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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Relato - Copa Brasil de Corrida em Montanha - Campos do Jordão

No último domingo (20/12) rolou a Copa Brasil de Corrida em Montanha - Etapa Campos do Jordão e lá estávamos nós... mas por onde começar o relato?

Já havíamos decidido encerrar nossa temporada """competitiva""" após o ZigZag Vertical, mas duas semanas depois recebemos o convite da organização para participarmos também da etapa final da Copa Brasil.

Não sabemos falar não para convites assim =)
Apesar da agenda já cheia de compromissos, fizemos uns ajustes e conseguimos programar o bate-volta insano para Campos do Jordão (saindo de SP antes das 6h da manhã para chegar lá em tempo de retirar os kits).


Chegamos cedo ao ginásio onde estava montada a arena, retiramos os kits - que vieram com uma camiseta comemorativa em algodão ao invés de uma camiseta de poliamida - e ficamos proseando com diversos dos nossos amigos e conhecidos que lá estavam enquanto aguardávamos a liberação para a largada, que estava prevista para as 9h da manhã (em tempo: Eu CORAÇÃO  largada às 9h! Dá tempo de se arrumar com calma, fazer bate-volta de São Paulo se for preciso, tomar café, fazer a digestão, etc. etc.).

Sono? Que sono?!
Pouco antes das 9h fomos para a área da largada para investigar qual era a razão por trás da aglomeração de corredores em volta de uma moça da organização. Disseram que um dos carros de apoio tinha atolado no percurso e iriam atrasar um pouco a largada enquanto tentavam desatolar o carro.

Algum tempo depois, nova muvuca e anunciaram que a largada seria dada às 10h.
Às 10h fomos para o pórtico de largada - sem tapete para leitura de chip - e a largada foi dada no berro mesmo ao invés de usarem a tradicional buzina (para mim foi até bom, já que eu queria fazer a prova tranquilinho e aquelas buzinas de largada sempre me instigam a correr mais forte rsrs).

Sim, é o Shrek no canto esquerdo



Dada a largada, contornava-se a pista de atletismo do ginásio e após uns 300m de asfalto iniciava-se uma trilha aparentemente recém aberta e escorregadia.


Como larguei tranquilinho, fiquei preso na já tradicional fila da conga.



Por sorte, a fila na trilha foi curta e em pouco tempo foi possível encontrar espaço para adotar meu próprio ritmo de prova. Seguiu-se uma descida curta e rápida, mas resolvi segurar bastante a onda e descer com cautela para evitar um tombo, entorse ou qualquer outra presepada que possa prejudicar meus ousados objetivos de 2016 - de fato, a prova inteira eu corri mais com medo de me machucar do que curtindo o momento... a responsabilidade está pesando bastante, mas falarei disso em outra ocasião.


Até ali, o percurso prometia ser do jeitinho que eu gosto: trilhas, trilhas e mais trilhas!
E então abandonamos a trilha, atravessamos uma rua asfaltada e a realidade bateu à porta: estradas de terra, ruas asfaltadas, escadas de concreto...




Quem também resolveu bater à porta foi a minha nova mania de 2015: errar o caminho! rs
Um pouco antes do km 2 fui seguindo os corredores à frente e peguei uma rua que não estava com a marcação de percurso. Como conseguia ver mais gente lá na frente que estava na mesma rua, nem dei bola e segui em frente... um quilômetro depois, olhei para a esquerda num cruzamento e lá estava o primeiro pelotão da prova, vindo na minha direção. PQP... de novo não!

Olhando pelo Strava (não sei se vocês conseguirão ver), percebo que cortei uns 500m do percurso e deixei de percorrer uma subidinha aparentemente íngreme, o que explica como é que eu fui parar na frente da cavalaria do primeiro pelotão...




De volta ao percurso certo, sendo ultrapassado pelo primeiro pelotão
Já que já estava fora da competição, aproveitei para arrumar algumas marcações que percebi que tinham caído (ou sido arrancadas). Numa dessas vezes que estava amarrando a fita num galho o Alexandre (de Sorocaba) passou por mim e brincou "Pô, cortando o caminho de novo, cara??". Corri 3 provas com o Alexandre e me perdi em duas delas... tô começando a achar que isso é culpa dele, de alguma forma! kkkk
Se não for culpa dele, é culpa do meu xará Gabriel que se perdeu comigo aqui E no Circuito das Serras. rsrs

Bom, dali em diante o percurso ficou bem monótono para mim. Basicamente foram 9km em estradas de terra e cascalho, alternando entre subidas e descidas leves. Para quebrar a monotonia, só desviando de um despacho numa encruzilhada mesmo! #truestory

Na altura do km 6 apareceram uns 5 ou 6 corredores vindo no sentido contrário ao que eu estava. Na hora eu pensei se tratar dos primeiros colocados dos 12km, mas até agora eu não sei dizer, pois depois deles não apareceu mais ninguém. Pra dificultar ainda mais a identificação, todos os percursos eram marcados com a mesma fita e todos os corredores usavam a mesma cor de número de peito, independentemente da distância escolhida (8km, 12km ou 21km).

Na altura do km 9 saímos da estrada e tomamos uma trilha estreita. Fiquei todo feliz e pimpão! É impressionante o poder que o singletrack tem sobre mim: acabam-se as dores, o cansaço, o bode... tudo fica lindo e divertido.

Trilha, cara! Que felicidade!


Pena que essa trilha tinha no máximo 300m de extensão, se tanto. ¬¬
Voltamos para a estrada e desce, desce, desce, encontrei uma fita para a direita. Mais adiante na estrada havia uma mesa com galões d'água, mas a marcação mandava entrar à direita mesmo e lá fui eu (e mais algumas pessoas). Corri por um gramado e dei de cara com uma ponte. Não havia nenhuma marcação ali além de uma fita isolada e caída.

Cruzei a ponte, subi um barranco e não encontrei nada... Voltei pra ponte e vi mais corredores vindo na minha direção com a intenção de cruzá-la. Lembrava que o percurso teria pelo menos 250m por dentro de um rio, mas não achei que seria esse rio, ainda mais porque não via marcação alguma ali.

E então alguém gritou lá na frente dizendo que havia encontrado a marcação e lá fui eu. Saí numa estrada novamente e depois de uns 300m, num cruzamento, lá estavam os corredores que haviam feito o percurso correto e tinham acabado de sair do rio. ¬¬

Nessa altura do campeonato, já estava tudo misturado entre corredores dos 8, 12 e 21km...
Meu GPS não havia marcado nem 11km ainda e eu sinceramente nem ia mais ligar se o percurso acabasse na próxima curva (como alguns dos corredores dos 8 e 12km imaginavam que seria).

Mas como não há mal que sempre dure, iniciou-se um trecho bem bonito e divertido, com uma subida gostosa, seguida de uma descida em zig-zag, um pequeno trecho em trilha fechada e enlameada e depois uma senhora subida técnica - havíamos chegado à tal da Trilha da Serra Fina (que faz jus ao nome)!




Esse trecho sim estava bem marcado! rsrs

Como é gostoso passar pelas cristas dos morros!

Tá vendo o começo da trilha lá embaixo?

E as pessoinhas lá no alto da crista?





É disso que eu gosto. É isso que me motiva a acordar 4h da manhã num domingo, dirigir por 2h30 para ir e 2h30 para voltar, mesmo tendo compromissos em SP na parte da tarde do domingo.
Esses são os trechos que valem a pena correr. Estrada não me motiva nem um pouco, mas trilhas - especialmente aquelas em que há o risco de queda rsrs - ah, isso sim vale a pena!




Saindo desse lindo e curto trecho do percurso voltamos para a estrada e para o asfalto... e, pela terceira vez no dia, lá estava eu me perdendo outra vez! \o/   ¯\_(ツ)_/¯

Resumindo, meus 21km viraram 14,9km. A Cris fez quase 16km e encontrei corredores que fizeram 17, 18, 14... foi meio que ao gosto do freguês! rs
Não conversei com ninguém que efetivamente correu 21km.
Faltou staff no percurso... e também faltou colocar umas placas/setas de cal indicando o caminho.
Fora isso, além de ter pouca gente de staff, as que existiam não tinham o menor controle de quantas pessoas estavam na trilha.
A Cris, por exemplo, ficou sozinha por uma enorme parte do percurso e quando passou pelo fotógrafo, no alto da trilha da Serra Fina, o fotógrafo perguntou se ela era a última pessoa no percurso. Ela disse que achava que dos 21km sim, mas dos outros percursos não tinha como saber. O fotógrafo respondeu que tinham informado a ele (por rádio?) que não tinha mais ninguém correndo e depois disso umas 15 pessoas passaram por ele! Abaixo, algumas fotos tiradas pela Cris enquanto estava sozinha (inclusive no rio que não cheguei a ver):

 Dentro do rio (Foto: Cris)

Dentro do rio (Foto: Cris)

Sozinha e à beira do abismo (Foto: Cris)
Estava quase saindo para resgatar a Cris (sem saber por qual caminho seguir!)
quando vi um pontinho azul surgindo no horizonte! UFA!
Na arena da prova não tinha mais quase ninguém quando cruzamos a linha de chegada.
Deu algum B.O. dos bravos e não ia mais rolar cerimônia de premiação, então a galera que cruzava a chegada já pegava suas coisas e ia embora (como eu não vi com meus próprios olhos, não vou colocar aqui tudo o que eu ouvi sobre o acontecido, mas parece que a coisa foi mesmo feia. Se alguém aí viu, sinta-se à vontade para colocar nos comentários abaixo!).

Pegamos nossas lasanhas (parte integrante do kit), fomos para o carro e mandamos ver na iguaria, gelada mesmo! rsrs

Troco minha medalha por outra lasanha!
E enquanto comíamos nossas lasanhas ainda vimos mais e mais gente chegando para concluir a prova (cada pessoa vindo de um local diferente!), o que significa que atrás da Cris ainda tinha bastante gente. Se alguém se machucou ou se perdeu, deve estar na trilha até agora, coitados. rs

Para a Cris e eu, mesmo com todos os contratempos, o "rolê" valeu a pena. Fizemos nosso treino (embora mais curto do que o planejado), vimos amigos e conhecidos e ganhamos mais histórias para contar. Só fico chateado por quem estava contando com a premiação ou com a pontuação da prova para efeitos de ranking nacional na CBAt. Teve gente que veio de Salvador só pra correr essa prova e voltou pra casa com uma lasanha nas mãos (só pra não dizer que voltou de mãos abanando).

Tentei corrigir essa injustiça com minhas próprias mãos e fiz a cerimônia de premiação com lasanhas:


E foi assim que fechamos oficialmente o ciclo esportivo de 2015. Não acabou em pizza, mas acabou em lasanha. rs

Que 2016 venha cheio de aventuras e desafios para todos nós, mas sem presepadas e erros de percurso!

7 comentários:

Diego Denega disse...

Isso não é trail running é corrida de aventura, se aventurando por percursos sem marcações kkk fecharam com chave de ouro o ano! Desejo ao casal um 2016 com muitas provas e menos erros de percurso dos organizadores rs Abraços!!

Gabriel C. disse...

Preciso fazer um curso de navegação, Diego. Do jeito que tá não dá pra ficar! rsrs
Obrigado, desejamos o mesmo a você! Que 2016 venha com muitas provas BOAS para todos nós! Abraços,
Gabriel

Alexandre Rigoni disse...

Culpa minha né kkkkkkk..... Que em 2016 tenha muiiitttoosss km de aventura e diversão e menos perdidas, rsrsrs.... sempre bom encontrar vocês nas corridas, casal alto astral! Abraço!!!

Alexandre Rigoni disse...

Culpa minha né kkkkkkk..... Que em 2016 tenha muiiitttoosss km de aventura e diversão e menos perdidas, rsrsrs.... sempre bom encontrar vocês nas corridas, casal alto astral! Abraço!!!

Gabriel C. disse...

Não sei o que você aprontou, Alexandre, mas a claramente tem um dedo seu nesse acontecimento... kkkk
Isso aí, que 2016 seja um ano com muitas provas e treinos bons e com um excelente senso de direção para todos nós! rs
Abraços!

Adriana Chaves disse...

Esse foi o relato mais divertido e maisvlouco que já li. Acho que até eu me perdi lendo essa aventura rsrsrsrs. Sempre vale a pena quando fazemos o que amamos��

Gabriel C. disse...

Obrigado pela visita, Adriana!
Você tem razão. Se é algo que amamos, até as presepadas se tornam diversão! rs