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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

... Alô, alô, tem alguém no blog? - Treinos de Janeiro

Rélôu! Ainda tem alguém aí?

Apesar de o blog ser dedicado a relatos de provas e avaliações de equipamentos, resolvi escrever esse texto aqui para tirar as teias de aranha da página enquanto não participamos de nenhuma prova (sem previsão de provas até o momento).

O tema dessa redação é: Minhas férias (saudades, quinta série!).

Consegui duas semanas de férias em janeiro e me programei para aproveitar esse tempo ao máximo, com o intuito de me afastar tanto quanto possível dos efeitos nocivos do excesso de civilização (também conhecido como psicose da cidade grande) .

Por uma grande felicidade, janeiro marcou também a minha volta aos treinos, após quase 6 meses sem treinar (participando de provas, apenas) e 3 meses sem correr absolutamente nada.

Desse modo, juntei a fome com a vontade de comer e tracei um planejamento relâmpago para 15 dias de aventuras no meio do mato.

Infelizmente, não deu para a Cris me acompanhar na primeira semana de viagem, então tive que me aventurar sozinho.

A ideia inicial seria fazer parte do Caminho da Fé, mas depois pensei melhor e cheguei à conclusão de que o Caminho da Fé era civilizado demais para o que eu estava buscando. Assim, pensei em fazer o Caminho da Luz. Contudo, ao pesquisar melhor sobre essa peregrinação, senti que não estaria tão livre como eu gostaria e ficaria dependente da Rastro de Luz (empresa que administra a rota).

Por fim, acabei percebendo que o maior atrativo do Caminho da Luz, para mim, seria o fim do Caminho, com a chegada à Alto Caparaó e a subida ao Pico da Bandeira.

Logo, porque não me dedicar exclusivamente a esse trecho?!

Numa quinta-feira comprei as passagens de ônibus e fiz a reserva da pousada e no domingo já estava embarcando num gélido ônibus (sério, nunca vi ônibus tão gelado) com destino à Manhumirim, de onde pegaria um ônibus circular até Alto Caparaó/MG.

Férias Parte 1 - Parque Nacional do Caparaó

No total, levei 15 horas de SP até Alto Caparaó.


Cheguei à cidade, localizei minha pousada, troquei de roupa e fui atrás de uma padaria/lanchonete para comer algo antes de fazer minhas estripulias.

Quem disse que às 10h da manhã ainda tinha pão na cidade?! rsrs
Mas eu não poderia reclamar. Fui eu que escolhi fugir do excesso de civilização né. rs
Comprei um Toddynho e uma Ana Maria e saí pra tentar achar o ParnaCaparaó.
Os últimos dias foram de muita chuva na região e mesmo naquele dia a cobertura de nuvens não permitia que eu visse onde estava a Serra do Caparaó (apesar de ela dominar o horizonte da cidade!).

Sem acesso à internet (a operadora Vivo não pegava na cidade), confirmei com o padeiro que, se seguisse em linha reta por aquela avenida, chegaria à bifurcação com uma placa indicando a portaria do Parque.



Iniciei meu trotinho bem lentamente, por conta da noite mal dormida, da pouca comida consumida nas últimas 12h e pelo excesso de peso da minha mochila. Três quilômetros depois, cheguei à portaria do parque, me identifiquei (não cobraram a taxa de ingresso) e fui informado de que restavam ainda 6km de estrada de terra até a Tronqueira (primeiro acampamento do Parque e último ponto acessível por carros).

Foram 9km com aproximadamente 1000m de desnível positivo acumulados, em aproximadamente 1h30, com visibilidade de poucos metros e praticamente sem ver viva alma (vi mais um caminhante - Rodrigo - e um jipe).



A intenção para o dia era somente chegar até a Tronqueira e voltar ao centro, mas como a progressão havia sido melhor do que eu esperava e como ali em cima o tempo estava um pouco melhor, resolvi avançar até o próximo acampamento - Terreirão.

Dali pra frente finalmente tive contato com trilhas e pedras, que era o que eu tanto buscava.
Foram mais aproximadamente 4km e 450m de ascensão com muitas pausas para fotos.







Do Terreirão vi as placas indicando que o cume do Pico da Bandeira - o terceiro pico mais alto do Brasil - estava a apenas 3,5km de distância.


Parei para fazer um inventário do meu estoque de água e de comida para ver se daria para encarar a subida ao cume e o retorno à cidade. A comida não era muita, mas seria suficiente. Contudo, ao olhar para trás me deparei com uma bela tempestade caindo lá embaixo.

 


Com medo de o vento mudar de direção e trazer a tempestade para o meu lado, resolvi encerrar a exploração por ali mesmo e iniciar a descida de volta à pousada (mas antes parando para conhecer o Vale Verde, já perto da portaria do Parque).

Total do dia: 27km e aproximadamente 1.600m de desnível positivo.

Para o dia seguinte eu havia combinado com o Rodrigo para dividirmos uma carona de jipe até a Tronqueira (R$70,00 cada perna de jipe com o Seu Natalino), pois queria poupar um pouco as pernas na estrada para usá-las apenas nas trilhas do Parque.

Chegando à Tronqueira, me despedi do Rodrigo e saí trotando morro acima para chegar logo à minha primeira parada - o Pico da Bandeira.





Linguinha de fora porque é difícil respirar nessa altitude rs



Claro que tive que parar várias vezes no caminho para tirar fotos, né? O tempo estava muito melhor que no dia anterior!




 






Após 1h50 atingi o cume do Bandeira, a 2.892m de altitude. Que dia lindo! Que vista espetacular! E que vento do cão! rsrs




Dali segui em direção ao Pico do Calçado para fazer a travessia até a Casa Queimada (o equivalente capixaba da Tronqueira, isto é, o último ponto acessível por carro para quem vem do Espírito Santo).




Esse trecho da trilha é bem mais curto que o lado mineiro do parque, com aproximadamente 4,5km de extensão. A distância menor implica em uma inclinação bem maior, com terreno bem mais técnico - resumindo, um paraíso!!!


Novamente, parei muitas e muitas vezes para tirar fotos, para fixar a câmera em totens e passar correndo em frente a ela e para comer e apreciar o visual. No lado capixaba me deparei com pelo menos 4 grupos de caminhantes e sempre parava para conversar e trocar informações.








Antes de descer para a Casa Queimada fiz um pequeno desvio até a Pedra das Duas Irmãs e então iniciei a descida final, de mais ou menos 1,5km e perdendo uns 250m de altitude até o acampamento. Que trechinho encardido. Parte mais chata de toda a travessia, credo! rsrs

Cheguei à Casa Queimada com um pouco menos de 3h30 de atividade. Fiz uma pausa para o banheiro e para comer alguma coisa e iniciei o retorno da travessia, cercado por muitas e muitas abelhas. Novamente me incomodei com esse trechinho de 1,5km entre a Casa Queimada e as Duas Irmãs. Não sei explicar, mas ôh trecho chato! hahaha

Chegando às Duas Irmãs, o percurso ficou relativamente plano e resolvi correr um pouco. Nem bem trotei 300m e topei com o pé numa pedra, perdi o equilíbrio e caí de joelho em outra pedra.









Passado o susto, analisei a situação com calma, tirei minha mochila e resolvi fazer um curativo (VÍDEO AQUI).
Parênteses: Normalmente eu já carrego muita coisa nos meus treinos (Síndrome de Inspetor Bugiganga). Sabendo que estaria sozinho nessa aventura, tratei de carregar ainda mais coisas (kit de primeiros socorros, cobertor de emergência, saco bivac de emergência, spot, muita comida, corta-vento e anorak, blusa de fleece... MUITA coisa. Nunca se sabe se você vai torcer o pé e ficar isolado no mato por uma noite. Melhor prevenir do que remediar, certo?).

Curativo feito, decidi que não iria arriscar mais tombos bestas e outras lesões/torções. Eu estava sozinho, um pouco cansado do acúmulo de atividade nos últimos dias e havia prometido para a Cris que iria me comportar direitinho enquanto estivesse fora! rs

Subi tranquilo os 3km restantes até a base do Bandeira e no caminho ainda cruzei com os grupos que havia encontrado na ida para a Casa Queimada (quase todos eles ainda estavam na ida ao Pico, alguns pensando mesmo em desistir).

Conversei um pouco, dei umas dicas para que eles não desperdiçassem energia na subida e segui adiante. Depois do Pico do Calçado rumei para o Terreirão e a Tronqueira, sem subir novamente ao cume do Bandeira.

Em uma caminhada tranquila cheguei próximo à tronqueira em pouco mais de 6h30 de atividade e decidi conhecer o Vale Encantado. Melhor decisão que poderia ter tomado.


As águas cristalinas dos diversos poços e cachoeiras do Vale estavam perfeitas para relaxar os músculos cansados dos 51km + 3400m de desnível positivo desses dois dias de passeio!
Para completar, descolei uma carona de carro para retornar ao centro da cidade \o/.

Total da Travessia Tronqueira-Casa Queimada Back to Back: 24km e mais ou menos 1.800m de desnível positivo acumulado.

O lado capixaba da travessia é bem mais técnico e mais curto que o lado mineiro... mas não sei dizer qual lado é mais bonito. O melhor mesmo é conhecer os dois lados! =)
Dica: retoque o protetor solar! Normalmente eu passo protetor só uma vez antes de sair pra correr e dá tudo certo. Lá essa estratégia não funcionou (talvez o ar puro filtre menos os raios nocivos! rs).

Curiosidade: mesmo a trocentos quilômetros de SP, a gente nunca está sozinho. E não é que encontrei a Lih e o André no centro da cidade, igualmente fazendo um rolê pela Serra do Caparaó?!

No terceiro dia, resolvi não dar sopa para o azar e não forçar as pernas já sobrecarregadas nesse retorno às trilhas e às corridas, então procurei uma forma alternativa de turismo na cidade, para não subir de novo ao parque e acabar me empolgando em outra trilha ou outro cume.
Procurei bicicletas para aluguel e nada... cavalos, nada... riquixá, carro de boi, charrete, walk machine... nada! rs

Sem alternativa, comecei a caminhar sem destino e encontrei uma placa para o Parque Cachoeira das Andorinhas.

Andei 9km até lá, tranquilamente, pensando em que rumo tomar na vida, sempre cercado por muitas plantações de café.
Paguei o ingresso (R$13,50) e fui conhecer as cachoeiras.
Bom, depois do Vale Encantado, seria difícil alguma cachoeira me surpreender... ainda mais no caso das cachoeiras do Parque, que sofreram com as chuvas fortes da semana anterior e estavam cheias de lama e com a água turva.
A estrutura do parque é legal para passeios familiares (restaurantes, escadas e corrimões para chegar às cachoeiras, mini zoológico...), mas eu ainda prefiro a natureza intocada. Almocei por ali e, sem nada pra fazer, iniciei meu retorno sob o sol das 13h.

Total do dia: 18km e +/- 500m de ganho.

Na quinta-feira foi dia de fazer as malas e me preparar psicologicamente para minha longa viagem de retorno à SP, onde cheguei na sexta-feira, às 8h da manhã, sendo recepcionado por muita chuva.

Férias Parte 2 - Sul de Minas
2.1 - Extrema

Na sexta, enquanto a Cris trabalhava, tratei de desfazer minha mala, lavar umas roupas e refazer minha mala. No dia seguinte partiríamos os 3 (Cris, Minnie e eu) para uma semana de férias e treinos em família.

A primeira parada foi em Extrema/MG, onde chegamos debaixo de uma chuva fraca.
Fizemos o check in na hospedagem que reservamos pelo Airbnb, trocamos de roupa e, assim que a garoa diminuiu, saímos para um passeio.
Fizemos um roteiro circular, subindo pelo Pico dos Cabritos, contornando a Pedra da Sacerdotisa e descendo para a cidade via Pedra do Sapo.










O tempo continuava fechado e não deu pra ver praticamente nenhuma paisagem de lá do alto. Mas o que importa é que estávamos os 3 juntos! =)
Total do dia: 9,3km e 600m D+

No dia seguinte já havíamos combinado de explorar melhor a Serra do Lopo na companhia de um amigo até então virtual, o Isaac (que eu conhecia apenas do Instagram).
No horário combinado nos encontramos com o Isaac, o João e o Mauro e iniciamos nosso treino, sob um céu cinza mas não muito ameaçador.

Os meninos estavam empolgados, mas foram bem pacientes conosco e com nosso ritmo lento (botamos a culpa na Minnie e tudo certo! rsrs).
Com eles guiando, exploramos a trilha do Pinheirinho, a rampa de decolagem, a pedra das Flores (onde tivemos que pagar uma taxa de 5,00 por pessoa) e mais algumas trilhas aparentemente abandonadas.








Da rampa de decolagem em diante o tempo (que já não permitia visual algum) piorou e caiu sob nós uma forte chuva.
A Minnie ficou um pouco assutada com a chuva forte e travou, não querendo mais avançar. Vestimos nossos anoraks, colocamos uma 'capa de chuva' de sacola de mercado na Minnie, peguei-a no colo e enfrentamos alguns quilômetros - aparentemente intermináveis - de vara mato escorregadio e espinhoso (nossa própria Barkley! rsrs).








Saindo da trilha, a chuva parou e nos encontramos num grande campo minado de estrume e espinhos num grande pasto, com alguns nelores olhando de forma interessada na nossa direção.
Anda pra lá, escorrega de cá, foge dos bois dali, cai sentado nos espinhos daqui e finalmente achamos a saída do pasto! rs
Dali seriam mais uns 7km de estrada de asfalto até a cidade, o que seria rápido se a Minnie não estivesse empacada. Era colocá-la no chão, trotar 100m e ela travava (frio, medo, cansaço? não sei...).

O João precisava voltar mais rápido pra cidade e a Cris sugeriu que eu o acompanhasse e buscasse o carro para resgatá-la depois.
Quase enfartei acompanhando o João na corrida enquanto conversávamos! hahaha
Fazia tempo que eu não corria efetivamente mais do que 5km contínuos e em ritmo que não fosse trote leve.
Peguei o carro e fui resgatar a Cris, Minnie e o Isaac, que ficou para fazer companhia para a Cris.

Isaac, João e Mauro, muito obrigado pela cia! Nós voltaremos quando o tempo estiver mais seco! rs

Total do dia: 21,7km e +/- 1.100m D+.

2.2 - Serra Fina

A ideia era usar essa segunda e última semana de férias para curtir umas trilhas com a patroa e a criança com a Cris e a Minnie, mas sentimos que os dois dias seguidos de trilhas + chuva deixaram a nossa filhota bem cansada... somado com o cansaço que ela sentiu no treino do final de semana anterior, no Morro do Saboó, bateu um certo remorso e resolvemos poupá-la.
Fizemos um desvio de percurso, deixamos a filhota protegida e bem cuidada e partimos para Passa Quatro - onde, para variar, chegamos com o tempo fechado.

Ficamos hospedados na Pousada da Carioca (melhor escolha possível), dissemos a ela os nossos planos e ela nos assegurou que, apesar das chuvas, conseguiríamos chegar ao nosso destino com nosso próprio carro, sem termos que contratar jipe/resgate.

Na terça pela manhã, vestidos de Power Rangers trilheiros e carregando quilos e quilos nas costas, embarcamos em nosso Fit envenenado (coitado do Fitão...) e subimos com destino à Toca do Lobo. Não vou dizer que foi tranquilo, mas no final sobrevivemos e o carro não desmontou, então tudo bem!

Iniciamos a trilha vagarosamente e fomos curtindo o visual e tirando trocentas fotos. Foi a segunda vez que pisamos na Serra Fina, sendo que na primeira vez a Cris não teve como aproveitar muito as paisagens, pois quando iniciou a descida do Capim Amarelo para o Quartzito as nuvens estavam dominando o cenário. Para remediar isso, ficamos um bom tempo ali na crista do Quartzito tirando fotos e mais fotos e absorvendo todo o panorama.












O cume do Capim Amarelo ficou invisível para nós durante toda a nossa subida, encoberto por nuvens... e muitas nuvens se formaram às nossas costas enquanto subíamos para o Capim.
O vento foi aumentando, as nuvens foram engrossando e, enquanto fazíamos um lanchinho fit, começamos a sentir umas gotas caindo.
































Decidimos iniciar a descida, apesar de faltar no máximo uns 600m até o cume do Capim Amarelo. No caminho de volta para a Toca do Lobo vimos uma grande tempestade passando e caindo na cidade lá embaixo e, ao mesmo tempo, olhando para trás, vimos o cume do Capim Amarelo já livre de nuvens! Sa-ca-na-gem! rsrs










Antes do tombo







Voltamos até a Toca do Lobo e aproveitamos para uma sessão rápida de crioterapia (antes do banho gelado a Cris ainda conseguiu tomar um capote bem na última pedra do riacho) enquanto curtíamos um banho de sol (dá pra acreditar? rs).

A descida de carro até o centro foi tranquila e sem incidentes.

Total do dia: 14,8km e +/- 1.100m D+

Na quarta optamos por descansar um pouco e fomos conhecer a Floresta Nacional de Passa Quatro e passear pelo centro da cidade, onde fomos surpreendidos por uma baita de uma chuva.


Melhor parte da FLONA Passa Quatro!
Na quinta o dia amanheceu bastante nublado, mas estava com cara de que o tempo iria abrir.
Iniciamos a subida pela estrada do Paiolinho e após muitos sustos e patinadas, resolvemos parar o carro num recuo da estrada e continuar a subida a pé.

Quando chegamos à boca da trilha para a Pedra da Mina, 5km após deixarmos o carro, trovões começaram a ribombar à nossa volta e foi só o tempo de vestir o anorak e a chuva caiu, reduzindo bastante a visibilidade.
Achamos mais prudente iniciar nosso retorno até o carro e, uns 2km para baixo, a chuva parou de cair e o tempo parecia que ia abrir. Sentimos um pouco de frustração, mas segurança em primeiro lugar. Sempre.
















Total da manhã: 11km com 550m D+

Voltamos ao centro da cidade e algum tempo depois caiu outro temporal, daqueles de criar correnteza nas ruas! Foi mesmo mais prudente termos voltado.
Almoçamos, tiramos um cochilo e quando acordamos o tempo havia firmado um pouco mais. Resolvemos espantar nossa frustração por não conhecer a Pedra da Mina com um trotezinho por parte do percurso da UD Passa Quatro, que passava bem em frente à nossa pousada.

A subida pareceu bem menos assustadora do que eu me lembrava da UD. De fato, a subida me pareceu até boba! rs
Avançamos 6,5km e então resolvemos retornar esses 6,5km estrada abaixo, já com a luz minguando. Chegamos à pousada às 20h, prontos para um banho e para uma visita ao Napoleão para umas cervejas artesanais e uns xisburguis!

Total da tarde: 13km  com 250m D+



Total do dia: 24km com 800m D+

3.3 - Marins

Na sexta-feira pela manhã, nos despedimos da Carioca com dor no coração e pegamos a estrada com destino à Marmelópolis, para encontrarmos a galera animada da TRB e encararmos a última aventura das férias: os Picos do Marins e Marinzinho.

A carioca havia dito que a estrada de terra que liga Passa Quatro, Virgínia e Marmelópolis estava em boas condições e que seria muito mais prática do que descermos de volta à Dutra.
Ligamos o GPS e ele nos indicou uma viagem curta, de aproximadamente 30km. Após uns 7km de estrada deserta e em péssimo estado, quase enguiçamos o carro num verdadeiro rock garden de MTB (o parachoque do Fitão servindo como pá de escavadeira na pista). Paramos o carro assim que o terreno permitiu e - com o coração na boca - decidimos retornar de onde viemos para pegar a Dutra (posteriormente descobrimos que o GPS nos mandou para uma estrada diferente da que a Carioca havia recomendado...rs).

Depois de pegarmos o asfalto, a viagem foi tranquila. Desce a Serra até Cruzeiro, sobe a Serra de novo por Piquete, desce pra Delfim Moreira, entra em Marmelópolis e segue as placas das pousadas do Dijalma e do Maeda.

Acabamos nos hospedando na pousada do Dijalma, situada a 23 passos da famosa pousada do Maeda, pois quando fomos reservar a pousada do Maeda ela já estava lotada.
No fim das contas foi bem melhor assim.
Fomos acolhidos MUITO MUITO bem pelo Dijalma e sua família. De outro lado, na primeira e única interação que tivemos com o Maeda, fomos tratados de forma ríspida (pra não dizer estúpida). Simplesmente subimos até a pousada Maeda para encontrar um casal de amigos que estava hospedado ali e o Sr. Maeda disse: "Vocês, Jalma. Nada a vê. Nada a vê. Sai. Fola." Explicamos que não queríamos nada dele, mas apenas encontrar nossos amigos, ele repetiu o "nada a ver" e virou as costas... simpático como um espinheiro.

Enfim, fomos caminhar pelo circuito das águas (salvo engano, 6 cachoeiras enfileiradas) a pouco mais de 1km de distância das pousadas e no caminho encontramos nossos amigos.
Ao longo da tarde e noite adentro foram chegando mais e mais pessoas e a excitação era palpável!
Dormi muito mal essa noite... fiquei preocupado com o nível do treino, o nível de exposição da trilha e com a meteorologia (pois durante a noite era possível ver vários relâmpagos cruzando o céu) - o fato de ter um riachinho correndo atrás do meu chalé também não ajudou, pois a todo instante pensava que era a chuva caindo! rs

O sábado amanheceu um dia lindo e com o céu bem limpo, então uma preocupação a menos na cabeça.
Checagem de equipamentos obrigatórios (kit de primeiros socorros, anorak, headlamp,2L d'água, etc), briefing, selfies e lá fomos nós, divididos em percurso longo (Marinzinho-Marins-Refúgio-Pousada) e curto (Pousada-Marinzinho-Pousada).

Eita galera animada!
Optamos pelo percurso longo, que concentrava a maior quantidade de pessoas e estava subdividido em 3 grupos (avançado, intermediário e conservador). Começamos o treino no grupo intermediário, já pensando que, se o bicho pegasse, poderíamos parar para descansar e aguardar o grupo conservador.

Sim, somos engraçadões!


O início da travessia é tecnicamente tranquilo, mas um tanto quanto cansativo. São aproximadamente 3km subindo por estrada de terra, mas com uma inclinação bem boa com uns 400 e poucos metros de ascensão. Dali pra frente se inicia uma trilha com escalaminhada, trepa-pedra, cordas e visuais incríveis.



Do Mirante de São Pedro (2.135m) em diante eu estava me sentindo muito bem e resolvi avançar na frente do grupo, já prevendo que dali pra frente iria encontrar vários trechos expostos e com cordas (nesses trechos mais 'arriscados'/assustadores eu prefiro estar sozinho, para fazer tudo no meu ritmo. Se eu tiver que parar para esperar alguém existe o risco de eu olhar para o lado ou para baixo e travar de medo #truestory).













Jimmy fazendo a gente sentir ainda mais saudades da Minnie









Ali em cima, a poucos metros do cume do Marinzinho, aguardei a Cris e o restante do grupo e fizemos nossa primeira parada para lanche.



Em seguida descemos até um platô existente entre o Marizinho e o Marins e o Sinoca pediu para reunir os grupos e decidir quem iria arriscar o cume dos Marins e quem desceria direto para o refúgio desde ali.















P'oncovô?
Optamos por subir o Marins e lá fomos nós, rumo ao paredão de pedra. Nesse trecho, como o grupo estava meio embolado, acabei travando de medo ao olhar para cima e ver algumas pessoas procurando o caminho certo, como cabras das montanhas subindo a parede de uma represa.

Tipo isso






Sentei e sinalizei para a Cris que ficaria por ali mesmo... uns 5min depois olhei pra cima, não vi ninguém e resolvi tentar atacar o cume outra vez, seguindo uma via que o Romário disse ser menos exposta: sucesso!

Olha eu travado de medo e sentado ali








Lá em cima, grupos intermediário e conservador reunidos, fizemos mais uma parada para lanche e fotos e os guias Paulinho e Romário combinaram a ordem da descida.

Pedro coçando a cabeça e pensando: Óia essas minas, que sem noção! rs

Hora do lanche, que hora tão feliz! Hamburguer  no cume interessa?


Cume, baby!
O grupo mais rápido saiu com o Paulinho, vi que o outro grupo ainda estava empolgado tirando fotos e resolvi iniciar minha descida sozinho, após o grupo intermediário e antes do conservador, pra não correr o risco de travar... estava bastante preocupado com a descida.

A Karol, a Michele e o Will acabaram me acompanhando na descida - que foi MUITO mais tranquila do que eu imaginava! - e acabamos ficando isolados entre os dois grupos. Paramos para reagrupar, comemos mais um pouco (dá pra perceber que essas trilhas são um festival de petiscos, né?? rs) e então, com o grupo completo e o Romário liderando o pelotão, iniciamos a descida até o Morro do Careca e o Refúgio do Marins (tirando a "chaminé", a descida foi bem tranquila).


Nhe, tá ruim não



Eles estão descendo ali atrás. Consegue vê-los?

Uhul, bora descer!



Escadinha tensa!

Chegando ao Refúgio, compramos as últimas latas de refrigerante disponíveis e nos preparamos para enfrentar os 8km de estrada até a Pousada.
Normalmente eu não gosto de estradas, ainda mais depois de passar tanto tempo em trilhas tão bonitas... mas acho que meu guaraná estava batizado, pois foi só colocar o pé naquela estrada que baixou uma vontade tremenda de correr! Depois de um ou dois quilômetros encontramos o Sinoca de carro e deixei minha mochila com ele. Parecia que tinha tirado 5km de cada perna!




Revigorado com os quilos a menos, fiz o possível para acompanhar o ritmo do Romário, que parecia flutuar naquela estrada.
Seguimos juntos e conversando tanto quanto era possível sem engolir 87 mosquitos por segundo. O tempo todo atravessávamos nuvens de mosquitos, então tínhamos de correr de olhos apertados e bocas fechadas! rs

Cinquenta minutos depois estávamos na pousada. Fim de um excelente treino, com nível técnico muito bom, paisagens fantásticas e uma energia sem comparação!

Eu estava me achando todo fodão por ter feito esse trecho em 50min depois de tantas horas de atividade e aí me aparece a Cris... que fez o mesmo trecho em 54min! A menina estava na minha bota e eu nem desconfiava! rsrs

Total do dia: 23km com 1350m D+


Após o treino do sábado o pessoal se reuniu na Pousada do Maeda para tomar vinho, cerveja, contar mentira e cantar modão de viola (na verdade, quando chegamos lá eles estavam ouvindo Zé Ramalho numa caixinha de som, curtindo uma paz... mas aonde a gente vai, a zueira vai atrás, então já chegamos tocando fogo no p#teiro e cantando Boate Azul! hahaha).

Aos poucos o pessoal foi se retirando, apagamos as luzes e ficamos curtindo um dos céus mais estrelados que já vi!

Antes de dormir, meio que foi oficializado que o plano original de fazer o ataque ao Itaguaré no dia seguinte seria abortado, em razão dos riscos existentes em largar o carro no campinho (furto de pneus, vandalismo e afins...). Assim, combinamos de subir só até a Pedra Montada e depois voltar para aproveitar as cachoeiras.

Domingo de manhã dou um trato na fivela, calça desbotada, no cordão o nome dela tomamos nosso café com calma e decidimos fazer a trilha em ritmo de passeio, só nós 5 (Cris, eu, Michele, Will e Karol).


(Foto: Mi Mamede)


Muscularmente eu estava inteiro (o tratamento de choque de 15 dias de trilhas e muita altimetria deixou as pernas fortes - ou pelo menos elas aprenderam a não reclamar mais)... mas os pulmões estavam só o caramelo! Ah, os braços, peito e costas também estavam bem judiados! Então fomos passeando bem mansamente até a Pedra Montada.
Após a bifurcação que separa as trilhas para o Marinzinho e a Pedra Montada o cenário muda completamente. Parece que você entrou no cenário de Os Hobbits! rs

Mas ao invés de encontrar um Hobbit ou o Smeagol, acabei encontrando mesmo uma cobra. Tudo aconteceu tão rápido que nem entendi direito, mas uma cobra passou entre meus dois pés e disparou morro abaixo.
Demorei alguns minutos para me assustar. Na verdade, só uns 20 minutos depois do ocorrido é que eu fiquei assustado de verdade, pensando em tudo que poderia ter dado errado ali se eu tivesse pisado nela sem querer.







Problemas de quem tem pernas curtas
Descemos de volta para a estrada e, quando o pessoal resolveu ir para as cachoeiras, eu preferi voltar pra pousada. Ainda estava numa vibração meio deprê, pensando na merd* que seria levar uma picada de cobra lá em cima e queria ficar sozinho... tonto eu, pois parece que tava rolando o maior fuzuê nas cachoeiras! rs



Total do dia: 7km 550m D+

E assim terminamos nossas férias com o pé direito, com muito verde, muita trilha, muita altimetria e em companhia muito agradável.

Parabéns, Sinoca e Ju da TRB pela excelente organização! O treino foi impecável!

Foram 15 dias cansando o corpo e descansando a mente. Melhor que isso, só dois disso!

A gente se tromba nas trilhas!
(E se você não nos encontrar, com certeza encontrará outro laranjinha, pois a trupe não para de crescer!)

6 comentários:

Luara disse...

Muito bom o seu relato Gabriel! O melhor ainda foi ter contribuído com o final das suas férias, pois não é qualquer um que tem Boate Azul no playlist kkkkkkkk

Gabriel C. disse...

Contribuição essencial! Não é qualquer um que tem essa música na Playlist mesmo... só os dignos e de coração puro! Kkkk

::Emersonvan:: disse...

Sensacional, meus parabéns! Primeira vez que vejo o blog e, de cara, uma publicação dessa. Me incentivou a fazer o que eu tenho vontade de fazer, sair para correr por aí. As vezes espero o momento ideal ou até por companhia (incentivo), mas descobri que estou errado, o meu incentivo sou eu mesmo, show! Em breve serei eu nessas aventuras, se assim Deus permitir!!

Grande abraço,
Emerson Rodrigues

Gabriel C. disse...

Obrigado pela visita e pelo comentário, Emerson.
Dá pra se aventurar sozinho, sim! Não espere o momento perfeito, pois ele não existe. Apenas se certifique de avisar a alguém do seu itinerário detalhado (com a hora estimada de retorno) e de carregar um kit de primeiros socorros básico. Também é muito importante se conhecer bem para não correr riscos desnecessários. Boa aventura! Abraços!

Carol Belo disse...

Janeiro bem movimentado, heim Gabriel?
Eu tinha lido que você estava sozinho no Caparaó e estava vendo as fotos suas correndo e pensei: "ué, quem tirou a foto? O fantasma?". Depois entendi: os totens, ha ha ha ha ha ha...
Cara, que homem mais sem noção esse da pousada. E vocês cogitaram em ficar lá? Ha ha ha ha ha, muita evolução!!
Vocês foram a Passa Quatro, que legal! Gosto muito de lá, mas nunca fui a cachoeiras e nem conheci a Flona. Sempre vou para participar de alguma prova e fico horas e horas correndo. Aí nunca dá para conhecer, he he he... A Serra Fina mesmo... Fui para a KTR e agradeci a Deus por estar tudo encoberto. Se eu tivesse visto os trechos por onde passei (e que estavam encobertos), eu teria empacado total, ha ha ha ha...
Parabéns pelas aventuras! Boas corridas para vocês!
Abraços
Carolina

Blog Viajar correndo

Gabriel C. disse...

Oi, Carol! Sim, janeiro bem agitado e cheio de 'altos e baixos'! rsrs
Sobre a pousada em Marmelopolis, há males que vem pra bem, né. Como a outra pousada tava lotada, acabamos ficando na do Dijalma e foi beeemmm mais legal! rs
Ah, foi a primeira vez que fomos a Passa Quatro a passeio... todas as outras vezes fomos só por causa de provas também. Bem gostoso passear por lá!
Bons treinos pra você também!