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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pé na Trilha: Review do Asics Fuji Racer

Inauguramos hoje a seção "Pé na Trilha" do nosso blog, é a nossa versão de "mão na massa", onde apresentaremos nossas opiniões sobre os equipamentos utilizados e testados ao longo do tempo.

Muita gente me pergunta (brincadeira, duas ou três pessoas perguntaram até hoje) sobre a necessidade de calçado específico para a prática de trail run/cross country/corrida em trilha/corrida em montanha/coloque-aqui-a-expressão-que-você-utiliza-quando-quer-dizer-que-vai-correr-fora-do-asfalto-com-o-pé-na-lama-em-meio-a-raízes-pedras-galhos-riachos-e-afins.

Já adianto: Kichute não vale!

Como quase tudo nessa vida, a resposta é: depende!
Se você vai correr em terra batida, estrada de terra, acostamento e etc., não há a menor necessidade de investir em um calçado específico. Pelo menos essa é a minha opinião.
Agora, se você vai correr em trilhas técnicas recém abertas na mata fechada, vai encarar lama, pedras soltas, galhos e raízes à mostra, espinhos, riachos e o que mais surgir em seu caminho, sim, compre um tênis específico.

Mas não pense que o simples fato de um tênis possuir solado "cheio de dentes" o torna apto a encarar qualquer desafio no mundo trail.

Outras características são igualmente importantes, dependendo do tipo de terreno que você vai encontrar: proteção para a ponta do pé ou toe bumper (você VAI sair bicando muitas pedras por aí, é só uma questão de tempo); placa de proteção no solado (rock plate), para evitar que espinhos, pedras pontiagudas e etc. possam perfurar seu pé; capacidade de secagem rápida; e por aí vai.

Feita essa introdução, passemos à estrela deste primeiro review: o Asics Fuji Racer



Após rodar aproximadamente 200km com esse tênis, sinto-me seguro o suficiente para dar a minha opinião sincera sobre o calçado (lembrando que opinião e gosto são como bumbum; cada um tem o seu! rs)

Esse tênis já me acompanhou num trote-turístico França-Alemanha-França, na minha primeira prova de trail run (França), em treinos em parques em Bordeaux, em corridas de rua sob chuva em Paris e, finalmente, nas trilhas tupiniquins (Parque Ecológico do Tietê, Paranapiacaba, Boiçucanga, Rio Grande da Serra, Mogi das Cruzes, Santana de Parnaíba, Vinhedo...). 

Sem mais delongas, comecemos do começo (deeerrrrr): o nome do calçado já dá fortes indícios sobre sua destinação e principais características - Asics Fuji Racer.

Fuji = Monte Fuji, Japão, 3.376m de altitude, cenário da mítica UTMF - logo, o calçado é para uso fora do asfalto;
Racer = pense num racing flat destinado ao off road

Basicamente, é isso. Um calçado extremamente leve, ágil, flexível, muito respirável, fácil de lavar (o que é extremamente importante num cenário onde é necessário lavar o tênis praticamente após cada prova/treino).

Após a Trail de Pécharmant: Não é feitiçaria, é tecnologia (e água e sabão)

Vamos às minhas impressões:

"Caimento":Comprei um número maior do que costumo usar e o tênis ficou muito confortável (depois acabei adotando esse costume para todos os meus tênis de trilha, pois gosto de deixar um pouquinho mais de espaço sobrando entre o dedão e a ponta do tênis, pra não ficar martelando os dedos freneticamente dentro do calçado enquanto desço uma longa ladeira).

Não sei dizer se meus pés são largos ou estreitos... acho que estão na média, talvez puxando um pouco para o lado estreito. Em todo caso, o calçado serviu bem, sem apertar o peito do pé e sem deixar meu pé sambando lá dentro. Uma vez amarrado, ficou bem seguro nos meus pés.
A única dificuldade em adaptação com esse tênis diz respeito ao drop: alguns sites dizem 6mm, outros dizem 7,5mm... eu só sei que é bem mais baixo do que estou habituado e, pra mim, isso faz diferença no conforto, sobretudo quando utilizado por muito tempo e em superfícies duras, considerando que minha pisada é com o calcanhar (heel strike).

Solado: o solado não é o mais agressivo do mercado... de fato, deixa um pouco a desejar...ainda mais porque desgasta com facilidade. Outra coisa é que a superfície de contato dele com o solo é pequena, logo, você pode escorregar bastante em trilhas mais duras e lisas - não o indico para trilhas com muitas pedras grandes e lisas, como em Atibaia, por exemplo - da mesma forma como vai sambar bastante em terreno muito enlameado, já que os "cravos" são curtos e moles.

Proteção: a proteção para a ponta dos pés (toe bumper) é pequena, mas tem se mostrado eficiente. Já chutei várias pedras por aí, sem maiores traumas. Já a proteção na entressola (rock plate), embora fina, faz bem o seu trabalho - considerando que até hoje não tive o pé perfurado (rsrs) - e sem alterar a flexibilidade do solado.

Drenagem: Como disse acima, o tênis é extremamente respirável e isso, por si só, garantiria uma boa capacidade de drenagem. No entanto, a Asics foi mais longe e criou uns orifícios na sola e entressola para acelerar ainda mais a drenagem. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Quando você tem de passar por dentro de riachos ou poças profundas, isso é ótimo. Quando o terreno está apenas levemente úmido, isso é horrível, já que a água - que não é boba nem nada - entra no calçado pelo mesmo buraco criado para ela sair... então, dependendo das condições do terreno, você pode ser a única pessoa na prova a reclamar de ter molhado as meias! rs

Nessa foto do Racer da Cris (zero km e logo após a última prova) dá pra ver direitinho o sistema de drenagem na planta e no arco do pé

Amortecimento: esse tênis foi criado quando a tendência ainda era por calçados minimalistas, logo, não espere o conforto de um Asics Nimbus, por exemplo. Mesmo assim, considero o amortecimento dele bem adequado para a proposta do calçado.

Bônus: na língua do Fuji Racer você vai encontrar um compartimento (lace pocket) com elástico para armazenar o excesso de cadarço e evitar que ele fique preso em algum obstáculo da trilha - simples e funcional!

Resumo: o Asics Fuji Racer, para mim, é um tênis leve, baixo, ventilado, com ótima drenagem, amortecimento razoável e solado não muito agressivo. Gosto de utilizá-lo em provas curtas e rápidas, não muito técnicas e quando sei que o percurso envolve atravessar riachos.



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