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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Relato: Desafio das Serras 2016 - São Francisco Xavier

Em 2014, quando estávamos engatinhando na distância da meia maratona, uma prova nos chamou muito a atenção. Essa prova era o Desafio das Serras, prova multi-estágio, realizada em 2 dias, em categoria solo ou em duplas, com 20 ou 40km a cada dia e com um acampamento no meio do caminho.

Além do formato da prova, fomos atraídos pelas fotos da região - São Francisco Xavier.
Mas, como eu disse, ainda éramos novatos nos 21km e, por isso, fazer 20km num sábado, acampar e correr mais 20km no domingo não era uma possibilidade.

Alguns amigos foram naquela prova e voltaram contando muitas histórias boas. Some-se ao fato de a organização publicar centenas de fotos e dezenas de vídeos do percurso e pronto, a gente ficou "aguado" e achando que tinha deixado passar uma oportunidade que não voltaria.

Avance o calendário em 2 anos e lá estava o Desafio das Serras anunciando que a cidade escolhida para sediar a edição 2016 do evento era justamente São Francisco Xavier. Não dava pra perder, né?

Quer dizer... dar pra perder, não dava... mas e o orçamento, como faz?
Há mais de um ano o nosso orçamento anda bem comprometido, a área de trabalho da Cris está totalmente estagnada e a gente quase vende o almoço pra pagar a janta! kkkk (no caso, eu acabo vendendo equipamentos meus que comprei por empolgação no passado e praticamente não uso e aplico os frutos disso para comprar equipamentos novos ou pagar inscrições rs).

A gente queria muito participar da prova, mas o orçamento não permitiria, infelizmente.

E aí a gente percebe que tem muitos pensamentos positivos direcionados a nós e muita torcida a nosso favor, pois, do nada, fomos agraciados com um par de inscrições! (Galera, obrigado de coração pelo carinho e pela torcida. Espero que a gente consiga corresponder todas essas vibrações boas que vocês nos mandam!)




A questão da inscrição estava resolvida, mas o acampamento ainda não... e, pior que isso, os equipamentos para o acampamento extrapolavam demasiadamente o nosso orçamento (ainda mais porque cada equipamento teria que ser multiplicado por dois).

A prova tem uma logística bem desenhada, de forma que os corredores não precisem contar com acompanhantes ou apoio. Ela larga do centro, sobe até Monte Verde, volta pra SFX e o acampamento fica lá no alto. No dia seguinte, a prova larga do acampamento e retorna para o centro, lá embaixo. 

Mapas dos dias 1 e 2 do Percurso Médio:




Para quem fica acampado, basta deixar a mala (com os equipamentos e especificações informados pela organização) num caminhão que ela será transportada até o acampamento e, no dia seguinte, o caminhão traz as malas de volta ao centro da cidade.

Decidimos ficar hospedados no centro de SFX, nos Chalés Ilha (que, aliás, recomendo fortemente), já que sairia bem mais em conta do que o acampamento e equipamentos para os dois, e deixar para descobrir como seria nossa logística de transporte na hora da prova.

Se havia dúvidas acerca da logística que usaríamos na prova, que equipamentos ou tênis usaríamos e etc., de outro lado não havia a menor dúvida de que faríamos a prova em dupla.
Essa prova era justamente a essência do Se Ela Corre Eu Corro! Dois dias de curtição no meio do mato, trilhas, pedras, raízes, vistas de tirar o fôlego e muitos amigos em volta. Não tem como dar errado!

Uma vez confirmada a inscrição da nossa dupla, passamos a treinar especificamente para essa prova. Embora a gente sempre saia pra treinar juntos, o normal é que cada um faça o seu treino e a gente se encontre no final. Então foi necessário mudar a dinâmica para encaixar um ritmo que fosse bom para os dois e afinar nossa sintonia.

Foi um período muito gostoso. A Cris cresceu muito como corredora nessa fase e nos treinos a nossa sintonia estava bem ajustada.

Mas, como veremos a seguir, e como já dizia o "poeta" (?): treino é treino e jogo é jogo.

Enfim, na sexta-feira chegamos à SFX em tempo de retirar os kits, conferir o material obrigatório e assistir o briefing. Falamos com muitos amigos e conhecidos, jantamos e fomos tentar deitar cedo.


DIA 1
Ganho: ~1.500m D+
Perda: ~ 900m D-
Olha pra esse gráfico. Sério. Para tudo e olha!


A cara de sono de quem caminhou 12 passos da pousada até a largada
No primeiro dia de prova, fizemos exatamente como nos treinos. Deixei que a Cris ditasse o ritmo desde a largada e fui acompanhando.
Estávamos tão acostumados com a dinâmica, que achamos que ainda estávamos treinando e fomos tagarelando sem parar por vários quilômetros.




Só que em treino algum a gente encarou uma subida como essa do primeiro dia de prova!
Praticamente 10km subindo sem parar, sem refresco algum, primeiro por estrada de terra e depois por trilha de mata fechada, dos 730m até 2020m de altitude.





Não sabemos se foi culpa da subida, do esforço diferente do realizado nos treinos ou do nosso bate-papo animado, mas em algum ponto desse percurso (mais ou menos na cota dos 1.600m de altitude) a Cris parou de sentir a mão esquerda e, na sequência, apresentou dificuldades para respirar.

De tempos em tempos ela me pedia 10s de descanso, saíamos da trilha, ela contava até 10 e lá íamos nós subindo outra vez.
A evolução na subida estava até que boa, mas essas frequentes paradas estavam me incomodando um pouco, já que, em razão do percurso, o ideal seria aproveitar o terreno técnico do primeiro dia para ganhar o máximo de tempo possível e no dia seguinte - com o que sobrasse das pernas - apenas deslizar pelos estradões de terra até a linha de chegada.

Por outro lado, eu sabia que uma vez que atingíssemos o ponto culminante do percurso, a vantagem estaria do nosso lado, pois se tem uma coisa que a Cris gosta de fazer, é descer rapidamente em terreno técnico.




A subida tá acabando! =D
Chegamos ao mirante, paramos para tirar fotos e quando a Cris foi pegar algo para comer chegaram mais 3 duplas mistas!


Eu, que até ali estava encarando a prova quase como um treino/passeio no parque, tive um súbito surto de competitividade e falei baixinho pra Cris: "depois você come. Vamos indo!". E lá fomos nós. O começo da descida era em uma trilha BEM fechada, mas demarcada de forma impecável, com uma fitinha laranja a cada 3 passos! rs


Estava me preparando psicologicamente para tentar acompanhar a fúria da Cris nas descidas, mas algo estava estranho... ela não estava soltando as pernas como costuma fazer, com pés levinhos e braços de 'boneco de posto'. Ela estava meio pesada e arrastada... na segunda ou terceira curva ela soltou um grito de dor e parou com a mão no joelho. Deu uma alongada, falou que não foi nada e voltou a descer.
Alguns metros para baixo, num trecho relativamente plano, havia um pequeno riacho a ser cruzado e, ao invés de correr, a Cris começou a caminhar, o que era estranho.


De rabo de olho enxerguei umas 4 ou 5 pessoas vindo a toda velocidade na nossa direção, atravessamos o riacho, entramos na mata fechada novamente e tornamos a subir.
Ali a Cris voltou a pedir para parar por alguns segundos para recuperar o fôlego enquanto éramos ultrapassados por 3 duplas.
A gente não sabia, mas tínhamos acabado de perder a liderança entre as duplas mistas.

Finalmente chegamos às Pedras Partida e/ou Redonda e ao trecho com corda. Lugar lindo, com uma paisagem de tirar o fôlego de quem ainda tinha fôlego pra perder. (rs)







Saindo das pedras, a descida era bem técnica, com terra preta, raízes, bambus e pedras. Lembrava bastante o terreno do Capim Amarelo - e agradeci mentalmente pela terra estar seca, pois se estivesse molhada seria impossível ficar em pé ali.

Aquela trilha parecia um corredor polonês! Era galhada na testa, bambuzada na barriga, joelhada na pedra, 'paulistinha' de toco na coxa, e a gente descendo sem parar!

A Cris recuperou um pouco da disposição e começou a atacar as partes técnicas do jeito que ela gosta.
Recuperamos uma posição e, na sequência, alcançamos mais um casal. A Cris passou a moça pela direita e, quando fui fazer o mesmo, prendi um pé numa raiz.

Assim como no Desafio 28 Praias, o ninjutsu salvou minha pele! Por puro reflexo, dei uma cambalhota enquanto caía ladeira abaixo sobre as pedras e raízes e já estava quase ficando em pé quando trombei com a moça que eu ia ultrapassar (a Elen, de Botucatu), praticamente a arremessando para uma queda dolorida sobre as pedras. Novamente, por reflexo puro, abracei as pernas dela para evitar que ela caísse de boca no chão! Ufa! rs
Tudo isso aconteceu tão rápido que a Cris nem viu nada! rs



(Créditos: Wagner PNL)
Nesse trecho passamos por muitos turistas fazendo a trilha de Monte Verde/MG para a Pedra Partida e eles abriam o caminho para nós enquanto eu saía desejando bom dia pra todo mundo... rs

Passada a parte técnica de descida, surgiu uma descidona íngreme, mas tranquila. Mas a Cris não estava muito tranquila.
Ela não conseguia correr por mais de 1 minuto sem ter que parar dobrando de dor com a tal da "dor no baço".

Naquele terreno, o normal seria voarmos, ainda mais sabendo que faltavam poucos quilômetros para a chegada... mas não adiantava... ela sentia muita dor, tinha que parar a todo instante, começou a ficar frustrada - eu também comecei a ficar frustrado, sabendo que aquele é o tipo de lugar que ela mais gosta - e, com mais de 3h de prova e pouco açúcar no sangue, os ânimos começaram a ficar exaltados.

Vi que faltavam 3 quilômetros em declive até o acampamento e comentei com a Cris, achando que seria um incentivo: "Só mais 20 minutos de martírio".
Na minha cabeça, soou como "vamos, Cris, só mais 20min e você vai parar de sofrer!" <3
Na cabeça dela, soou como "só mais 20min para acabar esse sofrimento que é correr com você, sua chorona!".

Aí o tempo fechou! hahaha
Ela começou a gritar comigo enquanto chorava, com muco escorrendo pelas narinas (coisa linda! =* Te amo!!), e qualquer coisa que eu falasse poderia e seria usada contra mim.
E lá surgiram 2 casais na "esquina da trilha", vindo em nossa direção enquanto estávamos parados com a Cris a soltar os cachorros... e eu querendo que ela ficasse quieta para as outras duplas não se alimentarem do nosso momento de fraqueza, mas sabendo que se eu sugerisse que ela ficasse quieta, aí sim que a cobra ia fumar. Imagine a situação! hahaha

E ela brava comigo e falando "então vai sozinho, bláblá, estraguei sua prova, bláblá, seu nariz tá sujo... SEU NARIZ TÁ SUJO"!
Só depois de ver as fotos da GoPro que eu entendi... na hora do meu tombo com cambalhota, meu nariz ficou cheio de terra preta! rsrs

Limpa esse nariz!!!
Bom, não sabendo como incentivá-la a prosseguir sem dar início à 3ª Guerra Mundial, resolvi adotar o silêncio sepulcral pelos 2 quilômetros restantes enquanto alternávamos trote e caminhada.

Faltando uns 800m para o final, com o acampamento já no campo visual, vi que era possível alcançar uma das duplas que havia nos ultrapassado durante nossa DR trilheira. Mas não quis falar nada pra Cris, porque, né...

Qual não foi minha surpresa quando ela começou a apertar o passo na subida para encostar no casal. Achei ousadia e eu teria escolhido outra tática se estivesse correndo sozinho, mas deixei por conta dela. Assim que chegamos ao final da curta subida ela desembestou ladeira abaixo e eu fui atrás, fizemos uma curva fechada e quando estávamos pra pegar a última subidinha de 200m ouvimos o locutor anunciar a chegada de uma dupla mista. Um minuto depois cruzamos a linha de chegada do primeiro dia, com um misto de alívio e frustração.

Alívio por saber que agora não iríamos mais brigar (pelo menos até a próxima largada! rs) e frustração por termos perdido muito tempo em trechos onde normalmente nos saímos melhor. Sabíamos que não tínhamos rendido nem 1/4 do que costumamos render no terreno técnico... mas o que não tem remédio, remediado está, então fomos para o laguinho fazer crioterapia, comemos as coisas que levamos na mochila (para não sermos usurpadores do acampamento) e depois fomos fazer massagem pra recuperar um pouco o estrago na lataria.




Conversamos com os amigos que iam chegando e então surgiu uma oportunidade de pegarmos uma carona de volta para o centro de SFX (muchas gracias, Luara, Bruna, Rodolpho, Tati e cia ltda!).

Chegamos ao centro, tomamos banho, almoçamos, pegamos o carro e voltamos para o acampamento para socializar com o pessoal.
A atmosfera do acampamento era muito boa e não queríamos desperdiçar essa confraternização.

Ficamos lá ouvindo a experiência dos outros, como cada um reagiu às adversidades do percurso, o que cada um esperava do próximo dia, e então publicaram o resultado parcial do primeiro dia de prova.

Nem estava mais interessado nisso, mas a Cris levantou e foi olhar a parcial. Havíamos ficado em terceiro lugar nas duplas mistas.

Pouco tempo depois, um dos competidores da nossa categoria se aproximou, deu um tapinha no meu ombro e disse algo como: "Gabriel, amanhã você torce o cabo*. Estamos 2 minutos atrás de vocês e nós vamos te buscar". Na hora eu fiquei sem reação e ri. Não estou acostumado a competir. Corro muitas provas, mas raramente vou para competir com outra pessoa que não eu mesmo.

Continuei conversando com o pessoal e algumas horas depois voltamos pra SFX para jantar e dormir.

Dormi mal nessa noite. Ninguém sabia, mas fazia 2 semanas que eu não corria nem atrás de ônibus e mais de um mês que eu não conseguia correr mais de 1x por semana. Estava (e ainda estou) tratando uma tendinite no posterior de coxa e a dor era maior justamente nas descidas, que seriam parte predominante do percurso de domingo.
Qualquer virada que eu dava na cama e eu sentia dor nas pernas e ficava preocupado com o dia seguinte.


DIA 2
Ganho: ~ 600m D+
Perda: ~ 1.100m D-
Olha pra esse gráfico. Sério. Para tudo e olha!(2)
Acordei com bastante dor muscular e um leve incômodo no local da lesão, mas preferi fingir que estava tudo normal (tão normal quanto uma senhora de 89 anos, com artrose, andando por aí).
Claro que boa parte dos corredores estaria com dores musculares depois da pedreira que foi o primeiro dia de prova, então coloquei (ou tentei colocar) minha máscara de "não to sentindo nada" e lá fomos nós pro acampamento.

Tratei de colocar também o meu Buff camuflado, pra mostrar que eu estava pronto para a escaramuça. rs
This means war! (SEVENFOLD, Avenged)
O pessoal do percurso longo largou às 8h30 e às 9h00 lá fomos nós, ao som de Highway to Hell.
Com o toque da buzina, lá foi a Cris desvairadamente se embrenhando entre a massa de corredores (e eu tentando acompanhar).

A bichinha saiu muito mais forte do que eu largaria se estivesse correndo solo, e ainda mais se considerarmos o estado das minhas pernas.

Pelos próximos 3 quilômetros o ritmo seguiu intenso, chegando mesmo a fechar 1km em 4:30min!
Sério, desde que tive uma canelite infernal que grudou em mim por um ano e meio, eu não gosto de correr forte em descidas de estradão de terra com medo de que o impacto 'seco' possa reavivar esse demônio... mas quem era eu pra pedir pra Cris ir mais devagar? rs


E eu achando que seria fácil acompanhá-la na descida
Diferentemente do dia anterior, praticamente nem trocamos palavras. Estabelecemos uma comunicação não verbal e seguimos o jogo.

De tempos em tempos éramos testados por outros corredores, mas sinalizei para a Cris que aquela não era a hora de sair caçando e nem de gastar cartucho.

A brincadeira de gato e rato se arrastou por aproximadamente uns 9km, com a gente tentando abrir vantagem nas pequenas subidinhas existentes entre uma ladeira e outra e tentando apenas administrar o ritmo, sem cansar muito, durante as descidas.



Na subida eu sou o trator; na descida, ela é o rolo compressor.
O plano era tentar abrir vantagem de verdade na hora que entrássemos no pasto, a única subida significativa do percurso, entre o quilômetro 11 e 13.



Emocionado: Primeira vez no semestre que a boiada não tenta me atropelar


Chegando ao pasto, uma rápida olhada de rabo de olho mostrou que não tínhamos a vantagem que julgávamos ter, pois vimos duas duplas mistas fazendo a última curva antes de entrar no pasto.
Tratamos de aplicar a dica dada pelo amigo Itamar na noite anterior e saímos ultrapassando um povo morro acima (só fomos ultrapassados pela primeira dupla do longo masculino, Fabrício e Celinho, que estavam com cara de quem nem estava ligando para a subida! rsrs).

Ao avistar o que indicava ser o fim da subida (mas não era! rs) pedi pra Cris dar uma olhada pra trás e a resposta foi animadora: "não vejo ninguém".

Seguiu-se mais um trecho de subida, passamos pelo Zulu e pela Mari, líderes das duplas master e eles informaram que a primeira dupla mista deveria estar 1min30 na nossa frente e que a gente estava subindo melhor do que eles.

Aí sim vimos uma porteira que sinalizava o fim da subida e falei pra Cris que aquela era a hora da arrancada decisiva. Faltavam uns 7km para a chegada, mas o que a gente tivesse de energia no estoque teria que ser utilizada naquela hora, para que abríssemos uma vantagem considerável das outras duplas e para que, quando eles chegassem ao alto da porteira e olhassem para a estrada abaixo, eles não nos vissem mais.

Créditos: Wagner PNL

Sentando a bota após checar o mapa impresso nas costas do
número de peito e confirmar que o restante do percurso seria
praticamente só descidas!
Conseguimos manter o RPM alto por uns 3 quilômetros, sem conversar um com o outro para não gastar fôlego, dividindo pequenos punhados de comida para não perder muito tempo mastigando e pisando forte.

Perto do km 17, com o terreno já relativamente plano, a Cris começou a perder a "alegria nas pernas", e nosso pace subiu consideravelmente. No entanto, eu sabia que a gente tinha conseguido conquistar uma distância boa dos outros casais e em momento algum a gente conseguiu enxergar a primeira dupla, então era só uma questão de administrar o ritmo para manter nossa posição até o final. Assim, disse para a Cris não se preocupar e apenas seguir trotando, pois o importante era não parar pra andar.

Um dos pontos positivos dessa competitividade saudável que surgiu no segundo dia é que ela evitou que a gente sofresse com algo que sempre nos aflige nas provas: o BIFT (Bode Induzido pela Falta de Trilhas). No meio de toda a pressa, nem tivemos tempo de achar ruim que o percurso era praticamente inteiro de estradão. O bode só foi começar a dar as caras quando já estávamos quase na cidade.

Enfim entramos na cidade, dei uma rápida olhada para trás e tive a certeza de que a posição era nossa, bastava só contornar a praça.

"Tamo chegano, carái"
Peguei minha câmera para fotografar e ouvi a Cris começando a soluçar, então ao invés de fotografar, resolvi filmar a nossa chegada! rs

video


Demos as mãos e, com a energia que todos os amigos ali presentes nos deram, cruzamos a linha de chegada o mais rápido que conseguimos, fechando os 20km em 2h00!

Que final de semana!!!
Que prova! Que experiência!!!

Gostaria de agradecer a todos que torceram por nós e que de alguma forma nos ajudaram a participar de um evento tão especial.



E fica a recomendação. Essa prova é imperdível. A atmosfera experimentada durante todo o final de semana é sem igual, o percurso é demarcado com perfeição e os cenários, , não tem nem o que falar!



Desafio das Serras, fomos com tudo! ;-)


A gente se tromba nas trilhas!

Obs.: Por algum motivo que a gente desconhece, de todos os 400 inscritos, acho que só nós não temos fotos no percurso... na verdade temos apenas uma foto, mas desconfio que foi só porque aparece uma dupla masculina ao fundo. Senhores fotógrafos, nós podemos não ser muito fotogênicos, mas nós somos super gente boa, sérião! Registra a gente ae, pô! rs
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*Torcer o cabo: gíria das motos e bikes que, basicamente, quer dizer "acelera, mermão!"

6 comentários:

Isadora Martins disse...

boa casal!! Mandaram muito!!

Trota Morro disse...

Belo relato!! competir sem perder a elegância !!! Parabéns mais uma vez!

Gabriel C. disse...

Valeu, Isaaa!!

Max, obrigado, cara! Foi divertido competir no domingo. Não to acostumado com isso! rs
Bons treinos!

Raissa disse...

ih amigo, sobre as fotos, tambem nao gostaram muito de mim não, acho que eu passava por de baixo da maquina fotografica rssrsrs e parabens, continuem assim :D

Gabriel C. disse...

Obrigado, Raissa!
Pelos vídeos e fotos da organização, é como se eu só tivesse corrido no segundo dia da prova! rsrs
Sorte que levo a GoPro pra tirar 832 selfies, assim fiquei com algum material para ilustrar o relato. rs

Milena Vaquero disse...

Aeeee... Parabéns! !!

Mandaram mto bem!!!

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