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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Relato: Ultra Desafio Passa Quatro 30km

Iniciamos, de forma oficial, o calendário de provas de 2016!

A UD Passa Quatro não estava em nossos planos até o final de janeiro.
Acontece que a Cris faz aniversário no início de fevereiro e nossos mais que amigos-parceiros-mecenas-apoiadores-patrocinadores-extraoficiais da VetMais decidiram presenteá-la com uma inscrição para a prova.



Bom, Se Ela Corre, Eu Corro né... então fui 'forçado' a fazer minha inscrição também! rs


Ainda estava meio cedo no calendário para fazermos uma distância tão longa (para nós) como 30km, mas fazer o que né? Desafio dado é desafio aceito.

Não houve tempo hábil para encaixar os treinos longos que eu gostaria, mas ao mesmo tempo eu estava tão desencanado com essa prova que a estava encarando como um treino mesmo (um treino caro, mas um treino).
Aliás, estava tão tão tranquilo que não tive qualquer problema de ansiedade na semana anterior à prova e nem mesmo fiquei me matando para traçar estratégias e definir objetivos - como sempre acontece. Eu só queria chegar lá e trotar-correr o quanto fosse possível.

Foi até bom que eu estava nesse estado mental, pois faltando uma semana para a prova, após um treino pesado em Campos do Jordão com os amigos do @mutukastrailrun, eu comi algo que não me fez nada bem e passei uma semana de rei (da cama para o trono e do trono para a cama). Perdi mais de 3kg, tomei antibiótico forte e só parei de ir ao banheiro no sábado, véspera da prova!

No sábado, após retirarmos os kits, eu cedi à tentação e adquiri MAIS UMA MOCHILA DE HIDRATAÇÃO (preciso de uma intervenção rsrs... afinal, mochila é o que não me falta - Review 1 e 2).
Estava de bobeira e resolvi provar uma Kailash Race 8 Plus e fiquei chocado com a forma como ela encaixou no meu corpo. Foi paixão à primeira fechada de velcro! rs
Gostei tanto da ergonomia que fiz algo que sempre digo que não deve ser feito por ninguém: resolvi testar equipamento novo durante a prova (a prova mais longa do meu histórico, diga-se de passagem)!

No domingo, após um senhor café da manhã, dirigimos até Passa Quatro (estávamos hospedados em Itanhandu) e chegamos com menos de 10min de folga para o horário da largada. Foi tempo suficiente para ouvir o pessoal comentando que bastante gente dos 160 e 80km (que haviam largado na noite de sexta e sábado, respectivamente) tinha se perdido e que as marcações do percurso estavam um tanto quanto deficientes ou confusas.

Alinhamos no pórtico, desejei boa prova para a Cris, 5, 4, 3, 2, 1, tchau!

Largando com a turma do fundão
Larguei bem na maciota, lá no fundo e me mantive na maciota. Estava me sentindo despreparado e fraco - além de estar com medo do piriri voltar! rs - então não quis forçar a barra e correr forte nos quilômetros iniciais, que eram planos e pavimentados.

Não estava vendo direito a marcação do percurso (pequenas placas brancas com uma seta amarela pintada) e apenas seguia o fluxo de corredores.
Após algum tempo pegamos uma estrada de terra com leves aclives e declives e, por volta do km 3 entramos numa trilha/pasto bem enlameada e escorregadia.

Primeiro gostinho de terra do percurso 
Apesar de esse ser o trecho em que eu me sinto mais à vontade e costumo ousar um pouco mais, preferi manter o ritmo confortável. O dia seria longo e apesar de ser cedo, o sol já mostrava que não iria dar trégua.




Nesse trecho do pasto, em determinado momento surgiu uma bifurcação sem marcação. Três corredores à minha frente decidiram ir pela esquerda e dois resolveram ir pela direita.

Como a esquerda era uma leve descida e a direita era uma leve subida, preferi acompanhar os que desceram. Na trilha da esquerda o barro estava beeemmm amassado, o que significa que muitos corredores já haviam passado por ali, mas ainda assim eu não tinha certeza se eu estava no caminho certo ou não. Os corredores que decidiram seguir pela direita começaram a gritar bravos como se quem tivesse ido pela esquerda estivesse cortando caminho. Sinceramente, não sei. Só sei que no caminho pela esquerda eu dei de cara com a primeira sinalização de percurso clara até então:

O caminho da esquerda saía exatamente aqui
Pouco tempo depois o percurso abandonou o pasto e voltou para a estrada de terra.
Alguns sobe e desce depois, fui alcançado por um corredor (Ricardo), começamos a conversar, vimos que nossos ritmos estavam praticamente iguais e ficamos juntos por quase 6km.
Não sei se isso o ajudou ou atrapalhou, mas para mim foi bastante agradável trotar e conversar por todo aquele tempo, pois assim eu afastei da minha cabeça qualquer dúvida que pudesse me atazanar com relação à minha capacidade de concluir a prova sem passar mal.

Chegando ao PC do km12 o Ricardo disse para eu seguir em frente que ele faria uma pequena pausa.
Aproveitei para abastecer meu squeeze e jogar dentro dele uma pastilha de GU Brew (presente do meu amigo Andre Kajlich). Nunca senti necessidade de repor sais além dos que eu já consumo com a alimentação durante a prova (castanhas, amendoim e etc.), mas resolvi levar a pastilha pois sabia que na semana que antecedeu a prova eu havia me desidratado muito.

Saindo do PC, seguiu-se uma subida interminável - com pelo menos uma bifurcação não sinalizada - que eu não lembrava de ter visto no gráfico disponibilizado pela organização. A subida estava no gráfico... eu é que tinha me esquecido dela! rs

Apesar de ser uma subida longa, de pelo menos 4km de extensão, a inclinação era relativamente leve. Acredito que num dia bom seria possível zerar essa subida. Mas como esse não era um dia bom, preferi ser conservador e alternar trote e caminhada de forma a manter a respiração controlada e os batimentos cardíacos moderados.
Foi um trecho gostoso, pois eu não sentia pressão para correr e, ao mesmo tempo, foi um dos únicos trechos do percurso onde havia alguma sombra.






Assim que acabou essa subida, passei por uma porteira de fazenda e iniciou-se uma descida relativamente forte e bem divertida.
O problema é que eu havia amarrado meu tênis com um pouco de folga - para evitar 'esganar' meu peito do pé, como aconteceu na BR 135 - e no km 16 eu já sentia pelo menos uma bolha em cada pé... o incômodo era maior justamente nas descidas.





Por isso, apesar de ser um trecho relativamente fácil e divertido, foi um pouco sofrido para mim e tive que descer devagar.




Nessa de alterar a passada para não sentir a bolha, comecei a sobrecarregar outra área do pé, que acabou ficando um pouco "incomodada".

Com o sol escaldante, as bolhas nos dois pés, a dor no pé esquerdo e o medo de passar mal por causa da intoxicação alimentar, minha cabeça voltou a focar negativamente em algo que eu dizia desde antes da prova: que a parte mais difícil do percurso, para mim, seria do km 22 até o final, uma vez que esse trecho seria inteiramente plano e eu não estava com condicionamento para correr por 8km sem refresco já com as pernas cansadas.

A última subida
No km 20, aproximadamente, tive a oportunidade de conversar com outro corredor (Ronaldo) e entre um papo e outro a gente ia alternando quem estava na frente e quem estava atrás. Como os dois já estavam meio 'escangalhados', não dava pra ajustar o ritmo para ficarmos um ao lado do outro...
Eu estava com bastante dificuldade de encaixar uma passada confortável, mas do nada eu me senti bem.
Recuperei meu groove/mojo e segui trotando feliz e contente por uns 300 a 500m e então senti uma forte fisgada no tendão de Aquiles direito - provavelmente fruto de uma compensação que eu estava fazendo por causa das bolhas e da dor no pé esquerdo.
Parei no mesmo momento - não sabia como reagir a isso - e meu pé começou a curvar sozinho dentro do tênis. Achei um toco e parei pra alongar um pouco. O Ronaldo me passou de novo, perguntou se eu precisava de ajuda e eu disse que ele podia continuar.

Após alguns segundos absolutamente parado e algumas centenas de metros caminhando enquanto comia tudo o que eu tinha levado de alimento salgado, consegui encaixar um trotinho sem vergonha novamente.
Por sorte, logo adiante estava o último PC e este contava com um cooler de Gatorade! Normalmente não tomo isotônicos, mas achei que aquele era o momento de tomar. Abasteci meu squeeze e me dei a missão de matar aqueles 500ml de Gatorade antes da linha de chegada, que estava a 7km de distância, mais ou menos.

No PC eu passei pelo Ronaldo novamente, encaixei meu trote mequetrefe (na casa dos 6:30/km) e foquei na linha de chegada.

Na altura do km 26 eu disse a mim mesmo: "Daqui até a chegada é tudo plano e pavimentado. Você pode até diminuir ainda mais o ritmo, mas não vale parar pra andar!!"
Menos de 30 segundos depois eu vi uma sombra e parei para andar e aproveitar a sombra por mais tempo #fail... dali pra frente nada no mundo me convencia a voltar a trotar por mais de 100m. Simplesmente coloquei na cabeça que não ia conseguir encaixar um ritmo novamente e desisti de correr.

Segui andando 200m e trotando 50m e encontrei o Marcus e a Pri - que treinam funcionais comigo na Assessoria Carlos Mello - finalizando os 80km. Eles já estavam bem cansados e vinham andando. Juntei-me a eles e propus finalizarmos o percurso juntos.
Andei com eles por alguns minutos e comecei a sentir umas fisgadas... tudo indicava que se eu continuasse naquele ritmo novas cãibras iriam aparecer.
Para evitar isso, engatei uma marcha atlética/trote leve, despedi-me deles e segui adiante.
Em poucos minutos cruzei a linha de chegada e pude, finalmente, descansar.
A bem da verdade, em momento algum eu duvidei de minha capacidade de terminar a prova. Mas dadas as circunstâncias (falta de treino e saúde em recuperação), estava bastante receoso de passar mal.

Acenando para a platéia rsrs

Fim de jogo!
Pouco mais de meia hora após eu cruzar a linha de chegada, foi a vez da Cris concluir sua prova! Fiquei bastante orgulhoso dela, pois para uma distância dessas o 'normal' seria eu ter pelo menos 1h de vantagem sobre ela.
Ela mandou muito bem e ainda garantiu um terceiro lugar na categoria! =)

Chegando junto com a garoa



Apesar dos perrengues, do sofrimento, da sinalização deficiente e de não ser o meu tipo de prova (prefiro "99% trilha 1% estrada" ao invés de "1% trilha 99% estrada"), valeu a pena participar do evento, ver os amigos encarando seus desafios, reencontrar amigos e conhecidos e desvirtualizar amizades de instagram.
Valeu a pena também para ver que vou precisar comer bastante arroz e feijão até o Desafio 28 Praias, onde a Cris e eu faremos nossas primeiras maratonas!




A gente se tromba nas trilhas! ;-)

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