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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Relato: Ritmo Vertical Mountain Race Brazil

Fiquei meio em dúvida se arquivava esse texto como Relato de Prova ou como Miscelânea, mas como o Ritmo Vertical foi efetivamente uma prova - mesmo que eu não tenha competido - resolvi deixar como relato de prova mesmo...

Vamos ao relato!

Fanático que sou por acompanhar as provas de trail e ultra no Brasil e no exterior, fiquei extremamente empolgado com a notícia de que a Ritmo Certo organizaria a primeira prova de Km Vertical do Brasil  - e, quem sabe, mesmo da América Latina!

Em algum lugar por aqui

O Km Vertical, por definição da ISF, consiste no tipo de prova em que se acumula 1000m de desnível positivo em, no máximo, 5km de distância (VERTICAL KILOMETER® - Races with  1,000m vertical climb over variable terrain with a substantial incline, not exceeding five kilometres in length.). Resumindo, não se deixe enganar pela distância total percorrida (menos de 5km), pois o percurso é obrigatoriamente casca grossa em razão da inclinação!



Pois bem, no mesmo dia em que as inscrições foram abertas - ainda em abril - fiz questão de garantir minha vaga! A inscrição foi feita do quarto de hotel, em Ushuaia, enquanto aguardava para correr o Mountain Do do Fim do Mundo e, na mesma semana, aproveitei para comprar um par de trekking poles (ou bastões de caminhada) especialmente para correr o Ritmo Vertical. Sim, eu estava muito animado!! rs

A Cris, impressionada com as promessas da organização ("não vai ter algodão doce!" ou "aqui não tem refresco") e sabedora do grau de "sadismo" do Naval (rsrs) resolveu ficar de fora dessa, e foi pra Pinda apenas para me acompanhar. Ela inclusive teve que pedir autorização da FUNAI para fazer esse programa de índio: acordar às 4h da manhã, cair na estrada, dirigir por mais de 2h30 e depois me esperar terminar a prova para então comer e entrar no carro de novo pra voltar pra casa.

A Minnie pode confirmar que a jornada foi cansativa!

No entanto, como um ciclo que nunca se encerra, estou comemorando 01 ano de canelite nas duas pernas (sentindo dores/incômodos nas canelas da hora que acordo à hora que vou dormir) e o ortopedista resolveu tentar um novo tratamento, que exige que eu fique 90 dias sem correr... como calculei que o Vertical envolveria pouca corrida, propriamente dita, decidi participar da prova apenas como trilheiro/trekkeiro/caminhante, isto é, sem correr.

Assim, na manhã quente, seca e ensolarada de 14.09.14, deixei para largar por último, caminhando tranquilamente enquanto os demais corriam à minha frente.

Largando lá atrás, fechando o pelotão na caminhada

Em dois zig-zags (ou seria em um zig e um zag?), já havia um pequeno grupo que tinha parado de correr e começado a caminhar, e acabei os ultrapassando.




Se o percurso da prova fosse literalmente apenas em subida, como eu pensava que seria, não teria me sentido tentado a correr e desafiar as ordens médicas... mas logo no comecinho teve um trecho de uns 15m ou menos que era relativamente plano, antes de entrarmos na trilha, e acabei me empolgando e trotando uns 5 ou 6 passos...

(Foto: Pesqueiro Serra Azul)



Então entramos na mata, levei um escorregão na terra úmida e esquiei de bunda por um metro...rs Dali pra frente resolvi seguir as ordens do 'dotô' e não trotei mais. Essa pequena trilha cortava dois riachos e exigia que andássemos sobre as pedras cheias de limo, num local bem propício para tombos. Por sorte, apesar de escorregar bastante, consegui me manter em pé enquanto um ou outro corredor ia ao chão.




Saindo das pedras podemos dizer que o Ritmo Vertical realmente começou. Estendi meus trekking poles e iniciei a primeira subida, cuja trilha foi aberta pela organização especialmente para a prova. Um verdadeiro paredão! Os bastões ajudaram bastante, e não precisei usar as mãos diretamente para subir a ladeira em quatro apoios.

Em 20 minutos de prova eu já comecei a sentir o cansaço e fome que costumo sentir depois de 1h de atividade física! Como bem disse o Naval (organizador do evento) "a montanha não aceita desafio; respeite-a!".

Então parei para respirar um pouco e tirar umas fotos. Olho pra trás e me deparo com o pesqueiro (largada da prova) lá embaixo!

Vista 'aérea' da área de largada


Olho para cima e vejo só os 'popôs' dos corredores à minha frente! rs

Saca só o paredão ali atrás!



Eu ainda não havia percorrido nem 800m de percurso! Vish, pensei, se os próximos 4km forem assim, estou ferrado (e a Cris vai sofrer bastante me esperando!)!!


Up we go! (Foto: Fatima Gonzaga)

O primeiro quilômetro foi feito em 30 minutos, então comecei a projetar a conclusão do trajeto em aproximadamente 2h15!  Mas foi só esse primeiro quilômetro que era um paredão.
Os demais trechos do percurso, embora sempre em aclive, eram relativamente corríveis (principalmente para quem estava aguado e louco para poder correr... em todo lugar que eu passava eu pensava "aqui dava pra encaixar um trotinho, hein?" rsrs).


(Foto: Fatima Gonzaga)

(Foto: Fatima Gonzaga)
Achava que o visual do percurso seria o tempo todo de tirar o fôlego, mas a verdade é que as trilhas eram em mata bem fechada, então não dava pra ter muita noção de onde a gente estava. Só dava pra saber que estávamos cada vez mais no alto.

Quando finalmente saímos da cobertura das árvores, meu desejo foi atendido! Olha essa paisagem!!




Dali pra frente o terreno ficou relativamente plano e senti uma vontade danada de correr... mas não corri!

Morrendo de vontade de correr nesse single track (mas me segurei!)

Só o cume interessa, e eu estou quase lá! rs

Continuei meu 'passeio no parque' por mais alguns minutos, cruzando com corredores vindo no sentido contrário (após cruzar a linha de chegada era necessário retornar pela trilha até a área de largada), até atingir a área de chegada, onde anotavam nosso número de peito e nos entregavam uma pulseira onde estava anotada a nossa colocação.

Área de chegada (Foto: Ultra Eventos)

Fiquei em 29º na categoria masculina, entre os quase 40 loucos que resolveram encarar essa prova.
Fiquei na área da chegada tomando uma coca cola gelada, comendo uns quitutes e conversando com o pessoal presente antes de iniciar meu retorno ao pesqueiro (a descida acabou levando mais tempo que a subida! Ainda mais porque a todo momento era necessário abandonar a trilha para dar passagem para os mais de 20 motociclistas que estavam brincando por lá).

Confraternizando (Foto: Ultra Eventos)

Com o amigo Nescau, da Ultra Eventos, que apoiou a Ritmo Certo nesta empreitada

Pelas informações divulgadas antes da prova, a chegada seria no cume do Pico do Itapeva, o que garantiria um ganho de elevação total de 1.200m no percurso. Na prática a chegada acabou sendo um pouco antes e, no total, não atingimos o acúmulo de elevação pretendido (mesmo se dermos uma margem de erro de 15% para a precisão do GPS, e considerando que meu Garmin não tem altímetro barométrico, a conta ainda não bate).

Olha só esse paredão no primeiro km!! (Segundo o aplicativo Strava, a inclinação chegou a 49%!! o.O)
Para o alto e avante! (Foto: Gilmar Bezerra)

Mesmo assim, a experiência valeu muito a pena. O lugar era muito bonito, a organização esteve impecável, a trilha estava demarcada de tal forma que era impossível se perder, e o percurso esteve bastante desafiador, mesmo para quem foi lá só pra andar! rs

Além disso, poderei contar pros meus netinhos que estive presente na primeira prova vertical do país, no longínquo ano de 2014! rs

A "lembrancinha" para quem concluiu o desafio dentro do tempo de corte
Também deixei minha assinatura na homenagem feita ao Pesqueiro Serra Azul
___________________

Mais fotos do percurso aqui!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Vídeo: Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha - Pico do Urubu



Editamos um "pequeno" vídeo com cenas gravadas durante a etapa "Pico do Urubu" do Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha, ocorrida em 02.02.14.

O relato dessa prova está aqui!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Relato: Pico do Urubu - O seu limite nem sempre é você quem cria

Sabe aquela prova que não era pra você correr por uma série de fatores (falta de treinamento, lesão, falta de $$, etc., etc.) e você acaba se inscrevendo mesmo assim e por apenas um fator (empolgação)? Pois é, o Circuito Metropolitano de Carrera em Montanha - Etapa Pico do Urubu, da Ritmo Certo, foi assim.

Não tínhamos a pretensão de correr tão cedo esse ano, já que ainda estamos no período de base de nosso treinamento e voltando de férias (e eu ainda lesionado). Ocorre que alguns amigos haviam dito que iam correr essa prova, a gente se empolgou, fez as inscrições para correr 10km e quando viu os "modafocas" tinham desencanado de participar! rs

Aproveitamos e chamamos mais um casal de amigos que tinha vontade de estrear em montanha e formamos nosso "bonde" para a conquista do Pico do Urubu, sob o lema de "O seu limite é você quem cria" (bordão da organização).

Nós e os estreantes, prontos para a largada!
O calor e o tempo seco estavam castigando a região já há algum tempo, então dava pra imaginar que a prova não seria nenhum algodão doce.

A largada foi dividida em 3, para evitar o congestionamento na saída do Sítio do Simei - onde a prova iria iniciar e terminar, e às 8h30 largaram os atletas dos 21km, às 8h45 os dos 10km e às 9h00 saíram os corredores dos 5km - modalidade escolhida pelos nossos amigos para estrear nas montanhas.

Resolvi aproveitar a prova para testar minhas recentes aquisições em condições reais: Pearl Izumi Trail N2 e colete de hidratação da Ultimate Direction modelo AK Race Vest. Esse colete tem como padrão duas garrafas de ~600ml, mas como a prova teria apenas 10km e a organização oferece água no percurso, resolvi colocar duas garrafas de ~300ml nos bolsos, para reduzir o peso.

Eu havia estudado o percurso e a altimetria divulgados ao longo da semana e tentei bolar uma estratégia para não ficar preso no congestionamento quando começasse a parte de single track (apesar de não ser possível saber onde era estrada e onde era trilha só de olhar no mapa do percurso...rs). Em todo caso, eu vi que seriam aproximadamente 7,5km de subidas graduais e 2,5km de descida até perto da linha de chegada  - chegada essa que por puro sadismo ficava no alto de uma subida, dentro do sítio.

Percurso e Altimetria ""oficiais"" para os ""10km""
O grande Locutor Maquininha anunciou a largada, dei meu selinho de boa prova na Cris e lá fomos nós.
Eu, sem ritmo e sem condicionamento como estava, fui no "devagar e sempre" até a primeira subida, onde reduzi o comprimento das passadas e continuei meu trote leve.




O calor já estava insuportável. Desde a primeira subida senti necessidade de tomar água das minhas garrafinhas. O lado bom é que naquele momento eu não estava sentindo dores nas tíbias, então pensei que se conseguisse manter aquele ritmo por 10km, as dores não iriam me incomodar.



Continuamos subindo, subindo e subindo e, de tempos em tempos, passávamos por bifurcações com placas indicando 21km para a esquerda e 10km para a direita, sempre com um ou dois staffs por perto.
Eu, que adoro subidas, já estava um pouco de saco cheio de tanto subir - principalmente por causa da minha falta de condicionamento. Finalmente saímos da estrada de terra e viramos à esquerda num single-às-vezes-double track em declive acentuado, com uma bela vista.


Essa descida durou uns 3 minutos e fui bem na maciota, para evitar impactos muito fortes.
Ao longo do caminho passamos por eucaliptos cortados e empilhados nos dois lados da trilha, passamos por um single track em meio a raízes, galhos e folhas secas, no estilo switchback (ou zig-zag) e em aclive.



Saímos dali e nos deparamos com uma ladeira em concreto, bem acentuada, onde a única forma de locomoção era a caminhada.


Pouco tempo depois, comecei a reparar que algumas imagens pareciam repetidas... aquela sensação de deja vu, sabe? Ainda assim, desliguei o meu sensor-É-Cilada-Bino e prossegui adiante.

Respira, respira, senão o coração salta pela boca! rs

Após uma descida relativamente longa, iniciamos nova subida... na minha cabeça, naquela altura da prova não era mais para ter tanta subida... mas como eu estava o tempo todo seguindo as orientações dos staffs e as placas dos 10km, deixei a inquietação de lado e foquei minhas energias em reclamar mentalmente do calor, da minha ideia tonta de correr sem estar preparado, na minha água que estava acabando e por aí vai.

Entrei novamente num single track e me deparei com o Nelson, que treina comigo e foi para a prova apenas caminhar, já que havia feito uma cirurgia nos joelhos... ele virou para mim e disse "Ué, o que você tá fazendo aqui, Gabriel?? Eu estou caminhando e estou na sua frente? Você pegou o caminho certo??". Aí sim eu fiquei cabreiro. Dali para a frente, comecei a encontrar muitas e muitas pessoas caminhando ou trotando devagar à minha frente. Não era possível que essas pessoas estivessem na minha frente. Não fazia sentido.

Mas eu tinha certeza absoluta que havia seguido todas as placas e orientações dos staffs e não havia tomado o caminho errado... Finalmente saí da trilha e encontrei um staff... bem naquela ladeira de concreto! Perguntei pra ele quanto faltava para acabar e ele me olhou com cara de ponto de interrogação... pedi água e ele disse que não tinha mais. Na minha garrafa faltava uns 100ml de água... Nisso, uma das corredoras ouviu minhas perguntas e deve ter visto minha cara de pânico e disse que quem corria 10km teria que dar duas voltas numa parte do percurso. Apesar de não fazer muito sentido, lembrei de ter visto uns loops no mapa do percurso antes de sair de casa e tentei me apegar a isso. Só que meu GPS já estava marcando 9km nesse momento, e eu ainda estava subindo!!!

Na altura do km 11 eu encontrei mais dois corredores dos 10km com cara de quem tinha acabado de perceber que tinha dado duas voltas no mesmo trecho e um staff com cara de "o que é que eu estou fazendo aqui" e que não sabia responder nenhuma pergunta. Ao invés de sair da pista de terra e entrar na trilha onde o staff estava postado - o que implicaria em dar 3 voltas no mesmo trecho - resolvemos seguir na pista de terra ladeira abaixo, decisão que se mostrou acertada.

Aí minha água acabou, o calor só aumentava, o ânimo foi pro saco e a vontade era de abandonar tudo ali mesmo. Eu não estava preparado para correr nem 10 km, quanto mais a distância final X que teríamos que correr até voltar ao sítio!

Nesse ponto descobri como a nossa mente tem poder sobre nosso corpo. Eu estava cansado, com sede e sofrendo com a falta de condicionamento físico desde o início, mas havia me proposto a correr 10km e faria isso de qualquer forma.
Quando caiu a ficha caiu de que eu havia corrido uma volta a mais e que não sabia quanto mais teria de correr até o final, e de que estava sem água, bom, minha cabeça começou a me mandar mensagens do tipo "meu, desencana... pra quê isso?! você tá machucado, cansado, sem água, não treinou, não vai mais conseguir alcançar ninguém... você nem sabe quanto falta pra acabar! Pra que ter pressa?". Tentei ignorar essas mensagens, mas não tive sucesso. Comecei a andar... NO PLANO!

A sensação era um misto de derrota com "fui feito de otário". O problema é que eu estava com MUITA sede e se eu seguisse andando, poderia levar mais 40 minutos pra terminar! Eu não ia aguentar. Comecei a me xingar por ter feito a inscrição por puro e simples oba-oba e, principalmente, por ter deixado minhas garrafas de 600ml em casa e trazido as de 300ml! PQP... eu TINHA que continuar trotando pra acabar logo essa joça.

Descida? Ok, dá pra correr um pouco... principalmente depois de ter visto o fotógrafo! rs

Então cheguei num ponto onde identifiquei a estrada que levava ao sítio. Nesse ponto deveria faltar ainda um quilômetro para o fim. Finalmente encontrei um posto de hidratação abastecido (mas não muito, pois ouvi uma menina dizer que ela só tinha mais 3 copos d'água), matei meu copo em dois goles - mais babei do que bebi - e segui em frente... caminhando! Minha mente havia vencido e eu já estava falando em voz alta "correr pra quê? é melhor ir andando". Nesse aspecto, o bordão da organização estava certo... foi minha mente que criou o meu limite ali - isso se desconsiderarmos que minha mente vinha muito bem até me mandarem pro lugar errado.

A uns 300m do final havia um botecão. Faltou pouco, mas muito pouco para eu entrar lá e pedir uma cerveja... muito pouco mesmo! Mas segui caminhando e de vez em quando trotando... passei andando pela porteira do sítio e, de cabeça baixa, iniciei a última subida até o pórtico de chegada - só não coloquei as mãos nos bolsos porque eu não tinha bolsos. Nem os gritos do Maquininha, que sempre me empolgam, foram capazes de me tirar da caminhada.

Cruzei o pórtico com 1h48:19 e encontrei a Cris, com cara de desesperada, com medo de que eu tivesse me machucado e estivesse caído no meio do mato esperando por socorro rs... Afinal, ela está acostumada a me ver esperando por ela do outro lado da linha de chegada, e não o contrário. Fiquei bastante aliviado por ela já estar lá, e não ter se perdido também. Ela fechou o percurso (11km, e não 10) em 1h40:50.

Cris prestes a cruzar a chegada

Não sei se alguém tirou foto, mas gostaria de ver minha cara ao terminar essa prova. As pessoas com quem conversei disseram que eu estava transtornado, puto da vida, com cara de quem ia explodir.

No total, os 10km se tornaram 14,2km.
O problema não está nos meros 4,2km a mais (42% a mais). Já corri distâncias maiores que essa e tudo foi bem. A questão é que eu havia me inscrito para 10km, havia corrido pensando em 10km, havia levado água e carboidrato para 10km... quando o GPS marcou 7km e a gente começou a descer, eu sentei a bota pensando que dali para o final seria só descida!!!

Agora compare com o percurso oficial e veja que a parte que tive de fazer duas vezes era justamente a parte mais tensa!

Eu entendo que infortúnios com staff podem acontecer em qualquer prova (seja no Brasil ou no exterior), mas isso poderia ser evitado com algumas placas a mais (ou com staff melhor treinado).

A organização ainda atuou para minimizar o impacto negativo e apaziguar os ânimos exaltados dos corredores que "foram perdidos" - pois eu não me perdi, eu fui induzido a me perder! - e criou na hora uma premiação para a categoria 15km, apenas para os 3 primeiros colocados masculino e feminino (o que agradou somente esses 6 corredores... mas, convenhamos, não tinha muito mais a ser feito).

Como nem tudo são espinhos no Pico do Urubu, deixe-me falar do ponto alto do domingo: a banquinha vendendo churrasquinho com cerveja e ducha/piscina liberadas para o público!

Só uma piscininha pra lavar a alma e tirar a zica mesmo!
Além disso, claro que aproveitamos a oportunidade para socializar com os amigos de outras temporadas e competições e para fazer novos amigos. Afinal, essa é uma das razões de participarmos de tantas provas.

Socializando com o casal louco - que a gente só conhecia da internet! rs
Para finalizar, deixo aqui meus parabéns pra Milena e para o Alê, que agora estão iniciados nos mistérios das montanhas e mandaram muito bem nos 5km!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Relato: A primeira vez a gente não esquece - Desafio em Montanha Campos do Jordão

Uma das coisas que mais gosto nas corridas em montanha  - é bem difícil dizer o que gosto mais - é a possibilidade de aliar turismo e esporte.

A prova seria no dia 11/05, véspera de dia das mães, mas como minha mãe estava viajando, não tive conflito de agenda!

Sexta feira à noite subimos para Campos do Jordão, Cris, Shigueo (meu sogro) e eu.

Nosso hotel ficava duas quadras distante do local escolhido pela Ritmo Certo para a largada do Desafio em Montanha Campos de Jordão 2013. E bota desafio nisso! Aliás, desafio e desafRio! 
Acordamos mais cedo para retirar os kits e a grama estava esbranquiçada. O termômetro marcava parcos 3ºC!



A temperatura foi aumentando gradualmente e, por volta das 9h30, horário da largada, o termômetro já marcava agradáveis 11ºC.


O desafio compreendia 3 provas: 10km, 21km e 42km. 
Tiro meu chapéu para quem correu os 21km e 42km, pois o percurso dessas provas envolvia subir e descer os Picos do Diamante e do Itapeva. Fácil, hein!

Bom, desde a prova de São Sebastião, quando machuquei a perna, havia tentado treinar uma só vez, e a dor não me permitiu trotar nem por 5km... maaaasss, como já estava inscrito pra prova dos 10km besuntei meu joelho de Air Salonpas (pareço garoto propaganda, né?), engoli o choro e encarei o desafio de frente.



Na hora da largada, Cris e eu trocamos nosso habitual selinho de boa sorte, sorrimos para a câmera do Shigueo - que estava nos 'tietando' rs - e sebo nas canelas, cada um no seu ritmo.



A corrida já começava em aclive, e o coração foi à boca! O frequencímetro marcava 187 bpm (o máximo que já havia marcado tinha sido 184 bpm durante o teste de esforço ergométrico!). Intercalei a corrida com caminhadas eficientes (pra poupar as pernas, o pulmão e o coração) e ainda assim o frequencímetro acusava 178 bpm (enquanto minha frequência de caminhada costuma ser 155 +/-). Em determinado momento percebi que olhar para os batimentos estava me deixando mais nervoso e coloquei o Polar (FT1) pra mostrar só o cronômetro mesmo.

Até aquela data, não me lembro de ter andado tanto numa prova! 
O gráfico altimétrico mostra uma 'montanha russa' com três aclives e três declives principais, mas não conseguia recuperar nas ladeiras o tempo perdido caminhando, pois eram justamente as descidas que me agrediam mais.



E durante todo esse tempo eu estava preocupado com a Cris, já que os batimentos dela em repouso já são extremamente altos. Ficava com medo de ela passar mal, sozinha, no meio do nada...

E assim, em um momento preocupado com meu joelho, no outro preocupado com a Cris, e nos intervalos apreciando a paisagem que aquele belo dia de sol proporcionou, passaram-se os 10km.

Nos metros finais era possível ouvir a empolgante locução do Maquininha ("dói tuuuuuddoooo nessa hora"), anunciando cada corredor pelo nome e sobrenome.



Parei o cronômetro, que marcava 1h08:37, me alonguei, tomei água e fui pra tenda do Kleber e da Leda, da Ecoclub, onde meu sogro nos aguardava. Sentei no banquinho e coloquei gelo no joelho enquanto aguardava a Cris. Pude respirar aliviado quando, 20 min depois, a Cris cruzou a linha de chegada sorrindo (e mostrando um arranhão na perna, fruto de um tombo).



Ficamos conversando ali na tenda e algum tempo depois chegou o Kleber, que havia corrido os 21km (cuja largada foi mais cedo). Continuamos ali, trocando figurinhas enquanto a cerimônia de premiação acontecia e, de repente, não mais que de repente, ouço meu nome!




Surpresa: fiquei em terceiro lugar na faixa etária de 18 a 29 anos! Meu primeiro pódio! Felicidade indescritível! Se eu já estava feliz em terminar a prova sem quebrar, imagine subir ao pódio!

Ainda tentei confirmar se não tinha ouvido errado e o Maquininha chamou meu nome novamente. Subi a escada até o pódio ainda meio tremendo de excitação e incredulidade! rs

3º? Confirma produção?"


Nessa prova, estreei meu Fuji Attack, mais robusto e melhor amortecido que o Racer, e já o coloquei na minha lista de itens da sorte! rs

Como a prova acabou no sábado pela manhã, ainda tivemos 1 dia e meio de passeio em Campos (pro Shigueo não reclamar que chamamos ele para um programa de índio! rs).

E Maquininha estava certo... dói, dói tudo nessa hora (e principalmente nas 48h seguintes!).