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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Relato: Copa Brasil Outdoor - Pico das Cabras

Se você começou nas provas trail antes da explosão de popularidade, você deve se lembrar de como era gostoso aquele clima de prova low key, com menos de 1.500 inscritos; onde você conhece pelo menos metade das pessoas e tem a chance de interagir e conhecer a outra metade ao longo da prova; onde o marketing era direto ao ponto, sem propagandas enganosas e sem firulas; e onde a composição do percurso anunciada era a mesma da oferecida (nada de anunciar 99% trilha para oferecer 3km de trilhas em 42km de percurso, por exemplo).

Pois é, nesse final de semana, durante a Copa Brasil Outdoor - Pico das Cabras tive a sensação de entrar numa máquina do tempo e ser transportado direto para 2013. Que sensação gostosa!

(Créditos: Copa Brasil Outdoor)
A Cris e a Karol já estavam inscritas há algum tempo e eu acabei me inscrevendo na semana da prova, pois estava com receio de não poder correr por causa das dores e incômodos (reflexo de um tornozelo arregaçado em abril!) então deixei pra me inscrever só quando achei que teria condições de pelo menos caminhar no percurso sem dores.

Claro que foi só fazer a inscrição e efetuar o pagamento e as dores que me deixaram de molho por 45 dias (e aproximadamente 60 dias sem pegar um desnível sequer) voltaram a dar as caras... ¬¬

Desse modo, o plano era madrugar, dirigir até Joaquim Egídio, retirar os kits, dar um abraço nos amigos, contar umas mentiras e caminhar pelo percurso.


Pré largada no frio da moléstia
Mas sabe como é, né... na hora que toca a buzina, não há santo que resista à injeção de adrenalina e não saia correndo.



Larguei lá no fundão, fazendo companhia para Luara, para Patrícia, para Karol e para Cris - todas inscritas para os 21km - e, assim que o percurso ficou um pouco mais largo, resolvi acelerar um pouco para filmar as meninas de frente... acabei me empolgando e, ao invés de voltar pro meu lugar, lá no fundão, segui adiante, embalando pelo curto trecho de estrada.


(Crédito: Copa Brasil Outdoor)
Com aproximadamente 1,5km de prova, o percurso abandonava a estrada e entrava num singletrack suave e, uns 500m depois, os percursos de 12km e 21km se separavam, com os 12km iniciando uma descida poeirenta bem forte entre valas, pedras soltas, raízes, galhos e tudo aquilo que a gente gosta!

Cumprimentei o Marcão (Mutuka mestre), que estava de staff naquela bifurcação, e então iniciei minha descida pelo percurso dos 12km, no pace do pato manco. Como meus passos estavam bastante vacilantes - fruto da insegurança/falta de confiança no meu pé pós-lesão - desci bem na maciota, lá no fim da fila.

Só ultrapassava as pessoas quando a oportunidade estava muito óbvia e descomplicada, pois não queria arriscar tropeços nem entorses.

A descida seguiu curta, grossa e técnica por 1,5km e então o percurso passou a alternar subidas curtas e grossas com descidas curtas e grossas (não deve ter tido nem 1km plano em toda a prova! E eu não estou reclamando! rsrs).

Aproveitei pra testar um bastão que havia comprado pela internet e não tinha tido a oportunidade de estrear e segui no meu caminho cantarolando mentalmente e bastante feliz de estar ali.

Passei pelo Arthur (diretor técnico da prova) por duas vezes - uma delas no alto de uma subidinha féladamãe (ou azeda, como ele costuma falar), e só não o "elogiei" por estar sem fôlego! rs - passei direto pelo posto de abastecimento que marcava mais ou menos a metade da prova e peguei mais um curto trecho de estradão, mais ou menos no km 7.


Ali meu pé começou a reclamar bastante, mas como faltava menos da metade da prova - e o percurso não estava muito técnico - resolvi tentar apertar um pouco o passo, pois quanto antes cruzasse a linha de chegada, antes pararia de doer (a gente sabe que a realidade é outra, mas nessa hora a gente se engana descaradamente rs).


E assim segui, quilômetro a quilômetro, sozinho na trilha e cantando em pensamento, fazendo uma estimativa de quanto tempo ainda demoraria para cruzar a linha de chegada. Só esqueci de levar em consideração que ainda faltava subir tudo o que eu havia descido no km 2 da prova... e faltava somente 1km para a linha de chegada.


"Se eu continuar num pace de X, dá pra terminar a prova abaixo de 1h30"
Bom, claro que o km final foi uma subida daquelas de cuspir o pulmão. Mas também foi um trecho muito agradável (paradoxal? Não mais que o hambúrguer que a Karol comeu logo após a prova, mas essa já é outra história! rsrs).

Não to respirando, mas tá bom demais!
Saí da mata fechada e me vi num curto platô de pedra, com uma linda vista do vale. Fui orientado pelo staff a entrar na mata novamente por um pequeno trecho - menos de 100m.
Saindo dessa mata já dava pra ouvir o som da arena da prova. Mais uns 100m sobre a pedra e era possível ver a arena. O fim estava próximo.


Um misto de alegria (por concluir mais uma prova apesar das dores) com tristeza (por ter escolhido o percurso curto e já estar acabando) com incerteza (porque a dor estava bem chata e comecei a pensar em quanto tempo ainda vou levar para me recuperar totalmente).

"Tô morrênu" - menos de 500m pro final
Mais uma subidinha até o pórtico - afinal, linha de chegada em descida é para os fracos - e fim de jogo! Não sem antes passar o cartão do chip no leitor (fui ficar na ponta do pé para passar o cartão que estava preso na minha mochila e tive cãibra nas duas panturrilhas! Patético! hahaha).

Finalizada a minha parte, fiquei ali confraternizando com os amigos, vendo os fominhas do Team Barba querendo o pódio só pra eles (rsrs) e esperando a Cris chegar.

Depois de um tempo, fui até o carro para trocar de roupas e, na volta, resolvi comprar uma cerveja artesanal em um dos food (drink?) trucks da arena. Infelizmente o sinal de celular para pagamento com cartão estava ruim na hora, então nada de cerveja pra mim. Sem cerveja, resolvi andar até a pedra para aguardar a Cris, no intuito de filmar a chegada dela desde as pedras até o pórtico.

Rá. Não deu tempo não! Anunciaram que a primeira mulher dos 21km estava chegando e, quando olhei, pá! Cris a 50m de mim! rsrs

Pulei a cerca, liguei a câmera e comecei a filmá-la.




Ela cruzou a linha de chegada e correu pro abraço... só que não era o meu abraço! Era o abraço da Vivi (organizadora do evento). Viram como eu sofro! (Sorte que depois a organização compensou isso colocando um kit de cervejas artesanais na sacola de premiação da Cris! hahaha)


(Créditos: Copa Brasil Outdoor)
Aos poucos o restante do pódio feminino se formou e já anunciaram o início da premiação. Pá-pum!

(Créditos: Copa Brasil Outdoor)

Primeira vez que as irmãs dividem um pódio!

Como o dia estava lindo e a companhia estava extremamente agradável, ficamos na arena até o final - e finalmente pude tomar minha cervejinha!

Em suma, foi uma prova incrível, com percurso técnico (porém corrível) e delicioso, marcação impecável, ótima estrutura e em companhia agradável, tudo isso por um preço acessível (na última semana das inscrições ainda ofereceram opção de inscrição sem camiseta no kit, por um preço menor - meu guarda-roupas com 322 camisetas de corrida agradece e o bolso também! rsrs).

Essa foi a primeira etapa Trail da CBO, mas tenham certeza que estaremos presentes nas próximas edições, pois com tantas opções de provas no calendário, ainda assim estava faltando uma prova nesse estilo, feita por corredores para corredores, sem firula, sem confete, sem 1.500 inscritos jogando lixo na trilha e ouvindo música em volume alto.

A gente se tromba nas trilhas! ;-)


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