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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Relato: Ultra Trail Challenge Pedra Grande 58km

Ocasiões especiais merecem comemorações especiais. Por essa razão, estou aqui tirando as teias de aranha desse blog (lembram da época que blogueiro era quem escrevia blog e não quem fazia dancinha no tiktok e publipost de recebidos no instagram?) para celebrar e relatar minha experiência na Ultra Trail Challenge da Pedra Grande Trail Runners.


Senta que lá vem história.


Por falar em teias de aranha... quem lembra dessa?

Comecemos do começo. 

Após correr os 80km da La Mision em 2018, entrei num estado de desmotivação absurdo. Foram vários fatores que me levaram a esse estado de apatia trail e ele, por sua vez, me fez diminuir drasticamente o volume de treinos. Nisso eu perdi capacidade de correr longas distâncias e perdi a própria vontade de voltar a me dedicar a treinar de forma frequente - até mesmo para curtas distâncias.

Quando estava finalmente passando dessa fase, veio a pandemia e eu me tranquei no apartamento por pelo menos 7 meses, sem nenhum tipo de exercício físico. 

Depois desse intervalo quarentenado, resolvemos voltar a treinar em trilhas para dar uma arejada na cabeça mas, logo no nosso segundo treino, a Cris lesionou o tornozelo e voltamos para nossa toca por mais um longo inverno.

Paralelamente, graças a todo esse tempo em casa, reavaliamos nossas prioridades e, sempre que surgia a oportunidade de escapar de SP no final de semana, passamos a optar por ir para algum local em que pudéssemos levar nossas cachorras. Logo, treinos ou mesmo passeios de alta quilometragem deixaram de fazer sentido. Era (e ainda é) muito mais gostoso fazer um trekking de 5km com minhas meninas do que correr 20 ou 30km sozinho.




Pois bem. Lá pra novembro do ano passado um grande amigo disse que não poderia correr a Ultra Trail Challenge Pedra Grande e me presenteou com a inscrição dele. Na ocasião, ambos pensamos que seria uma boa oportunidade para eu voltar a me motivar a treinar com regularidade e voltar a correr longas distâncias. E de novembro até o fim de maio tinha bastante tempo, então, por que não?

O tempo passou ("e eu sofri calado, não deu pra tirar ela do pensamento, eu ia dizer que estava apaixonado...") e nada da motivação aparecer. Resumindo, de janeiro até a data da prova, eu rodei 441km entre trotes e trekkings curtos com as cachorras, sendo que os treinos efetivamente corridos foram feitos quase que exclusivamente no asfalto (a exceção foi a Itapeti Trail Pico do Urubu, onde corri 21km, em março, como parte da preparação). Ou seja, com uma média de mais ou menos 21km/semana e virtualmente sem treinos técnicos, era uma grande loucura tentar correr os 58km com 3 mil de desnível positivo da UTC.

Mesmo assim, dia 28/05/2022, às 3h da manhã, lá estava eu tomando café e me preparando para pegar a estrada com destino à Atibaia, onde largaria às 6h00 para a minha primeira ultra em 4 anos e para a prova longa para a qual eu menos treinei na vida. rs

Apesar de saber que meu treino estava muito aquém do necessário para encarar a pedreira que seria essa prova, eu não estava nem um pouco nervoso ou ansioso, o que foi ótimo.

5h50, dei meu selinho na Cris (que dessa vez iria ficar na arena me esperando, ao invés de correr), me despedi das cachorras e fui alinhar no pórtico de largada, com a headlamp na cabeça, pois ainda estava bem escuro.

6h e lá fomos nós, rumo à escuridão. Em menos 1km entramos na trilha e em mais ou menos 20 minutos o dia começou a clarear, justamente quando comecei a passar pelos primeiros trechos técnicos do percurso (inclusive passando em trechos inéditos para mim - e olha que treino na região há pelo menos 7 ou 8 anos).

A cidade acordando e o chicote estalando

Íngreme?

Apesar de ter largado no pelotão do meio e de forma bem tranquila, quando cheguei ao primeiro PC (km 13?)  fiquei surpreso ao encontrar o Arthur e o Teté do Trail Beer se abastecendo. Os bichos são galáticos! Treinam e correm demais - e, certamente, muito mais do que eu nos últimos 2 anos - então isso só poderia significar uma coisa: eu estava fazendo m#rda e queimando o cartucho cedo demais! rs

Tomei um isotônico, meti duas paçoquinhas na boca e segui adiante. Meia hora depois atingi o cume da Pedra Grande e mandei uma mensagem para a Cris informando que eu estava com 19km de prova, em 3h07 e que estava bem. 





Descendo um pequeno trecho da estrada encontrei o 2º PC e tive a alegria de encontrar o Arthur Vianna, organizador da prova e grande amigo. Dei-lhe um abraço, cumprimentei também os queridos Márcio e Raquel que estavam de staff naquele ponto, tomei mais um isotônico e entrei novamente na trilha. Quando o percurso começou a descer (e era uma descida deliciosa), as pernas começaram a dar sinais de fadiga... e olha que eu ainda estava no primeiro terço da prova!

Eu já esperava que isso iria ocorrer mais cedo ou mais tarde, considerando minha falta de treinos específicos, mas estava torcendo para que fosse só mais tarde mesmo. rs

Lá pelo km 25 as rodinhas caíram. Era um trecho bastante corrível, mas as pernas estavam moídas e a cabeça começou a entrar em espiral ("você sabe que não tinha nada que estar fazendo aqui né? Poderia muito bem ter alterado a inscrição pra 35km e ainda assim seria um desafio e tanto. Você mordeu mais que consegue mastigar... vai acabar se machucando de tonto...").

Chegando à Pedra do Coração, fui ultrapassado pela Bete Prado (que concluiu a prova em primeiro lugar na categoria feminina), o que mostra, mais uma vez, que eu tinha feito cag@da e tinha forçado mais do que devia (inclusive enviei outra mensagem para a Cris nesse momento, quando o relógio marcava 10h30 da manhã: "28.5. Pedra do Coração. Morrendo").  

Mas agora era tarde demais pra remediar isso e, como eu não estava machucado, só restava uma coisa a fazer: avançar um passinho por vez por mais 30km.

Fácil não estava. Gostoso também não. Mas o dia estava bonito, o percurso era lindo, eu sabia que a Cris e as minhas cachorras estavam me esperando na arena e a única forma de chegar lá seria avançando.

Depois que a Bete me passou, fiquei um bom tempo sozinho no percurso, dando ainda mais chance pra cabeça pensar em coisas ruins. De repente comecei a ouvir o ruído de bastões batendo no chão de forma ritmada. Logo na sequência o Thiago (da Guerreiros Trail) me alcançou. O cara é um verdadeiro trator nas subidas. Dá gosto de ver!

Começamos a conversar e percebemos que, como os dois estavam meio fritos, a companhia era muito bem-vinda e benéfica. Fomos juntos, intercalando trote e caminhada, por mais de 10km, sonhando com o PC 3 e com a possibilidade de comprar uma coca cola gelada (já que, segundo o manual do atleta, esse PC estaria montado dentro de uma cervejaria). 

Até aquela altura, o percurso estava impecavelmente demarcado. Só que no km 43 era para entrarmos num singletrack/downhill de bike que nos levaria ao PC, e esse single nunca apareceu.

A estrada continuava demarcada, então seguimos em frente.

A vontade de chegar logo ao PC aumentou, ganhei uma segunda dose de ânimo e comecei a correr "de verdade" naquela estrada, mesmo sem saber se estava no percurso correto ou se tinha pego o percurso dos 85km sem perceber.

Recebi uma mensagem da Cris quando eu estava no km 48 dizendo para eu tomar cuidado para não entrar no percurso dos 85km, pois alguém havia sabotado as marcações  - e pouco depois encontrei mais uma vez com o Arthur, que confirmou que a marcação havia sido sabotada (lamentável que em pleno 2022 ainda tenha gente mal intencionada que se dê ao trabalho de sair de sua casa só para atrapalhar a vida dos outros). Ele me explicou que caminho fazer até o próximo PC e como ir do PC à chegada enquanto ele remarcava essa rota alternativa. 

Joguei o nome da cervejaria (Bira Beer) no Google Maps e segui adiante, mas não dá pra negar que o desânimo bateu novamente, dando chance para as dores me lembrarem que elas estavam ali. Nesse ponto, em que eu já não conseguia mais correr, encontrei o Richard, que estava concluindo os 85km e seguimos juntos até o PC. 

Subindo a rampa de acesso da estrada ao PC, acompanhado de uma staff, vi uma pessoa com um copão de cerveja na mão (era o Bira, dono da cervejaria). Meus olhos brilharam, a boca salivou, o coração ficou quentinho e o ânimo voltou com tudo!

Tomei um isotônico só pra lavar a boca e pedi uma APA ao Bira. Sentei para tomar minha cerveja com calma, curtindo o momento. Melhor PC da minha vida esportiva! kkkk


Faltando ~5km a gente faz o quê? Para pra tomar uma APA com calma, claro!
(os pés tortos mostram que, mesmo sentado, as bolhas estavam incomodando bastante)

Nem dava vontade de sair... quase falei pra Cris ir até a cervejaria pra gente ficar por lá mesmo aproveitando o dia. Mas agora faltava tão pouco - e eu estava reidratado e reanimado, então por que não continuar? rs

Levantei, paguei a cerveja, falei ao Bira que voltaria (e cumpri a promessa no dia seguinte! rs) e botei o pé na estrada outra vez. 

Meia hora depois estava cruzando a linha de chegada, encontrando a Cris, minhas meninas, o Victor (que também estava na função "apoio de atleta" e fazendo companhia para a Cris desde às 6h) e revendo muita gente querida na arena - essa é, certamente, a melhor parte do retorno às provas. 

Cansado? Sim. Feliz? Também!

Foram 9h15 de paisagens incríveis, amigos, dores, desconfortos, euforia, alegria, altos e baixos (em todos os sentidos), como é comum numa prova longa. Resumindo, foi perfeito!

Ainda mais perfeito foi que, tirando as bolhas nos dois pés (natural, já que a pele do meu pé está "fina" pela falta de treinos longos), eu terminei a prova me sentindo muito bem e apenas com dores musculares moderadas! Sucesso absoluto! rsrs

Bom, era isso que eu tinha pra contar. Espero que a rinite alérgica não tenha atacado depois de vocês entrarem nesse blog velho e abandonado às traças! rs

A gente se tromba nas trilhas! ;-)




segunda-feira, 9 de março de 2020

Relato: Ladeiras da Penha Etapa Mairporã

Quando eu disse no último relato que correr o Desafio de Revezamento Mutukas despertou em nós o desejo de voltar a treinar e voltar a correr provas, eu não estava brincando.

De fato, mal chegamos em casa depois do revezamento e já fizemos nossa inscrição para a Ladeiras da Penha - Etapa Mairiporã, dali a 3 semanas.

Levou tanto tempo pra voltarmos a sentir essa vontade que não poderíamos correr o risco de deixar essa chama se apagar, então não perdemos tempo e fizemos nossas inscrições.

Com as inscrições feitas, a motivação para voltar a treinar meio que veio no pacote e, de repente, a gente se viu animado pra treinar mesmo de segunda ou de sexta-feira (dias que costumamos tirar pra descansar), e embaixo de chuva. Que saudades estávamos de ter esse comprometimento pessoal e essa motivação!

Com relação à escolha de nossa próxima prova, bom, ao chegarmos em casa eu abri o calendário da AdventureMag e vi que a Ladeiras cairia bem na janela que a gente tinha. E como já fazia bastante tempo que ouvíamos amigos comentando sobre as provas dessa organização, resolvemos matar a curiosidade. Claro que o fato do valor da inscrição ser extremamente competitivo também chamou a nossa atenção e tornou a decisão mais fácil, né!

Inscrições feitas, kits retirados, lá fomos nós para Mairiporã para ver quanto de evolução seria possível em 3 semanas de treinos leves (com um tal de carnaval pegando quase metade do período treino 😂).

Logo de cara a primeira impressão que tivemos era a de que estávamos correndo uma prova trail pela primeira vez na vida. rs
Só isso para explicar que, numa prova com 900 inscritos, a gente conhecesse só uma pessoa (Portuga)!

Ok, depois que a prova terminou, encontramos pelo menos mais umas 4 pessoas conhecidas, mas num universo tão grande de inscritos, foi bastante curioso conhecer tão pouca gente... afinal, estamos no trail há mais de 7 anos! Isso mostra o tanto que o esporte está crescendo nesses últimos tempos (e só podemos torcer para que esse crescimento seja sustentável e que, junto com o aumento no número de praticantes, aumente a consciência de que é preciso preservar as trilhas #lixonolixo).

Enfim, a prova contava com 3 distâncias (7, 14 e 21km). Aguardamos a largada dos 21km e alguns minutos depois alinhamos para a nossa largada. Desejei boa prova para a Cris e, ao fim da contagem regressiva, parti para a minha prova (muita gente acha que corremos juntos, mas a verdade é que apenas largamos juntos e depois cada um faz sua prova).

Parti receoso, pois a Cris havia manifestado um pouco de fraqueza logo antes da largada (talvez por conta da alimentação não muito regrada no dia anterior ou por conta do pouco tempo de sono), e parti sem pressa, sendo ultrapassado por bastante gente nesse início da prova.

Saímos do Clube de Campo de Mairiporã e seguimos por vias pavimentadas por mais ou menos 2km até a entrada da primeira trilha - a Trilha da Saracura. Nesse paredão, subindo sem refresco por aproximadamente 2km, com mais de 300m de ganho, eu aproveitei para apertar um pouco o passo e consegui ganhar muitas posições. Infelizmente, logo na sequência voltamos para o estradão e, ali, eu não tinha vantagem nenhuma. Na estrada eu não rendia nada e, de todo modo, tinha feito só 4km dos 14km do percurso, então não adiantava forçar a barra tão cedo. Segui trotando nessa área residencial e notei o percurso estava muito bem marcado, com fitas zebradas e setas de cal no chão e bombeiros em pontos chave.

Após um trecho na estrada de terra, na altura do 6º km, havia uma placa grande sinalizando que o percurso deveria abandonar a estrada e descer por um "pasto". As fitas zebradas também não deixavam dúvidas disso. Não havia uma trilha batida no morro, mas a cada poucos metros havia uma fita zebrada amarrada na vegetação, logo, bastava descer por ali em meio à vegetação mesmo.

Ao fim do morro, voltamos para a estrada, às margens da Fernão Dias, onde havia uma staff anotando os números de todos os corredores que passavam por ali.
Aproximadamente 1km depois, novamente numa área residencial, reparei em uns 3 corredores vindos de uma rua aleatória e entrando na mesma via em que eu estava. No momento não reparei no número de peito (para cada distância havia uma cor diferente no número de peito) e cheguei a pensar que esses corredores estavam correndo em outra distância ou tivessem saído do percurso para ir ao banheiro ou para comprar água e estavam apenas voltando para o percurso correto... até porque, havia uma staff ali e o chão estava marcado com cal indicando que aquela rua não fazia parte do percurso oficial dos 14km.

Segui correndo pela estrada e reparei que comecei a ultrapassar corredores que, visivelmente, "não deveriam estar na minha frente". Pela força que eu fiz pra subir aquela trilha e pelo ritmo que eu vinha correndo nas estradas (embora não fosse nada alucinante), não fazia sentido que eu estivesse ultrapassando agora atletas que intercalavam trote e caminhada na estrada relativamente plana, por exemplo. Fora isso, desde a saída da Saracura que os corredores estavam bastante espaçados na minha frente e, de repente, ao sairmos da estrada e entrarmos na próxima trilha - a trilha do Pico do Olho D'água - fui surpreendido com uma enorme fila de corredores caminhando.

As peças se juntaram e concluí que uma boa leva de corredores errou o caminho.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Relato: Desafio Mutukas de Revezamento

Quem nos acompanha sabe que há tempos estamos numa luta interna para encontrar motivação para voltar a treinar de verdade. Ficamos mais da metade de 2019 parados e, desde que voltamos a correr, em outubro do ano passado, estamos com sérias dificuldades para retomar o ritmo e a disciplina de treino - o que é bastante ruim para quem treina por conta própria.

Bom, pode ser que eu esteja me precipitando aqui, mas me parece que esse ciclo de bode finalmente se encerrou! E o responsável por isso foi o Desafio Mutukas de Revezamento, realizado em Campos do Jordão no último domingo.

Não que a gente não tenha feito outras provas legais desde que voltamos a correr (muito pelo contrário!) mas o que acontecia era que a gente participava da prova, sofria um bocado, achava fantástico estar de volta no ambiente que a gente tanto ama, mas no fim das contas nada mudava internamente. A chama continuava fraca, a vontade de treinar também e a vontade de participar de outras provas como atleta era quase zero.

Aí veio o Desafio e, tcharan!, de repente viramos a chavinha mental!



Não saberia pontuar exatamente o que despertou essa mudança. Só sei dizer que saímos de lá animados, com vontade de voltar a treinar de verdade e com vontade de voltar a participar de provas, e é isso o que importa!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Relato do convidado - Francisco Avelino Jr. como pacer na BR135 2020

Não vou perder muito tempo com introduções.

Vocês já conhecem o Francis. Ele já apareceu em alguns relatos meus, já apareceu em alguns vídeos, e não olhe para trás agora, senão ele pode aparecer aí também! 😆

Pois bem, eu estava precisando de um ombro amigo, um par de pernas resistentes e uma cabeça pensante e bilíngue para me ajudar a ajudar uma atleta na BR135 2020 e eis que o Francis apareceu mais uma vez.

Estourem a pipoca, peguem uma bebidinha e aproveitem esse relato! Está primoroso!

Com vocês, Francisco na BR135:


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Relato - Desafio Pedra do Baú 2019

Conforme postamos em nossas redes sociais ao longo do segundo semestre, tivemos a honra e o privilégio de sermos escolhidos como embaixadores do Desafio Pedra do Baú 2019.

Ao todo foram selecionados 13 atletas - que, de alguma forma, carregam os valores e princípios da organização Mantiqueira Trail Running - para suar a camisa e representar o espírito da montanha nesse lindo evento (e, por alguma razão, nós dois estávamos nesse grupo de notáveis rs).

Para nós é sempre um grande prazer participar dos eventos da Mantiqueira Trail Running. De fato, a gente vem acompanhando o desenvolvimento da organização desde o início de sua história - e é impressionante como eles conseguem sempre evoluir e melhorar o que já era muito bom desde o princípio.

Assim, quando fomos convidados para carregar a camiseta amarelinha dos embaixadores do evento, aceitamos a responsabilidade com muita alegria, mesmo não estando em nossa melhor forma física.

Como já falei nesse blog, o ano de 2019 não foi um ano bom para nós - esportivamente falando. Ainda estamos engatinhando em nosso retorno às trilhas e mesmo correndo apenas pelo prazer de correr, é impossível não nos compararmos com quem éramos e como estávamos em dezembro do ano passado, por exemplo, quando corremos os 24km do Desafio Pedra do Baú.

Considerando nosso volume de treinos desde que voltamos a correr, escolhemos correr os 14km na edição 2019 da prova - e ainda assim, devo admitir, fomos ousados demais! rs

De toda forma, a gente sempre soube que correr era apenas uma pequena parcela do nosso motivo de estar ali (como diz um amigo meu, organizador de uma provinha tranquila no Sul de Minas, "não é só correr").

São Bento é uma cidade que mora no nosso coração desde 2013, quando a visitamos pela primeira vez. Ali já vivemos muitos treinos, muitas provas, muitas farras e muitos momentos felizes entre amigos, e voltar pra cidade é rememorar esse sentimento de bem-estar e de acolhimento. Sempre.

Dessa vez foi ainda melhor, já que nossa netinha (piada interna) passou a morar na cidade e tivemos a oportunidade de passar todo o final de semana causando na casa nova dela! 💕

Fora isso, o Desafio Pedra do Baú é também uma grande festa. Como é praticamente a última prova trail do ano, mesmo as pessoas mais competitivas já estão em clima de confraternização de fim de ano, e essa energia de descontração é palpável no evento e uma coisa que muito nos atrai.

Isso explica, por exemplo, o fato de que ficamos proseando do lado de fora do "curral" de largada e nem percebemos que os 14km já tinham largado! 😂

Saímos correndo, mostramos ao Wilton que estávamos com todo o equipamento obrigatório e subimos a rampa em direção ao pórtico enquanto a Fabi anunciava a última chamada para os atletas de 14km antes de ser dada a largada dos 7km!

MANO! Quase perdemos a largada!
Corre, Cris!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Trail Run Medita Experience

Perdi a conta de quantas vezes comecei a escrever aqui um pequeno relato do que foi nossa participação na Trail Run Medida Experience IV, organizada pela Pedra Grande Trail Runners, só pra apagar tudo que eu havia escrito alguns segundos depois.



A razão disso é que nem eu consegui assimilar direito tudo o que foi vivido nesse final de semana de imersão-desconexão-reconexão, então imagine como é para traduzir isso em palavras coerentes.

Talvez sequer seja possível colocar "no papel" tudo o que foi vivenciado e experimentado. Mesmo assim eu gostaria de tentar compartilhar com vocês e, quem sabe, tocar alguém que esteja justamente precisando de uma experiência como essa em sua vida.

Em linhas simples, a proposta do evento é permitir que os participantes se desconectem do "ruído" e das cobranças - internas e externas - cotidianas para se redescobrirem e se reconectarem com sua própria essência.

Para atingir esse objetivo ao mesmo tempo simples e ousado, o evento mescla palestras, sessões de meditação, yoga, trilha (que pode ser percorrida correndo ou caminhando, a depender do condicionamento do participante), entre outras atividades.

Para ser sincero, de início eu estava mais interessado na parte do trail do que nas outras partes da programação. Sou um pouco cético com certas coisas e um pouco desconfiado com pessoas que abusam do uso da expressão "gratidão", e quando a Cris propôs que participássemos do Trail Run Medita Experience eu nem imaginava qual seria a real extensão da experiência. Só pensava em correr e passar o final de semana com amigos.





Team Chalésão Trail no treino secreto de domingo
Então essa é a hora de me desapegar do orgulho, morder a língua e admitir que esse evento foi um verdadeiro tapa na cara (com carinho, é claro!) e me despiu de várias resistências, permitindo que eu realmente vivenciasse tudo o que foi proposto e, ao final, saísse de lá com um verdadeiro sentimento de gratidão. Toma essa! rs

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Relato: Circuito das Serras - Serra do Mar

Domingo chuvoso... nada melhor que dormir até mais tarde e depois se empanturrar de comer besteira, certo?

Até o mês passado, a nossa resposta seria um sonoro "CERTÍSSIMO!".  Mas o tempo passa e as coisas mudam.

Finalmente estamos retomando nosso ritmo de vida (mais finais de semana livres para fazer o que gostamos, alimentação um pouco menos despirocada etc., etc.) e finalmente (de novo) estamos recuperando nossa confiança em nossos corpos - confiança essa que andava meio abalada desde o início do ano.

A Cris foi liberada pelo fisioterapeuta para testar o tornozelo depois de um longo processo de reabilitação (nem precisamos falar o tanto que recomendamos o trabalho Felipe, que salva nossa pele - e nossos tendões e nossos ligamentos - desde 2013!) e eu venho treinando em baixo volume, mas de forma consistente, há pelo menos 2 meses, sem dor alguma.

Então já estava na hora de colocar os corpitchos para bater na trilha. Até porque dezembro está logo aí e teremos o Desafio Pedra do Baú pra encerrar o ano com bastante dor muscular chave de ouro (quem ainda não se inscreveu, é melhor se apressar, pois as inscrições estão acabando!) e não queremos fazer feio - até porque fomos selecionados para integrar o time de embaixadores da prova!

Eis que surgiu a oportunidade de correr uma prova relativamente perto de casa, com nível técnico tranquilo para quem está voltando a correr e com bastante trilha. Não tinha como deixar a oportunidade passar.

Superado o primeiro obstáculo - que é conseguir fazer a inscrição (grátis), já que ela acaba em questão de minutos! - não seria a previsão de chuva no domingo que nos faria desistir da prova.

Então acordamos antes das 5h da matina e nos dirigimos para o Parque Estadual da Serra do Mar, em São Bernardo do Campo, para retirarmos nossos kits da prova com calma - a largada seria apenas às 9h30.

Em alguns momentos, a neblina era tão espessa que parecia possível corta-la com a faca, mas apesar disso e da garoa ocasional, não estava verdadeiramente frio.

Retiramos os kits e ficamos ali na tenda da Lobo Adventure papeando com os amigos que não víamos há bastante tempo.




Total arroz de festa saindo na foto da assessoria dos amiguinhos

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Relato: 1ª Corrida Pedra da Divisa - São Bento do Sapucaí


Finalmente corri minha primeira prova de 2019. Antes tarde do que nunca. =)

Após mais de 6 meses sem correr, e após pouco mais de 1 mês de reabilitação, com trotes curtos na esteira (e uns 3 ou 4 trotinhos assustados na rua), resolvi testar o corpo na trilha, em condições reais.

E não há maneira melhor de testar o corpo em condições reais do que numa prova, certo?

A primeira edição da Corrida Pedra da Divisa caiu como uma luva para isso.
Percurso curto (5,6km) e 97,22% trilha. Não dava para pedir por algo melhor (não dava para pedir, mas eles entregaram mesmo assim, já que além do percurso lindo, a prova custou a bagatela de R$20,00 e ofereceu um pós prova melhor que de muita prova cara por aí).

Apesar da Cris também estar inscrita para a prova, ela teve um compromisso inadiável e acabei indo para a prova sem ela 💔.

Prazer, Pedra da Divisa (Foto: Toninho)


Para amenizar a dor, convidei amigos para me acompanharem nessa jornada que prometia grande evolução pessoal bastante sofrência (com direito a passar vergonha sendo ultrapassado por todos os corredores sambentistas antes mesmo de completarmos 200m de percurso). O convite foi prontamente aceito pelo Francisco (vulgo Francis-Victor).

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Não é só correr

Após completar os 80km da La Misión Brasil no ano passado, senti um grande vazio. 

Foi a realização de um sonho e a conclusão de um longo projeto pessoal e, de repente, eu me vi sem ter um objetivo. 

Perdi o foco, perdi o desejo de participar de provas, perdi a vontade de madrugar todo final de semana, ganhei peso! rs

Afinal, parecia que nada iria chegar perto da grandiosidade daquela experiência, do êxtase que foi concluir meus primeiros 80km do jeitinho que terminei.


Mudanças em nossas rotinas pessoais também me levaram a uma brusca queda no volume de treinos e quando, finalmente, resolvi me dedicar a treinar para uma prova novamente (a Ultra Trail Challenge Pedra Grande), acabei me lesionando.


Como não poderia correr na data da Ultra Trail Challenge Pedra Grande (e já são 120 dias sem correr desde então...), resolvi ser staff daquela prova. Foi uma experiência muito enriquecedora, como descrevi no relato.


De lá pra cá, passei pelas 5 fases do luto corredor lesionado - negação, raiva, barganha, depressão e aceitação - e finalmente me conformei que esse não é o meu ano.


Quer dizer, estava conformado até chegar agosto. A La Misión foi se aproximando, fui vendo fotos e vídeos do pessoal se preparando para a prova e comecei a sair do meu estado de apatia. Fui ficando verdadeiramente animado por todos os amigos que iriam correr a prova.


Assim, quando surgiu o convite da organização para que a gente participasse da prova como staff, não tive dúvidas de que queria, e muito, fazer parte dessa festa de alguma forma.


Chegamos à Passa Quatro no fim da tarde de sexta-feira, retiramos nosso kit-staff, fomos brifados, ajudamos um amigo a resolver uns pererecos de última hora, vimos e abraçamos muita gente querida. 


Às 4h da matina de sábado já estávamos de pé e às 5h nos apresentamos para serviço.



5h da matina. A cara é de sono,
mas a animação está lá no alto!
A Cris foi com um carro de apoio para o seu posto (uma bifurcação num trecho do percurso de 80km) e eu segui numa Kombi para o PC Paiolinho, onde iria organizar todas as drop bags dos atletas de 80km e controlaria a passagem de todos os corredores dos 50 e 80km.


Check in no posto de serviço às 6h

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Do outro lado do pórtico - Ultra Trail & Vertical Challenge Pedra Grande Trail Runners

Correr uma prova é, logicamente, algo cansativo e recompensador. Mas não pense, nem por um minuto, que trabalhar em uma prova é menos cansativo ou menos recompensador.


Estar no batente, em pé, exposto ao tempo, sem tempo para comer ou ir ao banheiro desde antes do primeiro corredor aparecer para o check in até o último corredor cruzar a linha de chegada; dando a cara à tapa; sendo "o chato" que exige que o regulamento seja cumprido; tendo que explicar ao corredor (seja ele novato ou macaco véio) que existe uma razão para a organização exigir cada um dos itens considerados como obrigatórios; percebendo que tem corredor (às vezes até mesmo pessoas que você já conhece) te achando com cara de bobo e tentando burlar o sistema (sistema esse que foi criado pensando única e exclusivamente na própria segurança do atleta); tendo que desclassificar gente que se livrou dos equipamentos obrigatórios logo após o check in; vendo o olhar de tristeza e frustração do corredor que não atingiu seus objetivos por algum motivo... Certamente não ganhei o prêmio de Staff mais divertido da prova.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Pé na Trilha: Review do Kalenji Kiprun Trail XT7

Outro dia, conversando com amigos, um deles falou a seguinte frase: "saudades de reviews de tênis de R$200,00... pois não adianta nada ler o review de um tênis de R$1.000,00 que eu sei que nunca vou comprar".

Essa frase acabou ficando na minha cabeça e resolvi, após bastante tempo, soprar a poeira e tirar as teias de aranha da área de reviews do blog para contar pra vocês as minhas impressões sobre um tênis que, se não custa R$200,00, está perto disso (R$299,00): o Kalenji Kiprun Trail XT7, vendido pela Decathlon.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Relato: Desafio Pedra do Baú

Uma semana após corrermos os 32km de Botucatu, tivemos a oportunidade de voltar a correr na Chamonix Brasuca, a.k.a. São Bento do Sapucaí, numa prova organizada pelos amigos Mantiqueira Trail Running (eu sempre fico na dúvida se esse título de Chamonix brasileira é de São Bento ou de Passa Quatro... como ainda não conheço a Chamonix original, divido meu coração entre essas duas versões brasileiras mesmo e com o maior gosto).

Já havíamos participado de muitos (quase todos!) os mega treinos organizados por eles, mas foi a primeira vez que pudemos correr uma prova deles - e a experiência não poderia ter sido melhor. Como de costume, foi uma excelente ocasião para rever muitos amigos (encontrei até mesmo meu sensei do Karatê de quando eu era criança carçuda lá em Vinhedo, dos 12 aos 17 anos! kkkk), estreitar os laços, fazer novos amigos e desfrutar de cenários deslumbrantes fazendo o que mais gostamos.

Para dar um toque ainda mais especial à experiência, decidi correr a prova lado a lado com a Cris. Apesar de muita gente achar que corremos sempre juntos, a verdade é que treinamos juntos, mas nas provas cada um faz a sua - dá pra contar nos dedos da mão a quantidade de provas que corremos ombro a ombro.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Relato: Run Brasil Ride Botucatu - 32km

Run Brasil Ride ou Ultra da Cuesta ou ainda Ultra Trail Run 70k Brasil Ride (ou qualquer outra combinação que você quiser fazer com essas palavras, todo mundo vai te entender! rsrs).



Ano passado havíamos escolhido essa prova como "treino longo" para a La Mision 80km desse ano. A ideia era usar os 70km da prova, bem menos técnicos que a La Misión, para ver como o corpo iria se comportar acima dos 50km.

Fizemos a inscrição, treinamos (pero no mucho) e uns 2 meses antes da prova eu acabei quebrando o dedo do pé em um acidente super radical  - bati o dedinho na quina do sofá.

Há males que vem para bem! Acabamos transferindo a inscrição para esse ano, descasamos um pouco no final do ano passado antes de iniciarmos o mega ciclo de treinos que fizemos para a La Misión e que, na minha opinião, foi muito bem sucedido.

Passada a La Misión, além da demorada recuperação do desgaste físico (e de uma pequena lesão que começou a me incomodar no km 20 daquela prova), foi necessário superar o desgaste emocional, ou falando bom português, o bode pós prova.

Foram tantos meses focados naquela prova que, quando ela passou, ficamos nos sentindo "órfãos", sem objetivos, sem vontade... nenhuma prova nos apetecia.

A data da Ultra 70k foi se aproximando cada vez mais e o bode permanecia... além disso, fiquei praticamente 2 meses sem treinar absolutamente nada, e em meados de novembro "longão" para mim era 15km. Ou seja, 70km estava fora de cogitação.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Relato: La Misión Serra Fina 80km - Um drama de aventura

Ato 1 - Estamos aqui para isso



As cortinas se abrem.
Praça da Matriz, Passa Quatro/MG, 9 horas da manhã.
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 e lá vamos nós, quase 300 corredores, escoltados pelas ruas de paralelepípedo da cidade e com destino a essa mesma praça, mas 50 ou 80 quilômetros depois.

Ao me colocar em movimento, toda a tensão se dissipou. Estava confiante no ciclo de treino realizado especificamente para esse dia, que havia se iniciado ainda em dezembro de 2017, e essa era a hora de colher tudo o que havia sido plantado nesses oito meses. Correr e andar por 80km entre trilhas, pastos e estradas, no tempo que fosse necessário - desde que abaixo de 25 horas (tempo limite estipulado pela organização). Eu estava ali para isso.




Como de costume, larguei lá atrás, com tranquilidade. Se normalmente já não tenho pressa em largar, não seria justamente na minha estreia nos 80km que eu iria resolver "meter o louco" e sair em disparada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Relato: NTS Juquitiba

Como dizem por aí, quando uma janela se fecha, uma porta se abre.

Nada a ver a frase. Eu só queria uma chance pra usar esse GIF
Não temos feito inscrições para provas, mas através de amigos e parceiros, algumas portas já nos foram abertas esse ano e - ao invés de sair um vampiro ou um gorilão*-  do outro lado da porta o que encontramos foi a oportunidade de correr novas provas e conhecer novos lugares.

* Pra quem não assistia TV de manhã na década de 1990,
aí está a explicação do vampiro/gorila atrás da porta.
Foi esse também o caso da NTS Juquitiba, promovida pela WM7 Sports, que chegou até nós através do contato de uma amiga.

Considerando a data da prova, a parcos 13 dias da nossa prova alvo do ano, usamos a NTS para complementar nosso volume de treino.

Ao invés de aproveitarmos que a prova seria realizada no domingo - com a excelente opção de retirada de kit antes da largada - para dormir até mais tarde no sábado, aproveitamos que a chuva deu uma trégua e usamos o sabadão para algo que não fazíamos há um bom tempo: treinar ludicamente com os amigos.

Não me leve a mal. Todos os nossos treinos são divertidos, mas a bem da verdade, faz praticamente 8 meses que nossos treinos estão mais focados na nossa prova alvo e, por essa razão, acabamos treinando só eu e a Cris, por longas horas.

Então, faltando tão pouco tempo para a prova alvo, já com toda a lição de casa feita, finalmente nos concedemos a oportunidade de fazermos um treino coletivo "curto" e com foco na zoeira! rs

Apesar de tranquilos quanto à altimetria, os 20km de lama do treino de sábado acabaram exigindo um bom trabalho de propriocepção e deixaram as pernas mais cansadas do que eu imaginava.


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Embrace the Perrengue


Quem me conhece há algum tempo sabe que sou um bicho muito do besta um grande apaixonado não apenas pelas corridas de montanha como também por toda a cultura e história das provas longas e fora de estrada (ultra trail).

Além disso - ou justamente por causa disso - sou meio que nerdão no assunto. Gosto bastante de ler avaliações de equipamentos e, principalmente, relatos de provas.

Infelizmente, tirando RXplorerRei da MontanhaTrail Running NetMontanha Minha PraiaTe Levo Pra Trilha e mais alguns poucos (é uma pena que Manu Vilaseca e Fernanda Maciel não escrevam mais relatos como antigamente) não temos tantos sites de relatos de provas em português quanto eu gostaria (se você conhecer e recomendar algum, deixe nos comentários!), então a maior parte dos relatos que leio são em inglês.

A oferta de relatos em inglês é gigante! Você consegue ler sobre a mesma prova do ponto de vista de um corredor Top 10, e do ponto de vista do cara que passou a prova inteira lutando para fugir do corte. Na minha opinião, essa experiência quase "vicária" é muito enriquecedora, e dá pra aprender bastante coisa assim.

Acontece que de tanto ler relatos em inglês - desde antes de correr mais de 12km -  sempre que estou no meio de uma prova ou treino longo, meu cérebro começa a repetir frases de efeito e mantras em inglês e chego mesmo a pensar na prova em inglês (tontão, eu sei... mas não controlo isso).

Sou usuário assumido de mantras e realmente acho que eles têm um poder bastante positivo no meu estado de espírito na hora que o bicho pega.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Relato: Rural Running - Bragança Paulista

Você achou que não ia ter relato de prova antes de agosto?


Sem ofensas! Isso é Choque de Cultura! kkkk

Eu também achei que não ia ter relato de prova antes de agosto (quando correremos a NTS Juquitiba - aliás, temos cupom de 10% de desconto), mas aí o nosso amigo @CorreMaluco fez uma proposta irrecusável, oferecendo-nos a oportunidade de testar nossas pernas pesadas e lentas de quem só faz treino LSD (long slow distance) numa prova curta e em terreno praticamente 100% corrível na Rural Running em Bragança Paulista.

Claro que aceitamos o convite!

Como a prova seria no domingo, fizemos nosso treino normalmente no sábado. E que treino!

Terreno 99,64% técnico, com vistas espetaculares e zilhões de carrapatos!





Valeu galera da Lobo Adventure por essa oportunidade!
As pernas ficaram um pouco moídas das descidas duras e pedregosas de sábado, mas no domingo pela manhã a expectativa era alta!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Travessia da Serra Fina em 1 dia

Serra Fina é Serra Fina.
Apesar de ser uma frase simples e, aparentemente, boba, ela é cheia de significado.
Quem conhece a região sabe bem o que estou falando. Localizada na região das Terras Altas da Mantiqueira, próxima ao encontro entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro (um cantinho abençoado que também conta com o Parque Nacional do Itatiaia e que tem vista para o Parque Nacional da Serra da Bocaina, Marins-Itaguaré e mesmo o Parque Estadual da Serra do Papagaio), a Serra Fina é o paraíso na Terra para trekkeiros, montanheiros e amantes da natureza em geral.

Apesar de já termos ido um bocado de vezes para a região, nunca tivemos a oportunidade de pegar o tempo verdadeiramente bom, com visual desimpedido em 360º. Então resolvemos ir pra lá em junho, na temporada de montanha, tradicionalmente marcada pela estiagem, na esperança de encontrar céu azul e paisagens de tirar o fôlego até onde a vista alcança.

O programado era aproveitar o feriado de Corpus Christi para fazermos um treinão saindo do centro de Passa Quatro, subindo pela Toca do Lobo, descendo pelo Paiolinho (a chamada "meia travessia") e retornando ao centro da cidade.

Mas aí veio a greve dos caminhoneiros e a crise de abastecimento, ficamos com receio de não termos combustível para voltar pra casa e abortamos a viagem. Vi fotos de gente que esteve na Serra Fina naquele feriado e quase chorei... o tempo estava perfeito!

Pouco tempo após abortarmos o plano, surgiu a oportunidade de acompanharmos os amigos André e Lih e mais uma trupe de corredores da Lobo Adventure em um treino preparatório para a Ultra dos Perdidos (Paraná), justamente na Serra Fina.

Apesar de estarmos já na metade de junho, o clima ainda está longe de ser o de estiagem e a previsão para o final de semana não era das mais animadoras.

Ainda assim, lá fomos nós.

Chegamos em Passa Quatro na sexta-feira, às 22h30. Jantamos, fomos para a pousada às 23h30, fizemos os últimos ajustes nas mochilas, banho tomado, dentinhos escovados e quando fui colocar o celular para despertar ele me disse que eu tinha 1h47min até o despertador tocar. Apesar disso, consegui dormir bem por pelo menos 1h20 e acordei me sentindo descansado e preparado.

Comida para pelo menos 25h de atividade
Carregando a casa nas costas (segurança em primeiro lugar)
Tomamos o café, tiramos uma foto na porta do hostel da Carioca e partimos - em 8 desmiolados - com destino à Toca do Lobo, onde encontraríamos os demais 5 membros do grupo para iniciarmos a travessia da Serra Fina em um dia.


Do centro até a Toca do Lobo o tempo passou bem rápido e a 'corrida' fluiu bem - o que foi ótimo, já que esse era o único trecho verdadeiramente corrível de todo o trajeto!

Os m0l3k3 d01d0!


A cara de quem achou que daqui pra cima ia ser só tempo limpo e sol!
Olha o único pedaço de céu azul do dia!