Relatos, fotos, dicas, "causos" e divagações de um casal de corredores amadores.
(Instagram: @seelacorreeucorro // Facebook: https://www.facebook.com/seelacorreeucorro)
Quem me conhece há algum tempo sabe que sou um bicho muito do besta um grande apaixonado não apenas pelas corridas de montanha como também por toda a cultura e história das provas longas e fora de estrada (ultra trail).
Além disso - ou justamente por causa disso - sou meio que nerdão no assunto. Gosto bastante de ler avaliações de equipamentos e, principalmente, relatos de provas.
Infelizmente, tirando RXplorer, Rei da Montanha, Trail Running Net, Montanha Minha Praia, Te Levo Pra Trilha e mais alguns poucos (é uma pena que Manu Vilaseca e Fernanda Maciel não escrevam mais relatos como antigamente) não temos tantos sites de relatos de provas em português quanto eu gostaria (se você conhecer e recomendar algum, deixe nos comentários!), então a maior parte dos relatos que leio são em inglês.
A oferta de relatos em inglês é gigante! Você consegue ler sobre a mesma prova do ponto de vista de um corredor Top 10, e do ponto de vista do cara que passou a prova inteira lutando para fugir do corte. Na minha opinião, essa experiência quase "vicária" é muito enriquecedora, e dá pra aprender bastante coisa assim.
Acontece que de tanto ler relatos em inglês - desde antes de correr mais de 12km - sempre que estou no meio de uma prova ou treino longo, meu cérebro começa a repetir frases de efeito e mantras em inglês e chego mesmo a pensar na prova em inglês (tontão, eu sei... mas não controlo isso).
Sou usuário assumido de mantras e realmente acho que eles têm um poder bastante positivo no meu estado de espírito na hora que o bicho pega.
Você achou que não ia ter relato de prova antes de agosto?
Sem ofensas! Isso é Choque de Cultura! kkkk
Eu também achei que não ia ter relato de prova antes de agosto (quando correremos a NTS Juquitiba - aliás, temos cupom de 10% de desconto), mas aí o nosso amigo @CorreMaluco fez uma proposta irrecusável, oferecendo-nos a oportunidade de testar nossas pernas pesadas e lentas de quem só faz treino LSD (long slow distance) numa prova curta e em terreno praticamente 100% corrível na Rural Running em Bragança Paulista.
Claro que aceitamos o convite!
Como a prova seria no domingo, fizemos nosso treino normalmente no sábado. E que treino!
Terreno 99,64% técnico, com vistas espetaculares e zilhões de carrapatos!
Serra Fina é Serra Fina.
Apesar de ser uma frase simples e, aparentemente, boba, ela é cheia de significado.
Quem conhece a região sabe bem o que estou falando. Localizada na região das Terras Altas da Mantiqueira, próxima ao encontro entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro (um cantinho abençoado que também conta com o Parque Nacional do Itatiaia e que tem vista para o Parque Nacional da Serra da Bocaina, Marins-Itaguaré e mesmo o Parque Estadual da Serra do Papagaio), a Serra Fina é o paraíso na Terra para trekkeiros, montanheiros e amantes da natureza em geral.
Apesar de já termos ido um bocado de vezes para a região, nunca tivemos a oportunidade de pegar o tempo verdadeiramente bom, com visual desimpedido em 360º. Então resolvemos ir pra lá em junho, na temporada de montanha, tradicionalmente marcada pela estiagem, na esperança de encontrar céu azul e paisagens de tirar o fôlego até onde a vista alcança.
O programado era aproveitar o feriado de Corpus Christi para fazermos um treinão saindo do centro de Passa Quatro, subindo pela Toca do Lobo, descendo pelo Paiolinho (a chamada "meia travessia") e retornando ao centro da cidade.
Mas aí veio a greve dos caminhoneiros e a crise de abastecimento, ficamos com receio de não termos combustível para voltar pra casa e abortamos a viagem. Vi fotos de gente que esteve na Serra Fina naquele feriado e quase chorei... o tempo estava perfeito!
Pouco tempo após abortarmos o plano, surgiu a oportunidade de acompanharmos os amigos André e Lih e mais uma trupe de corredores da Lobo Adventure em um treino preparatório para a Ultra dos Perdidos (Paraná), justamente na Serra Fina.
Apesar de estarmos já na metade de junho, o clima ainda está longe de ser o de estiagem e a previsão para o final de semana não era das mais animadoras.
Ainda assim, lá fomos nós.
Chegamos em Passa Quatro na sexta-feira, às 22h30. Jantamos, fomos para a pousada às 23h30, fizemos os últimos ajustes nas mochilas, banho tomado, dentinhos escovados e quando fui colocar o celular para despertar ele me disse que eu tinha 1h47min até o despertador tocar. Apesar disso, consegui dormir bem por pelo menos 1h20 e acordei me sentindo descansado e preparado.
Comida para pelo menos 25h de atividade
Carregando a casa nas costas (segurança em primeiro lugar)
Tomamos o café, tiramos uma foto na porta do hostel da Carioca e partimos - em 8 desmiolados - com destino à Toca do Lobo, onde encontraríamos os demais 5 membros do grupo para iniciarmos a travessia da Serra Fina em um dia.
Do centro até a Toca do Lobo o tempo passou bem rápido e a 'corrida' fluiu bem - o que foi ótimo, já que esse era o único trecho verdadeiramente corrível de todo o trajeto!
Os m0l3k3 d01d0!
A cara de quem achou que daqui pra cima ia ser só tempo limpo e sol!
Pois é, amiguinhos... precisamos falar do seu cocô.
Com o inverno dando as caras, a temporada de montanha começando a aquecer e as atividades ao ar livre em franco aumento de popularidade, é inevitável nos depararmos cada vez mais com pessoas sem muita educação e consciência ecológica - ou, pior ainda, nos depararmos com os seus rastros.
Não sou tããããooo antigo assim nas montanhas, mas também não sou novato... e devo dizer que de uns anos para cá a situação está ficando cada vez mais fétida feia.
Acabei de voltar de uma travessia da Serra Fina e é impressionante a quantidade de lixo (e de papel higiênico) espalhado pela trilha.
Sem falar no Pico dos Defecados, digo, do Pico dos Três Estados, onde parece haver uma competição para descobrir qual dos três Estados recebe mais cocozinho trilheiro.
Considerando que a Serra Fina não é lá uma trilha tão fácil, presume-se que quem a frequenta não é iniciante. Não dá pra entender alguém que, não sendo totalmente novato nesse meio, vá até lá para apreciar a natureza e, deliberadamente, deixe seu lixo espalhado pela montanha.
Com relação aos dejetos humanos e a necessidade de carregar um shit tube em expedições e travessias em Alta Montanha, recomendo a leituradesse texto, bastante didático.
Mas vamos supor que você foi convidado para uma trilha de última hora e não vai ter tempo de comprar o PVC, a cola para PVC, o anel de vedação e etc. e nem mesmo terá tempo para construir o seu shit tube. O que você faz?
Serei bem sincero com vocês... até recentemente eu simplesmente pensava em ir ao banheiro logo cedo, antes de iniciar a pernada e sabia que meu sistema digestivo iria aguentar a bronca até o final da aventura.
Contudo, nesse último final de semana o treino planejado iria levar em torno de 19-20 horas e não havia garantia de que eu conseguiria ir ao banheiro antes de iniciar a trilha (já que começaríamos cedo demais para meu intestino acordar).
E aí surgiu a ideia - inspirada na experiência de um amigo - desse shit tube não convencional ("de guerrilha"), que pode ser montado de última hora, ocupa pouco espaço, é leve e, resumindo, não tem porque você não carregar um na sua próxima aventura longa.
Vamos ao vídeo:
O vídeo foi gravado no improviso, sem roteiro, sem ensaio, com frio e vento de fazer o camera-man tremer...rs
Em suma, o vídeo é bem amador, mas é sincero. De amante da natureza para amante da natureza. Espero que seja útil.
A gente se tromba nas trilhas! Preferencialmente após vocês terem desinfetado as mãos com álcool gel! 😂
P.S.: Acabei não precisando usar o meu shit tube. O sistema digestivo aqui aguentou bem o tranco! rsrs
Se alguém aí já usou esse tipo de apetrecho, deixe sua experiência ou sugestão nos comentários! Vamos fortalecer esse debate e aumentar a conscientização em geral!
Posso falar com segurança que os treinos organizados pelos meus amigos Mutukas e Mantiqueira não deixam a desejar a nenhuma prova. Falo isso com tranquilidade.
Mas a exclusividade não é do pessoal do eixo Campos do Jordão/São Bento do Sapucaí, não!
Bem mais perto daqui de São Paulo, também tem gente trabalhando sério para trazer aos atletas muito mais do que um treino técnico em um percurso bonito.
Os amigos Arthur e Mika, que encabeçam os PGTR, prezam muito pela experiência que cada corredor terá no evento além da experiência da corrida em si. Não se trata, simplesmente, de reunir os amigos e sair para treinar.
A preocupação começa bem antes: em oferecer uma estrutura adequada; em trazer gente nova para a modalidade; em educar "macacos véios" e iniciantes nas questões ambientais; em oferecer um kit bacana; em zelar pela montanha e pelos corredores; em disponibilizar staff fixo em pontos chave do percurso e staff "dinâmico" acompanhando pelotões em ritmos diferentes ao longo do percurso; em receber feedback e planejar para que o crescimento da modalidade seja sustentável; e por aí vai!
Tive a honra e o prazer de ser chamado para atuar como staff nesse último treino e deixarei aqui meu depoimento:
Uma semana antes do evento, o Arthur reuniu o máximo de membros do staff possível para um treino de reconhecimento do percurso. Começamos o treino com tempo bom e uns 4km depois o tempo fechou. Começou a cair uma bela de uma chuva, com rajadas de vento assustadoras (a estação meteorológica local chegou a registrar picos de 99km/h!). Por sorte, o grupo era de "macacos véios" e, com bastante responsabilidade, usamos aquelas condições adversas para apimentar nosso treino! rs
Com a infinidade de provas existentes no calendário trail nacional (com opções para todos os gostos, distâncias e bolsos), uma prova tem que ser realmente muito especial para que alguém decida fazê-la repetidas vezes.
O Desafio 28 Praias é especial assim. Essa foi a 8ª edição da prova e foi a nossa 6ª participação, então não dá pra negar que temos certo apego emocional a ela! rs
Originalmente, a prova não estava em nossos planos, pois nosso orçamento anda bem limitado e estamos apenas treinando bastante mesmo. Maaasss, fomos chamados para participar da "nano série" do Muito Interessante para o Desafio 28 Praias (assista o vídeo AQUI) e, de lambuja, ganhamos cortesia para participar da prova.
Aceitamos na hora, afinal, fazia tempo que não participávamos de provas e, como dito acima, temos mesmo um carinho especial por essa prova. Contudo, não alteramos nossa programação de treinos para a prova, isto é, o Desafio funcionaria como um treino longo para nós, e não como uma prova-sangue-no-zóio-faca-na-caveira.
Continuamos nossa programação normal de treinos, focados muito mais em endurance/resistência do que em velocidade/corrida ritmada e fomos para a prova sem nenhuma pressão, querendo apenas um treino longo divertido e cheio de amigos.
Como já virou tradição, chegamos em cima da hora para a largada, cumprimentei rapidamente alguns amigos que encontrei no funil, a Fabi começou a contagem regressiva, meu GPS finalmente localizou o satélite e lá fomos nós com destino à Praia Dura, dali a 42km.
Nunca vi a prova tão cheia! Tinha muito mais gente correndo a prova na categoria solo nesse ano do que nos anos anteriores.
Iniciei a prova com tranquilidade, sem querer forçar muito. Repetia para mim mesmo que aquilo nada mais era do que um treino de luxo (apesar de não gostar dessa expressão), que não tinha porque encanar com ritmo ou com ultrapassagens.
Mas a cabeça da gente é um bicho doido, né? Comecei a lembrar do tempo que eu havia feito em minha primeira (e até então) única maratona, nesse mesmo percurso, em 2016, e comecei a querer me comparar comigo mesmo...