sorte, apesar de escorregar bastante, consegui me manter em pé enquanto um ou outro corredor ia ao chão.




Saindo das pedras podemos dizer que o Ritmo Vertical realmente começou. Estendi meus trekking poles e iniciei a primeira subida, cuja trilha foi aberta pela organização especialmente para a prova. Um verdadeiro paredão! Os bastões ajudaram bastante, e não precisei usar as mãos diretamente para subir a ladeira em quatro apoios.

Em 20 minutos de prova eu já comecei a sentir o cansaço e fome que costumo sentir depois de 1h de atividade física! Como bem disse o Naval (organizador do evento) "a montanha não aceita desafio; respeite-a!".

Então parei para respirar um pouco e tirar umas fotos. Olho pra trás e me deparo com o pesqueiro (largada da prova) lá embaixo!

Vista 'aérea' da área de largada


Olho para cima e vejo só os 'popôs' dos corredores à minha frente! rs

Saca só o paredão ali atrás!



Eu ainda não havia percorrido nem 800m de percurso! Vish, pensei, se os próximos 4km forem assim, estou ferrado (e a Cris vai sofrer bastante me esperando!)!!


Up we go! (Foto: Fatima Gonzaga)

O primeiro quilômetro foi feito em 30 minutos, então comecei a projetar a conclusão do trajeto em aproximadamente 2h15!  Mas foi só esse primeiro quilômetro que era um paredão.
Os demais trechos do percurso, embora sempre em aclive, eram relativamente corríveis (principalmente para quem estava aguado e louco para poder correr... em todo lugar que eu passava eu pensava "aqui dava pra encaixar um trotinho, hein?" rsrs).


(Foto: Fatima Gonzaga)

(Foto: Fatima Gonzaga)
Achava que o visual do percurso seria o tempo todo de tirar o fôlego, mas a verdade é que as trilhas eram em mata bem fechada, então não dava pra ter muita noção de onde a gente estava. Só dava pra saber que estávamos cada vez mais no alto.

Quando finalmente saímos da cobertura das árvores, meu desejo foi atendido! Olha essa paisagem!!




Dali pra frente o terreno ficou relativamente plano e senti uma vontade danada de correr... mas não corri!

Morrendo de vontade de correr nesse single track (mas me segurei!)

Só o cume interessa, e eu estou quase lá! rs

Continuei meu 'passeio no parque' por mais alguns minutos, cruzando com corredores vindo no sentido contrário (após cruzar a linha de chegada era necessário retornar pela trilha até a área de largada), até atingir a área de chegada, onde anotavam nosso número de peito e nos entregavam uma pulseira onde estava anotada a nossa colocação.

Área de chegada (Foto: Ultra Eventos)

Fiquei em 29º na categoria masculina, entre os quase 40 loucos que resolveram encarar essa prova.
Fiquei na área da chegada tomando uma coca cola gelada, comendo uns quitutes e conversando com o pessoal presente antes de iniciar meu retorno ao pesqueiro (a descida acabou levando mais tempo que a subida! Ainda mais porque a todo momento era necessário abandonar a trilha para dar passagem para os mais de 20 motociclistas que estavam brincando por lá).

Confraternizando (Foto: Ultra Eventos)

Com o amigo Nescau, da Ultra Eventos, que apoiou a Ritmo Certo nesta empreitada

Pelas informações divulgadas antes da prova, a chegada seria no cume do Pico do Itapeva, o que garantiria um ganho de elevação total de 1.200m no percurso. Na prática a chegada acabou sendo um pouco antes e, no total, não atingimos o acúmulo de elevação pretendido (mesmo se dermos uma margem de erro de 15% para a precisão do GPS, e considerando que meu Garmin não tem altímetro barométrico, a conta ainda não bate).

Olha só esse paredão no primeiro km!! (Segundo o aplicativo Strava, a inclinação chegou a 49%!! o.O)
Para o alto e avante! (Foto: Gilmar Bezerra)

Mesmo assim, a experiência valeu muito a pena. O lugar era muito bonito, a organização esteve impecável, a trilha estava demarcada de tal forma que era impossível se perder, e o percurso esteve bastante desafiador, mesmo para quem foi lá só pra andar! rs

Além disso, poderei contar pros meus netinhos que estive presente na primeira prova vertical do país, no longínquo ano de 2014! rs

A "lembrancinha" para quem concluiu o desafio dentro do tempo de corte
Também deixei minha assinatura na homenagem feita ao Pesqueiro Serra Azul
___________________

Mais fotos do percurso aqui!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Relato: Matando dois coelhos com uma pedrada só - Corrida de Montanha - Paranapiacaba Páscoa 2013

E então que, motivados pelo nosso novo vício, resolvemos correr uma prova de montanha no feriado da páscoa!

Destino: a pitoresca Paranapiacaba! 

Havia já algum tempo que queria conhecer o local. E aliar a visita cultural à corrida era uma excelente forma de matar dois coelhos com uma pedrada só (não se preocupem! Nenhum coelho foi ferido durante essa prova no feriado de páscoa! Se você não ganhou ovo, a culpa não foi minha).

Diferentemente do que normalmente ocorre, essa prova teria início na parte da tarde. Assim, tivemos tempo de almoçar e pegar a estrada com calma até o local do evento.

Além da prova de 12km (para a qual estávamos inscritos), haveria uma prova curta (8km, se não me falha a memória) e um endurance de 50km, cuja largada tinha sido dada pela manhã.

Como estréia efetiva* nas provas de montanha no Brasil, Paranapiacaba não deixou nada a desejar! 

Para início de conversa, o percurso teve de ser alterado - de 12km para 14km. Detalhe: Nós estávamos treinando para correr 10km e nossa ideia era "quem corre 10km, corre 12km"...na hora tivemos de alterar a filosofia para "e quem corre 12km, corre 14km. Certo?"
E lá fomos nós!

A prova tinha tudo o que uma prova de montanha tem a oferecer: paisagens belas, subidas sem fim, longos trechos por dentro de riachos (com água na cintura, em alguns pontos), erosões e lama, muita lama escorregadia.

Fiquei feliz de estar calçado com meus Asics Fuji Racer! O sistema de drenagem e o solado específico ajudaram bastante (não, o post não é patrocinado! rs É que acho importante ressaltar que calçados específicos para provas off road fazem a diferença... Perguntem pra Cris, que correu de Nimbus! rs).

Pouco depois da largada já tivemos de encarar uma 'subidinha' - daquelas que te fazem botar a língua para fora da boca. Na sequência uma descida em estrada de terra um tanto quanto agressiva e ao término dessa descida nos deparamos com uma fila... sim, uma fila! rs

A fila era para acessar um single track (de não mais que 10m) e então entrar no rio.
Devo ter perdido uns bons 3 minutos nessa fila. E quem tentava "cortar" a fila era prontamente vaiado. Bom, considerando que aquilo era uma competição, não fazia o menor sentido aguardar minutos e minutos em fila até poder "cair na água" só porque algumas pessoas estavam com nojinho ou indecisas sobre qual a melhor forma de entrar no rio (acredito que na cabeça dessas pessoas deviam passar algumas dúvidas filosófico-existenciais do tipo: "será que preciso molhar os pulsos antes, pra evitar choque térmico?" ou "ai, não acredito que vou ter que molhar a meia antes de completar 2km de percurso").





Não sei ao certo por quanto tempo (e distância) ficamos dentro desse rio, mas depois dele voltamos para a estrada de terra por um curto espaço antes de acessar as trilhas. E aí a coisa ficou bonita de se ver! Muitas erosões e subidas intermináveis, tudo com muita lama!

Se estiver com nojinho de sujar os tênis, fique em casa! 

No caminho era comum as pessoas se ajudarem e informarem quando existia algum obstáculo inesperado (algum galho sacana ou um buraco camuflado), algo que achei muito bacana.




Também foi possível ver o lado negro e egoísta do ser humano movido pela competição cega e irrefreável. Em muitos trechos da trilha era impossível abrir passagem para um corredor que viesse de trás, sob pena de escorregar na lama e cair no fundo de uma erosão. Mesmo assim havia uma corredora que praticamente empurrava os demais corredores enquanto gritava “SAI! SAI!!!” (pois é, nem mesmo um “com licença”)... mas como aqui se faz e aqui se paga, logo em seguida essa corredora pisou em falso e mergulhou na lama de cara e tudo. Passei por ela (sorrindo internamente) e não mais a vi! rsrs


Um flash desse no meio da floresta é a receita certa para um tombo por cegueira temporária! rs


Para coroar o evento, o km final da prova era em declive, o que é genial, pois mesmo que você tenha andado a prova inteira (e é totalmente normal andar em provas de montanha, né), o fato de você correr "desembestadamente" até a linha de chegada dá uma sensação de que você correu em ritmo alucinante durante toda a prova! rs

Foto digna de capa de revista, diz aí! rs (eu vi o fotógrafo na esquina, ajeitei a postura e apertei o passo rs)
Na reta final


Enfim, fomos, corremos, sobrevivemos e confirmamos que nossa praia é mesmo a montanha!
Bom, agora me deem licença que vou ali comer meu ovo de páscoa com Tandrilax e depois eu volto! rs




Altimetria do percurso, segundo o Endomondo da Cris

* digo estreia efetiva pois já havíamos corrido antes no Parque Ecológico do Tietê (a Cris correu duas provas e eu corri uma), mas lá é mais uma prova cross country do que de montanha, já que o percurso é inteiramente plano.