Translate

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Se ela corre: Simulado do percurso da corrida de todo Santo dia 31/Dezembro

No feriado de 12/outubro estava marcado o simulado do percurso oficial da SS, alguns amigos da JVM estavam comentando que iriam, mas eu, sinceramente, já estava declinando ao primeiro convite.
Na sexta feira cheguei tarde do trabalho, cansada, só queria comer algo, banho e cama. O Gabriel já havia dito que não iria treinar no sábado porque estava com dor na canela e, como a Bertioga-Maresias seria no sábado seguinte, achou melhor poupar esforço e evitar uma lesão que, com certeza comprometeria o rendimento do seu trecho no revezamento. Apesar de termos ido deitar tarde, deixei a roupa de treino e a camiseta vermelha separados!

O celular despertou às 6h15 e levantei logo, afinal o Gabriel iria fazer day off e eu acabaria nem treinando...

Vesti a roupa separada na noite anterior, calcei meu tênis mais confortável, meu xodó Asics Nimbus 13, comi um lanchinho leve e rápido, separei os dois litros de leite que o organizador do simulado, Eder, pede pra cada participante, dei o habitual beijinho de tchau no Gabriel e subi pra Paulista a pé. 

No caminho, descobri que uma amiga que tinha me confirmado sua presença com o marido não iria mais
, mas como eu já estava na rua, acabei indo mesmo assim.
Cheguei meio tímida, falei um bom dia coletivo pra umas doze pessoas que já estavam por ali e entreguei os leites pra uma pessoa que estava organizando a doação em caixas.


Não conhecia ninguém, mas puxei um “Você já fez esse simulado antes?”, “Costuma aparecer muita gente?” Como eu estava vestindo uma camiseta da prova de montanha de Rio Grande da Serra, então uma das pessoas soltou um “Pela sua camiseta a gente já sabe qual o seu perfil!” e o clima já ficou um pouco mais descontraído!

Pouco depois, chegou a Rinara, irmã de uma amiga da JVM que eu já conhecia, então acabei me sentindo um pouco mais à vontade. Coincidentemente nem eu e nem ela tínhamos a intenção de ir ao simulado, mas ela acabou acordando cedo como eu e decidiu ir!


Após alguns minutos foi chegando mais gente. Em seguida, sob o vão do MASP, todos em um grande círculo, começou o alongamento geral liderado por um dos organizadores. Estima-se que havia umas 45 pessoas.




Após os alongamentos e breve aquecimento, finalmente, a “largada”!!



Fizemos o percurso todo juntas. Ainda na Rua Major Natanael o grupo começou a se dispersar, os mais rápidos foram desaparecendo à nossa frente, mas ainda tinha alguns gatos pingados atrás de nós, mas fomos de boa, sem pressa.




Na Av. Duque de Caxias fizemos um trechinho seguindo algumas moças, e, como não tínhamos levado a “cola” do percurso, demos uma erradinha, mas nada que fizesse diferença no percurso total.
Ao descer o Viaduto Dona Paulina, de onde já se via a Brigadeiro, a Rinara quis comprar água na loja de conveniência de um posto de combustível. Como eu sempre levo minha hidratação, ainda tinha o suficiente até completar o percurso e sei que, nessa altura, se parar dá preguiça de continuar, ofereci minha água e a incentivei a não parar!!

No começo da Brigadeiro a subida é bem suave e, da metade pra frente, a subida se faz notar para os que estão pouco acostumados. Como em toda subida de montanha, mantive o passinho curto e movimentando bem os braços pra frente e pra trás e disse à ela para fazer o mesmo e que ajudaria bastante para não precisar andar.

Ao avistar o hipermercado, o alívio do fim da subida! Viramos à direita na Av. Paulista e foi só correr até o MASP, onde o pessoal que já tinha terminado o percurso estava se reunindo novamente.




Tiramos algumas fotos, convidei-a para juntar-se à nossa equipe feminina no revezamento Bertioga-Maresias e nos despedimos.

Resultado do Simulado: 45 pessoas, 80 litros de leite arrecadados para doação para as crianças do instituto COTIC, muitas fotos, rever amigos e fazer amigos!

Balanço final: leve dor atrás do joelho direito, um pouco de cansaço, afinal o total de 16km estava totalmente fora do planejado, mas fizemos em 1 minuto a mais do que concluí na prova oficial, em Dezembro/2012. Considerando que o tráfego estava normal, que em alguns trechos tivemos que esperar para atravessar a rua, aguardar nossa vez no sinal de pedestres, fizemos em um tempo ótimo!!

Pra quem se interessou, dias 03 e 15/Novembro tem mais Simulado da SS!!

Relato: A gente sofre, mas se diverte! CP - Etapa Cantareira

No último domingo (27.10.2013) disputamos a penúltima etapa da Copa Paulista de Corridas em Montanha. Ufa! rs


Não me leve a mal, adoro correr (não sei se já deu pra perceber), mas estruturei meu calendário de corridas muito strogonofficamente emboladamente esse ano, e esse excesso de provas em curto espaço de tempo vem cobrando seu preço (perda de rendimento, dores e inflamações no corpo e afins). Enfim, falta pouco, vamos que vamos!

A penúltima etapa da Copa Paulista, intitulada Etapa Serra da Cantareira, ocorreu em Mairiporã, com largada e chegada no Pesqueiro Vale de Santo Ari. Bem pertinho de São Paulo, fácil acesso e com excelente estrutura (geralmente é difícil encontrar banheiros impecáveis após as corridas, e eles valem ouro! Ouro!!! rsrs Parabéns ao pesqueiro!).

Chegamos com quase duas horas de antecedência (achamos que a viagem levaria mais tempo) e aproveitamos pra colocar o papo em dia com o pessoal  - é muito legal ver que a cada prova o círculo de amizades vai se expandindo.

O dia amanheceu nublado e um pouco frio - na estrada pegamos até garoa - mas um pouco antes da largada, marcada para as 9h, já dava pra sentir o tempo mudando.

Feito o briefing, foi dada a largada para o pessoal que correria o percurso curto (pouco mais de 6 km) e uns 10 minutos depois deram a largada para o pessoal do Longo (11,6km). 
A decisão da organização de separar as largadas foi justificada rapidamente: tirando algumas centenas de metros iniciais em estrada de terra, o percurso teve os primeiros 5km praticamente em single track (com bastante lama e esterco rsrs), e a largada dividida evitou o congestionamento nas trilhas! Sábia decisão!


Desde que divulgaram o percurso e a altimetria dessa prova eu já havia me convencido de que essa prova não era pra mim, já que ela tinha um perfil muito rápido e com poucas subidas, então preferi largar lá pra trás, sem pressa e aumentando o ritmo gradualmente (considerando ainda o fato de a minha velha conhecida dor nas tíbias ter marcado presença). 

Percurso e Altimetria - Copa Paulista de Corridas de Montanha Etapa Cantareira
Como o celular não funcionava ali, corri só com o cronômetro, e no 5ºkm vi que não estava correndo tão soltinho quanto eu imaginava: passei a placa de 5km com 23:15!! Do 5º pro 6ºkm tentei me segurar um pouco pois sabia que em breve ia começar um aclive de 2km com ganho de 200m de elevação.
Disseram que o percurso longo teria 4km margeando o rio Juqueri. Só acreditei agora que vi essa foto! Durante a prova eu nem consegui olhar pro lado...rs
A essa altura, o calor já estava insuportável! A todo momento eu pensava "se tiver que cruzar um riacho aqui eu mergulho a cabeça"... mas nada de riacho... Não queria jogar a água da minha garrafa na cabeça porque acabei levando pouca água para essa prova, e não queria ter de parar pra reabastecer no posto de hidratação (existente apenas no 8ºkm).

 


Quando a subida começou pra valer, em meio à mata fechada, minhas pernas já quase não me obedeciam... acho que meu corpo estava se rebelando contra a minha falta de noção de querer correr com dor, leve ressaca, estômago ruim e naquele calor absurdo. 
Que eu me lembre, essa foi a primeira vez que eu perguntei a mim mesmo "o que é que estou fazendo aqui?!" durante uma prova.

Finalizada a subida era hora de descer de novo, mas nem isso me aliviava, já que não me sentia confortável em sentar a bota nas descidas por causa das dores nas canelas...


Falta pouco, já posso ver o final da subida!

Olha a descida ali! Saiam da frente!!!
Faltando mais ou menos 1km para a chegada, saímos de uma estradinha e pegamos nova subida - dessa vez curta - em meio à mata. Normalmente, quando chega essa hora, eu tenho alguma energia sobrando e ataco a subida sem dó para acabar o percurso logo, mas não foi assim dessa vez. Parei para andar em diversas ocasiões...
Ainda não descobri porque resolvo piscar pras câmeras... parece que estou tendo um pequeno AVC! rsrs

Finalmente surgiu a placa dos 11km, seguida de 600m de descidas íngremes em bloquete. Tentei aumentar um pouquinho o ritmo, mas as canelas chiaram e resolvi escutá-las.

Cruzei a linha de chegada com 1h08:39 e só queria saber de me hidratar logo e resfriar um pouco o corpo!

O percurso não estava lá muito técnico, era muito rápido e o calor estava castigando bastante. Torci o mesmo pé umas 3 vezes seguidas e as canelas queimavam, é... não era o meu dia! rs

Normalmente eu espero a Cris cruzar o pórtico de chegada, mas dessa vez eu estava tão entretido no bate papo com os amigos no "departamento médico" (um espacinho na grama onde ficamos jogados fazendo crioterapia, tomando sol e reclamando do calor, do percurso rápido e das dores) que nem a vi chegar - ela concluiu a prova em 1h32:22.


Grupo completo, agora era só papear e esperar a divulgação dos resultados!

Saldo do domingo: fortalecimento das amizades; promessas de projetos futuros; 11,6km de divertido sofrimento; calorias do churrasco de sábado devidamente queimadas; dores e mais dores... e vontade de repetir tudo isso na próxima oportunidade que surgir!
Além do troféu, levei pra casa uma mudinha de palmito juçara!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Relato: Bertioga-Maresias 2: O Retorno

Sabadão, sol de rachar desde cedo, partimos em direção à Bertioga para mais uma etapa do Revezamento Bertioga-Maresias (75km). Seria a nossa segunda participação no evento.

Em maio fizemos uma equipe mista (6 meninos e 2 meninas) e para outubro tivemos quórum para dois octetos: um masculino e um feminino. 
Ambas as equipes com gente nova nas corridas e ambas com corredores reclamando de dores desde antes da prova rs. 
Nosso objetivo: Curtir o rolê enquanto tentávamos concluir a prova abaixo de 9h - tempo limite para podermos receber as medalhas de participação! hahaha

O legal dessa prova é que ela é quase uma corrida de aventura ou caça ao tesouro: você tem que correr, navegar pela planilha, chegar aos PC's no tempo determinado, cumprir tarefas (deixa fulano, pega ciclano, avança até dois PC's à frente, tenta achar um banheiro, tenta achar algo para comer/beber, etc.,). Desse jeito, o dia passa bem rápido!


Bom, se com uma só equipe de corredores a logística já é um pandemônio, imagine como é para duas equipes!! A todo instante a gente tinha a sensação de que ia esquecer alguém para trás! rsrs

Outra preocupação era que os mesmos carros de apoio levariam os homens e as mulheres, e achávamos que ao longo do percurso os homens abririam uma vantagem muito grande sobre as mulheres, dificultando ainda mais a logística.

Percurso e Altimetria da Bertioga-Maresias (esse é o percurso anterior a 2012, antes de criarem o trecho de 14,2km)

No final, tudo deu certo e ninguém se perdeu: no primeiro trecho (10,8km) a diferença dos Canas que Voam para as Canas que Arrasam foi de aproximadamente 5 minutos; no segundo trecho (5,6km) as que Arrasam recuperaram os 5 min e acrescentaram mais 1:30 de vantagem; no terceiro trecho (6,8km) elas continuavam à nossa frente; no quarto trecho (6,2km), sob minha responsabilidade, elas largaram aproximadamente 05:35 antes de os meninos trocarem o chip. Assim que o Victor chegou, peguei o chip da mão dele e disparei. Como o trecho era muito monótono - 6 imutáveis quilômetros de praia - eu precisava achar achar alguma "missão" pra ocupar a cabeça, então estabeleci que minha missão era alcançar a Andressa! Quase quebrei! rs 

Fiz o primeiro km em ritmo de tiro (quando o celular me informou o pace do 1º km eu quase caí pra trás! Resolvi segurar um pouco a onda). Por volta do 2ºkm consegui alcançá-la e defini que o pontinho azul correndo lááááá na frente era meu próximo alvo, continuei em ritmo forte e fui diminuindo a distância... depois mirei num corredor acompanhado por um ciclista e fui buscá-lo, e assim os km foram se passando. O sol estava castigando bastante, o cenário não mudava nunca e meu primeiro km muito forte começou a me cobrar seu preço... a cada km eu ficava de 10 a 15s mais lento. Por sorte a praia chegou ao fim e foi só correr mais uns 150/200m até o PC4 e passar a bola pro Guilherme fazer o trecho 5 (14,2km). Finalizei o trecho 4 (6,2km) em aproximadamente 27min50!


Se eu reclamei do calor, imagina o Guilherme e a Carol, que tiveram de fazer os 14,2km sob o sol do meio dia! Bom, dali para a frente os homens conseguiram manter uns 20 minutos de vantagem sobre as mulheres - nada que atrapalhasse a logística dos carros de apoio. 

No PC 5 tivemos uma surpresa ruim... quebraram o vidro de um dos carros de apoio e levaram as malas de 3 membros do grupo... F#d*
Isso, obviamente, desanimou a todos, mas todo mundo ali foi guerreiro, engoliu a decepção e descontou a raiva nas areias das praias, pisando forte pra não ter que bater em alguém.

Recebemos a notícia enquanto aguardávamos no PC 7, e começamos a suspeitar de tudo e de todos... cada "malandro" que passava olhando para dentro dos carros era um marginal em potencial para nós... sensação muito ruim. 

A essa altura do campeonato, a Cris começou a passar mal, talvez o calor e a falta de alimentação adequada tenham feito a pressão dela cair. Ficamos com receio de ela encarar sozinha a serra de Maresias (trecho 8 - 10,9km) naquelas condições, então resolvi que iria acompanhá-la naquela aventura!

Apesar de eu ter passado a semana anterior à prova sem treinar, por causa de dores nas pernas, eu estava me sentindo muito bem naquele instante. Nem parecia que eu tinha acabado de bater meus recordes para 1km e 5km (além do mais, sejamos francos, todo mundo fala MUITO desse trecho, e eu estava bem curioso pra ver se o bicho era tão feio quanto o pintavam)!

Combinei então com a Cris que eu ficaria o percurso inteiro atrás dela, para ela não se sentir pressionada e, quando a hora chegou, assim fizemos.

O trajeto já começa num leve aclive, seguido de uma descida curta e rápida até a praia de Boiçucanga. A seguir temos aproximadamente 1,5km no plano antes da famosa Serra! Por sorte, o sol deu uma trégua.

Engatamos a primeira marcha e começamos a longa subida (aproximadamente 3km subindo sem parar). Mantive minha promessa e permaneci atrás da Cris o tempo todo e mesmo quando ela passava a caminhar eu permanecia trotando-quase-sem-sair-do-lugar atrás dela (em determinados momentos a caminhada seria mais eficiente que o trote, mas quis trotar o caminho inteiro só para ver se eu era capaz de "zerar" a Serra).

Altimetria da Serra de Maresias
Durante a subida muitos carros passavam buzinando e gritando frases de incentivo (Força! Vamos lá! Parabéns!). Parece bobeira, mas aquilo dá uma injeção de ânimo muito legal! Imagino como os Survivors (Solo nos 75km) deveriam se sentir com a calorosa recepção que tinham em cada um dos PC's. [Um dia, quem sabe...]

Da metade da subida até o início da descida fomos "apostando corrida" com dois dos nossos carros de apoio, mas o trânsito estava tão intenso que acabamos os deixando para trás e só fomos encontrar o pessoal de novo uns 15 minutos após cruzarmos a linha de chegada!

Estávamos subindo a serra tão rápido que os fotógrafos nem conseguiam focalizar! Ou foi isso, ou foi a emoção em nos ver que deixou as fotos tremidas rsrs
A subida foi cansativa, claro, mas a descida foi DOLORIDA! 
Mais ou menos 3km de descida sem fim, castigando os quadríceps, os joelhos, os pés... sem contar o medo de cair... enfim, sem dúvidas preferi a subida! Além disso, na descida a Cris liga o motorzinho e vai embora, e eu tenho que fazer força para acompanhar! 

Ao final da ladeira entramos numa viela e desembocamos na praia, onde corremos na linha d'água para evitar a areia fofa. Com 1h12:43, cruzamos a linha de chegada. Estava concluída a 2ª Etapa do Revezamento Bertioga-Maresias 2013 para os Canas que Voam e para as Canas que Arrasam! Hora de matar quem queria nos matar (a fome!) e celebrar os feitos das equipes!

Valeu, equipe!


Aproveito a oportunidade para agradecer aos nossos 'patrocinadores' pelo apoio nessa gincana meninos vs. meninas!



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pé na Trilha: Review do Asics Fuji Racer

Inauguramos hoje a seção "Pé na Trilha" do nosso blog, é a nossa versão de "mão na massa", onde apresentaremos nossas opiniões sobre os equipamentos utilizados e testados ao longo do tempo.

Muita gente me pergunta (brincadeira, duas ou três pessoas perguntaram até hoje) sobre a necessidade de calçado específico para a prática de trail run/cross country/corrida em trilha/corrida em montanha/coloque-aqui-a-expressão-que-você-utiliza-quando-quer-dizer-que-vai-correr-fora-do-asfalto-com-o-pé-na-lama-em-meio-a-raízes-pedras-galhos-riachos-e-afins.

Já adianto: Kichute não vale!

Como quase tudo nessa vida, a resposta é: depende!
Se você vai correr em terra batida, estrada de terra, acostamento e etc., não há a menor necessidade de investir em um calçado específico. Pelo menos essa é a minha opinião.
Agora, se você vai correr em trilhas técnicas recém abertas na mata fechada, vai encarar lama, pedras soltas, galhos e raízes à mostra, espinhos, riachos e o que mais surgir em seu caminho, sim, compre um tênis específico.

Mas não pense que o simples fato de um tênis possuir solado "cheio de dentes" o torna apto a encarar qualquer desafio no mundo trail.

Outras características são igualmente importantes, dependendo do tipo de terreno que você vai encontrar: proteção para a ponta do pé ou toe bumper (você VAI sair bicando muitas pedras por aí, é só uma questão de tempo); placa de proteção no solado (rock plate), para evitar que espinhos, pedras pontiagudas e etc. possam perfurar seu pé; capacidade de secagem rápida; e por aí vai.

Feita essa introdução, passemos à estrela deste primeiro review: o Asics Fuji Racer



Após rodar aproximadamente 200km com esse tênis, sinto-me seguro o suficiente para dar a minha opinião sincera sobre o calçado (lembrando que opinião e gosto são como bumbum; cada um tem o seu! rs)

Esse tênis já me acompanhou num trote-turístico França-Alemanha-França, na minha primeira prova de trail run (França), em treinos em parques em Bordeaux, em corridas de rua sob chuva em Paris e, finalmente, nas trilhas tupiniquins (Parque Ecológico do Tietê, Paranapiacaba, Boiçucanga, Rio Grande da Serra, Mogi das Cruzes, Santana de Parnaíba, Vinhedo...). 

Sem mais delongas, comecemos do começo (deeerrrrr): o nome do calçado já dá fortes indícios sobre sua destinação e principais características - Asics Fuji Racer.

Fuji = Monte Fuji, Japão, 3.376m de altitude, cenário da mítica UTMF - logo, o calçado é para uso fora do asfalto;
Racer = pense num racing flat destinado ao off road

Basicamente, é isso. Um calçado extremamente leve, ágil, flexível, muito respirável, fácil de lavar (o que é extremamente importante num cenário onde é necessário lavar o tênis praticamente após cada prova/treino).

Após a Trail de Pécharmant: Não é feitiçaria, é tecnologia (e água e sabão)

Vamos às minhas impressões:

"Caimento":Comprei um número maior do que costumo usar e o tênis ficou muito confortável (depois acabei adotando esse costume para todos os meus tênis de trilha, pois gosto de deixar um pouquinho mais de espaço sobrando entre o dedão e a ponta do tênis, pra não ficar martelando os dedos freneticamente dentro do calçado enquanto desço uma longa ladeira).

Não sei dizer se meus pés são largos ou estreitos... acho que estão na média, talvez puxando um pouco para o lado estreito. Em todo caso, o calçado serviu bem, sem apertar o peito do pé e sem deixar meu pé sambando lá dentro. Uma vez amarrado, ficou bem seguro nos meus pés.
A única dificuldade em adaptação com esse tênis diz respeito ao drop: alguns sites dizem 6mm, outros dizem 7,5mm... eu só sei que é bem mais baixo do que estou habituado e, pra mim, isso faz diferença no conforto, sobretudo quando utilizado por muito tempo e em superfícies duras, considerando que minha pisada é com o calcanhar (heel strike).

Solado: o solado não é o mais agressivo do mercado... de fato, deixa um pouco a desejar...ainda mais porque desgasta com facilidade. Outra coisa é que a superfície de contato dele com o solo é pequena, logo, você pode escorregar bastante em trilhas mais duras e lisas - não o indico para trilhas com muitas pedras grandes e lisas, como em Atibaia, por exemplo - da mesma forma como vai sambar bastante em terreno muito enlameado, já que os "cravos" são curtos e moles.

Proteção: a proteção para a ponta dos pés (toe bumper) é pequena, mas tem se mostrado eficiente. Já chutei várias pedras por aí, sem maiores traumas. Já a proteção na entressola (rock plate), embora fina, faz bem o seu trabalho - considerando que até hoje não tive o pé perfurado (rsrs) - e sem alterar a flexibilidade do solado.

Drenagem: Como disse acima, o tênis é extremamente respirável e isso, por si só, garantiria uma boa capacidade de drenagem. No entanto, a Asics foi mais longe e criou uns orifícios na sola e entressola para acelerar ainda mais a drenagem. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Quando você tem de passar por dentro de riachos ou poças profundas, isso é ótimo. Quando o terreno está apenas levemente úmido, isso é horrível, já que a água - que não é boba nem nada - entra no calçado pelo mesmo buraco criado para ela sair... então, dependendo das condições do terreno, você pode ser a única pessoa na prova a reclamar de ter molhado as meias! rs

Nessa foto do Racer da Cris (zero km e logo após a última prova) dá pra ver direitinho o sistema de drenagem na planta e no arco do pé

Amortecimento: esse tênis foi criado quando a tendência ainda era por calçados minimalistas, logo, não espere o conforto de um Asics Nimbus, por exemplo. Mesmo assim, considero o amortecimento dele bem adequado para a proposta do calçado.

Bônus: na língua do Fuji Racer você vai encontrar um compartimento (lace pocket) com elástico para armazenar o excesso de cadarço e evitar que ele fique preso em algum obstáculo da trilha - simples e funcional!

Resumo: o Asics Fuji Racer, para mim, é um tênis leve, baixo, ventilado, com ótima drenagem, amortecimento razoável e solado não muito agressivo. Gosto de utilizá-lo em provas curtas e rápidas, não muito técnicas e quando sei que o percurso envolve atravessar riachos.



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Relato: Sebo nas canelas na Suíça paulista - Corridas de Montanha Campos do Jordão

Após correr destrambelhadamente no Rei da Montanha, fiquei com dores tão fortes nas pernas (região das tíbias) que passei uma semana sem conseguir nem ao menos trotar... Por isso, estava com grande receio de correr a Etapa Campos de Jordão da Copa Paulista de Corridas de Montanha (ainda mais depois da surpresinha que tive com a divulgação do percurso/altimetria: o percurso passou de 12km para 15,2km, além de uma caminhada de 3km do estacionamento até a área da largada, para aquecer!).

Após a 'pré-largada' - caminhada/trote de 3km até a área da largada real - sob garoa, chegamos ao pórtico de largada oficial e aguardamos a liberação pela organização do evento.

Todos a postos, soou a buzina e lá fomos nós, morro abaixo, na tal da "Largada em Avalanche" (500m de estrada de terra mais ou menos escorregadia e em declive).
Como eu não sabia nem se ia conseguir correr, deixei pra largar lá atrás, e num ritmo bem conservador (até a Cris me ultrapassou na primeira descida, com perninhas de papa-léguas! rsrs).

Aos poucos fui ganhando confiança e aumentando o ritmo e, alguns sobe-e-desce depois, surgiu um aclive longo em estrada de terra, de onde era possível ver um grande vale coberto por nuvens. No alto dessa ladeira havia uma placa indicando nossa localização: estávamos no cume do Pico do Diamante (+1850m de altitude)!
Chegando ao cume do Pico do Diamante
Cris iniciando a descida do Pico

Como diria o Rei (Roberto Carlos, não o Rei da Montanha), são tantas emoções! rs Ali, no meio da prova, com o coração na boca e a respiração ofegante, perdi-me em devaneios e me lembrei de quando fiz a trilha até aquele cume acompanhado de meus pais e meu irmão, há alguns bons 16 anos!!!

Direto do túnel do tempo! (favor desconsiderar a qualidade da foto e o visual grunge)

Mal deu tempo de sentir saudades da infância e já era hora de rolar morro abaixo, digo, descer o Pico do Diamante por uma trilha longa e acidentada.



Finda a descida, adivinhe... era hora de subir de novo!! Subida longa e gradual em mata fechada, com muitos troncos, riachos, arbustos, pedras e lama. Do jeito que o povo gosta!

Dá só uma olhada nessa ladeira!!

Por volta do km 9, uma staff fanfarrona disse que faltavam 3km para o fim da prova... Nos meus cálculos, faltava pouco menos da metade da prova ainda, mas vai que né... na dúvida, sentei a bota!



Entrei numa trilha cheia de lama e folhas mortas e fofas, em leve declive e com um pouco de neblina. Aquele terreno praticamente implorava por um aumento na velocidade e achei que correr um pouco na banguela não faria mal a ninguém! Me senti o próprio Kilian Jornet (rs), flutuando terreno abaixo, saltando sobre pedras, raízes, erosões - e, às vezes, sobre pessoas que capotavam à minha frente gritando "tá tudo bem, tá tudo bem, pode continuar"! rs - deixando meus pés escorregarem na lama com segurança e imprimindo um bom ritmo de descida.

Nessa toada passei as placas de 10km, 11km, 12km, saí da trilha (staff pimpona!!! Tentou me enganar!!!) e passei a correr beirando os trilhos do trem, num leve aclive, saltando dormentes, pedras, despachos (sim, sim, várias velas vermelhas por ali rs) e, enfim surgiu a placa de 14km.
Juntei energia sabe-se lá de onde, ajeitei a postura do corpo e queimei sola, com sprint na reta final e tudo mais! Meu quilômetro mais rápido até hoje! rs

Às vezes é importante andar na linha (e essa minha cara de espirro, hein?)


Fiquei feliz demais em concluir a prova! Sério, as dores que senti 'nas canelas' ao longo da semana me fizeram pensar em desistir da prova... mas sabe aquele papo de ser brasileiro e não desistir nunca, né?

Com o tempo, as demais figurinhas carimbadas da Copa Paulista foram aparecendo e a conversa rolou solta enquanto os resultados parciais não eram divulgados! O animado bate-papo sobre provas passadas e projetos futuros quase não nos deixava lembrar do frio, roupas molhadas, fome e dores musculares.

A melhor parte das competições: o companheirismo, a camaradagem e a troca de experiências!














Resultado divulgado, fotos, festa, chocolate quente, até-breves e hora de voltar para casa. O que é bom, dura pouco!