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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Relato: Extreme - São Luís do Paraitinga




Nesse domingo (24.07.16) participamos da Extreme São Luís do Paraitinga, no Distrito de Catuçaba, organizada pela Selva Aventura.
Fazia algum tempo que não alinhávamos sob um pórtico e estávamos bem animados para participar da prova.

O fato de a prova permitir a retirada de kits pouco antes da largada nos foi MUITO útil, caso contrário não conseguiríamos participar do evento (nesse momento de recessão econômica, esse é um dos principais critérios que utilizamos para decidir qual prova fica no nosso calendário e qual sai: "dá pra fazer bate-volta? Dá. Então vamos!").


Na noite anterior tivemos um aniversário/festa julina e acaba que fomos dormir quase 2h da matina... o despertador estava programado para tocar antes das 4h da manhã e teríamos de encarar 3h de estrada.

Apesar da forte neblina existente a partir de Taubaté, foi bem fácil chegar ao local do evento. Também foi fácil estacionar o carro, retirar kits e encontrar banheiros limpos (jackpot!!!).

Encontramos os amigos de outros carnavais outras provas, papeamos e fomos aquecer. O aquecimento me deixou um pouco inseguro, pois no primeiro ou segundo trote que dei senti uma pontada no posterior da coxa esquerda. Esse mesmo ponto me incomodou muito nas últimas 2 semanas e fez com que eu passasse a semana pré-prova totalmente de molho.


Alinhei para a largada ainda apreensivo, foi feita a contagem regressiva e lá fomos nós.
Infelizmente não teve buzina na largada... nada acelera os batimentos cardíacos e aumenta a vontade de correr forte como uma boa buzina. rs
Por outro lado, aproveitei que não tinha a desculpa da buzina para me empolgar e larguei de buenas (e com receio de a dor no posterior da coxa voltar a aparecer).

Vi o pessoal abrindo uma boa distância de mim, já que o início do percurso era extremamente 'corrível', por ser uma estrada de terra plana, percebi que a coxa não estava incomodando e decidi fazer um pouquinho de força só pra não ficar por último.

Mais ou menos no local onde os Garmins começaram a apitar loucamente ao meu redor, isto é, perto da marca de 1 quilômetro, passei pela Gláucia - correndo ao lado de outras meninas da Upfit - e ela me perguntou onde estava a Cris. Respondi que estava lá atrás, pedi para as meninas sorrirem e tirei uma foto... fui checar a foto após a prova e olha só quem encontrei, grudada na minha bota!

Olha quem tá no meu ombro! rs
Os primeiros 3km foram meio sem graça, em estrada de terra plana, e comecei a ficar preocupado de a prova ser inteiramente assim (apesar de terem publicado o mapa e a altimetria da prova antecipadamente, a gente nunca sabe se vão mesmo respeitar o percurso divulgado).


Na altura do km 4 surgiu a primeira subidinha e finalmente comecei a ganhar algumas posições. Continuávamos em estrada de terra, mas pelo menos a elevação estava variando.

Olha, uma subidinha!
Na altura do km 5 (se não me falha a memória) fui paralisado por um estouro de boiada! 852 bovinos resolveram descer o pasto ao meu lado em alta velocidade e depois cruzar a pista em que eu estava, bem na minha frente.
Tipo isso (Concepção artística: Maíra)
Apesar de eu estar com a câmera na mão nesse momento, nem pensei em filmar/tirar foto... simplesmente congelei. Foi a segunda vez no mesmo mês que as vaquinhas atentam contra minha vida (ok, dessa vez foi bem menos assustador do que da vez anterior, onde uma vaca desceu uma piramba em singletrack com a agilidade de um Kilian enquanto eu tentava me agarrar a um tronco sem me borrar muito e deixava ela passar por mim com uns 50cm de folga).

Alguém sabe onde encontro um mini berrante?
Tô achando que pode ser útil carregar um no colete de hidratação!
Continuei passando as pessoas nas subidas, que começaram a ficar mais íngremes, e comecei a sentir um belo incômodo no pé direito. Não sei se por causa da forma como posicionei o chip ou se por causa da tornozeleira de neoprene que resolvi usar, sei que a cada flexão de pé eu ficava incomodado.



Na altura do km 7 finalmente abandonamos a estrada de terra e começamos a correr em trilhas de gado, em meio ao pasto.





(Crédito: Wagner PNL)
(Crédito: Wagner PNL)
No km 8 parei no segundo posto de apoio do percurso e tive a grata surpresa de encontrar gatorade geladíssimo!
Como o Guia do Atleta divulgava a existência de pelo menos 4 postos de apoio ao longo dos 21km, resolvi correr com apenas um squeeze de 500ml na mochila, e aquele gatorade gelado caiu como uma luva, já que minha panturrilha direita estava dando umas fisgadas - provavelmente por causa daquele incômodo causado pelo chip e/ou tornozeleira.
Nesse ponto o percurso dos 13km se separava dos 21km e a diversão realmente começava.
Continuamos subindo e subindo até sair nesse cenário de fundo de tela de Windows!


Dali pra frente continuamos por mais uns 2km de trilhas em pasto, com um visual incrível e com uma descida bem complexa para quem é pato nas descidas (como eu).









A descida era íngreme, alguns trechos em off camber e relativamente técnica, já que não dava para saber exatamente onde a gente estava colocando o pé, pois o mato seco encobria os buracos, raízes e cupinzeiros no terreno.


Descida à direita
(Créditos: Giovani Custódio)
(Créditos: Giovani Custódio)

Finda a descida, retornamos para as estradas de terra relativamente planas e tentei me convencer a não ficar de bode. Meu "calcanhar de Aquiles" nessas provas é justamente o bendito estradão. É algo que costuma sugar meu entusiasmo, mesmo que as paisagens sejam belas - e olha que as paisagens ali estavam bem bonitas.

Comecei a trabalhar mentalmente esse aspecto, dizendo a mim mesmo que preciso aprender a gostar do estradão, pois ele com certeza estará bastante presente em uma das minhas provas alvo desse semestre - a UD Aiuruoca (aliás, quem quiser ir pra lá com a gente é só falar! Temos um cupom de desconto para a inscrição! Só fuçar aqui!).

Enquanto eu conversava comigo mesmo, um flash azul marinho passou por mim e foi embora. Era a primeira colocada dos 21km! Passou com uma mecânica excelente, sem mostrar o menor sinal de desgaste. Olhei para o Garmin, que acusava o km 17 e pensei "essa eu não vejo mais".

E lá foi ela...

Parei no próximo posto de apoio (tinha passado direto no posto anterior) e tomei mais 2 copinhos de gatorade trincando de gelado! Foi uma benção, pois o percurso era quase inteiramente exposto ao sol e bastante seco. Segui reanimado e ataquei a última subida relevante do percurso com passos curtos mas determinados.


Ultrapassei a primeira colocada dos 21km, ultrapassei mais um ou dois homens e me preparei para a longa descida que já surgia no horizonte. Vamos lá, Gabriel. Não seja um pato... não seja um pato...


Foram 2km descendo uma íngreme estrada de terra e já pensando na linha de chegada. Ao avistar o Distrito de Catuçaba comecei a sentir o "cheiro" da linha de chegada e apertei o passo. Vi umas setas de cal no chão, lembrei de ter visto essas setas a poucos metros da arena quando cheguei de carro e corri como se não houvesse amanhã! Só que houve... rs

Apesar de já estar ouvindo a voz da Fabi na locução, as setas nos mandavam dar um rolezinho pelo centro do Distrito, levando-nos até uma escadaria (ok, escada pequena, mas ainda assim uma escada).
Esse foi o trecho mais sádico da prova, pois além de a gente ter de quebrar bruscamente o ritmo para subir alguns lances de escada, a seguir tínhamos de descer uma ladeirinha íngreme em bloquete, o que agredia um pouco as pernas já cansadas.

A sádica escadaria (Créditos: Paulo Barbosa dos Santos)
Como diria uma amiga: DES-NÊ
Durante essa descida senti uma pontada de dor no pé direito, mas resolvi não dar bola, afinal, faltava menos de 500m para a chegada. Acelerei o quanto pude e cruzei a linha de chegada em 2:21. Foi cruzar a linha e a dor veio com tudo. Não conseguia nem apoiar o pé no chão (aliás, continua a doer enquanto escrevo).

(Créditos: Paulo Barbosa dos Santos)
(Créditos: Fabiana Ferreira)


Dei um abraço no amigo Mutuka Marcos e fui procurar uma pedra de gelo para colocar no pé. Vinte segundos depois chegou a primeira colocada dos 21km femininos. Doze minutos depois, enquanto eu ainda me encontrava sentado com um bloco de gelo sob o pé, a Fabi anunciou a chegada da segunda colocada dos 21km.
Adivinha quem era:

(Créditos: Paulo Barbosa dos Santos)
(Créditos: Paulo Barbosa dos Santos)
Sim, minha tratorzinho!!!

(Créditos: Fabiana Ferreira)
Muito orgulho!
Olhando no Strava, dá pra ver que nos trechos planos nossa diferença não foi nunca maior do que 15 segundos por km, enquanto minha leve vantagem nas subidas foi quase obscurecida pela vantagem que ela teve sobre mim nas descidas técnicas. Eu fiquei no campo visual dela mais ou menos até o km 8!
Isso significa 3 coisas:
1 - ela cresceu muito (e sei que ainda tem bastante espaço para evoluir)!;
2 - eu preciso tratar de evoluir também!
3 - os treinos que estamos fazendo juntos para encarar o Desafio das Serras estão dando certo e estamos praticamente no mesmo ritmo!

"Cadê o Gabriel, hein?" (Créditos: Paulo Barbosa dos Santos)
Mais alguns minutos e foi a vez da Karol chegar para arrematar um lugar no pódio (o terceiro lugar na categoria sub 30 dos 21km)!

Pódio Geral 21km

Pódio familiar
Em suma, foi um dia divertido marcado por um percurso rápido, com bastante estrada de terra (sem trânsito de carros) e com paisagens muito bonitas; aproximadamente 4km de trilhas em pastos e uma descida forte e relativamente técnica; final com uma pequena volta no centrinho do Distrito de Catuçaba e uma (desnecessária) subida pela escadaria da igreja seguida de uma descida em bloquete de concreto. Eu poderia muito bem ter utilizado um tênis de rua nessa prova, o que talvez até evitasse essas dores no pé que me acometeram. Fora isso, sem arrependimentos.

Farreando com a Mutukada
Por fim, deixo aqui os parabéns para a organização. O percurso estava demarcado com perfeição e a água e gatorade estavam gelados mesmo no meio daquele calorão!

É isso... a gente se tromba nas trilhas! ;-)

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